Em artigo contundente, Lindinor Larangeira analisa o empate do Fluminense no clássico, critica a gestão “errática” que gastou R$ 400 milhões e questiona a ausência de Xerém e a postura das organizadas.
Por Lindinor Larangeira
Mesmo em um momento de crise técnica e jogando com uma equipe mista, o Fluminense Football Club fez um jogo bastante honesto contra o Botafogo, na noite de sábado, no Engenhão.
No primeiro tempo, o time da casa foi mais veloz e incisivo, contra um Fluminense que pecava pela lentidão, mas não pela omissão. No final, novamente um erro de arbitragem proporcionou o gol alvinegro, em falta inexistente, bem cobrada por Alex Telles.
Mesmo sem substituições, bastou o Fluminense acelerar um pouco na segunda etapa. Jogar 20 minutos de bom futebol, para chegar ao empate. O gol foi do improvável artilheiro pós-Copa, Ignácio, melhor jogador do time no clássico, deu números finais ao placar da partida.

Não é só Zubeldía: os erros de planejamento da diretoria são graves
Que o treinador já deveria ter sido demitido é opinião da maioria esmagadora da torcida. Como não é o torcedor quem demite, a atual diretoria tricolor erra, neste caso, por omissão.
Mas o maior problema da temporada não está dentro de campo: está fora das quatro linhas, em uma gestão errática, pouco transparente e que prioriza o compadrio em detrimento do profissionalismo.
A culpa não é do Castillo
“A maior contratação da história do clube” foi um verdadeiro atentado aos cofres do Fluminense. E ao futebol. Castillo, que brigou barbaridade com a bola durante o clássico, não tem qualquer responsabilidade de terem pagado quase 70 milhões de reais por ele. E se somarmos a Soteldo, que até fez uma boa partida, essa soma ultrapassa a casa dos R$ 100 milhões.
Com Lezcano e Santi Moreno foram cerca de R$ 70 milhões. Depois, o atual presidente reclama quando dizem que “o Fluminense está rasgando dinheiro”.
No total dos últimos dois anos, quase R$ 400 milhões de investimento, e a resultante é um elenco desequilibrado. Se bem aplicados, esses recursos formariam um elenco forte e equilibrado. Essa não é a situação, quando se vê carências em todos os setores do campo.
Cadê os moleques de Xerém?
Enquanto o Botafogo estava recheado de “moleques do bairro”, inclusive com o seu treinador lamentado a ausência por suspensão do volante Huguinho, onde estavam os moleques de Xerém?
Com uma escalação alternativa, era o momento de dar minutagem a Júlio Fidélis e Riquelme. Também, de relacionar para o banco Ruan Sales e Wesley Natã, jovem, que se atuasse no Palmeiras, já teria recebido mais oportunidades.
Seria apenas o treinador a ter “má vontade” com Xerém?
Jogadores têm que ser cobrados
Lucho Acosta e Savarino, que eram os principais responsáveis pela criatividade do time, anda produzindo pouco ou nada. O que estaria acontecendo? Esses dois, como boa parte do elenco, devem ser cobrados, inclusive com o “castigo” do banco de reservas.
Será que o treinador tem autoridade para cobrar do elenco? Fica a pergunta.
O que se espera é que eles saibam dar uma boa resposta no jogo decisivo de terça-feira. Afinal, nesta temporada, só nos restou o sonho improvável do bi da Libertadores, já que no Brasileirão, nem milagre de João de Deus pode nos ajudar a superar Palmeiras e Flamengo.
Organizadas, cadê vocês?
Por último, a minha decepção e estranheza com o comportamento tímido, para ser educado, com as outrora aguerridas torcidas organizadas.
Só cobrar do treinador e dos jogadores é mole. Cadê a cobrança aos dirigentes que montaram o elenco e gerem as finanças do clube de maneira perdulária?
Saudades do querido Seu Armando…
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