Em nota conjunta, clubes brasileiros saem em defesa das bets

Fluminense está entre os clubes que assinaram manifesto contrário a mudanças que possam reduzir os investimentos das empresas de apostas no futebol.

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Foto: Fluminense FC

Alguns dos principais clubes do país divulgaram, nesta quinta-feira, um manifesto em defesa do mercado regulado de apostas. A mobilização acontece em meio à discussão no Governo Federal sobre uma possível Medida Provisória para proibir os cassinos online, mantendo as apostas esportivas permitidas.

Fluminense e outros clubes brasileiros divulgaram uma nota conjunta, na noite desta quinta-feira (17/09), em defesa do mercado regulado de apostas no país.

O movimento acontece em meio à discussão no Governo Federal sobre uma Medida Provisória que poderia proibir os chamados cassinos online. A proposta em análise não atingiria diretamente as apostas esportivas, embora clubes e empresas do setor avaliem que a redução das receitas das operadoras poderia provocar reflexos nos investimentos em patrocínios esportivos.

Fluminense participa do manifesto

Além do Fluminense, clubes como Botafogo, Flamengo, Vasco, Palmeiras, Santos, São Paulo e Cruzeiro aparecem entre as equipes que aderiram à manifestação.

No documento, os clubes reconhecem os impactos sociais relacionados às apostas, principalmente sobre públicos vulneráveis, mas defendem fiscalização, prevenção e educação em vez de mudanças que, segundo eles, possam enfraquecer o mercado regulamentado.

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Fluminense está entre os muitos clubes patrocinados por casas de apostas no futebol brasileiro
Governo discute proibição de cassinos online

O Governo Federal analisa uma Medida Provisória para proibir os cassinos online. As apostas esportivas não entrariam na proibição discutida.

Atualmente, os jogos online fazem parte das apostas de quota fixa regulamentadas pela Lei 14.790/2023.

Clubes temem impacto nos patrocínios

No manifesto, as equipes argumentam que as casas de apostas se tornaram uma importante fonte de receitas para o futebol brasileiro. Estima-se que as bets paguem mais de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios apenas aos clubes da Série A do Brasileirão.

Os dirigentes temem que uma queda relevante na receita das operadoras atinja contratos, categorias de base, futebol feminino, centros de treinamento e outras estruturas mantidas pelas agremiações.

Os clubes também alertam para o risco de migração dos apostadores para plataformas clandestinas caso o mercado regulamentado sofra restrições severas.

Leia a íntegra da nota divulgada pelos clubes

“O FIM DO FUTEBOL BRASILEIRO

O futebol acompanha com atenção as discussões sobre o mercado de apostas no Brasil e reconhece os desafios que sua expansão traz. Os impactos sociais, especialmente sobre as pessoas mais vulneráveis, exigem atenção permanente do Poder Público, das empresas e de todos os setores envolvidos.

Por isso, é fundamental aprimorar as medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção, para reduzir riscos e garantir um mercado responsável.

O Brasil escolheu enfrentar esse desafio pela regulamentação. A regulamentação estabeleceu regras rígidas para as empresas autorizadas a atuar no país, com regras claras que permitem ao Estado fiscalizar o mercado, responsabilizar quem descumpre a lei e combater a atuação de plataformas clandestinas.

Importante ressaltar que, nos últimos anos, o investimento das empresas de apostas autorizadas tornou-se uma das principais fontes de receita do esporte. Este investimento impulsionou o futebol brasileiro de tal forma a dominar o cenário sul-americano em competições como a CONMEBOL Libertadores e a CONMEBOL Sul-Americana e a colocar clubes brasileiros em posição de protagonismo.

Essa presença não se limita aos maiores clubes. Os recursos também alcançam equipes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial. Para muitas destas agremiações, especialmente aquelas localizadas no interior do país, não existe hoje outro segmento econômico capaz de substituir imediatamente esse investimento.

Essas receitas são fundamentais para manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais e departamentos que não geram recursos suficientes para se sustentar de maneira independente, como parte do futebol feminino e a formação de futuros talentos, os primeiros investimentos ameaçados quando a receita cai de forma abrupta.

Assim, os rumores sobre mudanças abruptas na regulamentação do mercado de apostas têm gerado enorme preocupação em todos os clubes, federações e entidades de administração do esporte. Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país. Contratos regularmente firmados, planejamentos plurianuais e compromissos financeiros foram estabelecidos sob um marco regulatório construído pelo próprio Estado.

Para responder a um mercado que já existia e movimentava ilegalmente bilhões de reais, o país instituiu um ambiente regulado. Empresas foram autorizadas, passaram a recolher impostos e assumiram obrigações relacionadas à proteção do consumidor, ao bloqueio de menores, à prevenção de práticas abusivas e ao combate à lavagem de dinheiro e à manipulação de competições. Foi justamente a regulamentação do mercado que retirou o Brasil da liderança do ranking mundial de casos de manipulação.

Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir. Apenas abrirá o caminho para que os consumidores migrem integralmente para plataformas clandestinas, que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.

A consequência não será apenas uma porta escancarada para as apostas clandestinas, mas um golpe fatal para o futebol brasileiro, levando muitos clubes à insolvência. Isso, sem falar na insegurança jurídica e profissional que a medida acarretaria, especialmente para contratos regularmente firmados e planejamentos construídos sob o marco regulatório aprovado pelo Congresso Nacional e estabelecido pelo próprio Estado.

O que o futebol entende que deve ser feito, com o máximo rigor, é combater a ilegalidade, fortalecer a fiscalização e aperfeiçoar os mecanismos de proteção, sem colocar em risco um mercado que foi regulamentado pelo próprio Estado.

O futebol se coloca à disposição do Governo Federal, do Congresso Nacional, das Autoridades Estaduais e Municipais para colaborar em mecanismos mais eficientes de educação e conscientização.

O TORCEDOR NÃO PODE PAGAR ESSA CONTA.

SE ACABAR COM O MERCADO REGULADO, AS APOSTAS NÃO ACABAM.

O FUTEBOL É QUEM ACABA.”

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