Raio-x do primeiro semestre tricolor: do auge de Fábio e da importância de Martinelli à crise com Zubeldía e a esperança renovada com a virada sobre o Palmeiras
O Fluminense vive uma temporada de 2026 marcada por altos e baixos expressivos. Avaliar uma temporada pelo futebol não é tarefa simples e no caso do Fluminense em 2026, essa complexidade fica ainda mais evidente.
O clube oscilou entre performances históricas e crises coletivas profundas, trocou de treinador em plena disputa continental e precisou de uma virada dramática contra o líder do Brasileirão para recuperar o fôlego antes de uma decisão de Libertadores. Não dá para negar: foi um semestre de montanha-russa. Se você quer entender sobre a classificação das equipas de futebol e do Fluminense além do placar, este é o seu guia completo.
Destaques Positivos: Os Jogadores que Fizeram a Diferença
Apesar da crise ofensiva pós-Copa do Mundo e da queda no aproveitamento com o técnico Luis Zubeldía, que revelaram um time ainda em busca de consistência, alguns nomes se destacaram individualmente, carregando o piano em momentos difíceis.
Fábio: O Guardião Insubstituível
Aos 43 anos, Fábio continua sendo um dos fenômenos do futebol brasileiro. Em 34 jogos disputados na temporada de 2026, o goleiro foi decisivo em dezenas de partidas. Sua atuação levantou, mais uma vez, o debate sobre uma possível convocação para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
Contra o Palmeiras, na vitória por 3 a 2, Fábio fez duas defesas cruciais no segundo tempo, quando o jogo ainda estava empatado, mantendo o time vivo no confronto. O que separa o goleiro de qualquer outra opção no elenco é a serenidade. Num time que sofreu com instabilidade tática e emocional, ele foi o porto seguro absoluto.

Martinelli: A Ausência que Provou o Valor
Poucos jogadores demonstraram sua importância da forma como Martinelli o fez em 2026, não apenas quando estava em campo, mas quando ficou fora. A lesão sofrida na reta final do primeiro semestre revelou o vácuo que o volante deixa no meio-campo tricolor: sem ele, o Fluminense perdeu organização, intensidade e presença física.
Em 24 jogos, Martinelli foi um dos nomes mais relevantes da temporada. Assim como Fábio, entrou na discussão de uma possível convocação para a Copa do Mundo. No jogo contra o Palmeiras, apareceu no lance mais marcante da partida, a jogada que resultou no gol da virada de Cano, iniciando a transição com Guga e invadindo a área para gerar o desvio decisivo.
Lucho Acosta: O Maestro que a Lesão Interrompeu
Lucho Acosta foi, durante boa parte do primeiro semestre, o jogador mais influente do Fluminense no Brasileirão. Com 27 jogos, 5 gols e 6 assistências, o meia argentino chegou a ser apontado como um dos melhores da competição, até que uma lesão o tirou de campo e o time sentiu o impacto imediato.
A química entre Lucho e Savarino era visível — dois jogadores com perfis complementares, com liberdade para combinar e criar. Quando os dois estão disponíveis e em forma, o Fluminense joga em outro nível.
Savarino: O Reforço que Virou Titular Rapidamente
Chegou depois do início do Campeonato Carioca, mas não demorou para se consolidar. Savarino soma 27 jogos, 6 gols e 3 assistências na temporada de 2026 e assumiu a responsabilidade como principal cobrador de pênaltis do time.
A integração rápida ao estilo de jogo do Fluminense foi a marca do atacante venezuelano no primeiro semestre. Sua mobilidade e capacidade de combinar com Lucho Acosta tornaram o setor ofensivo mais imprevisível.
No entanto, assim como boa parte do elenco, Savarino caiu de produção drasticamente após a Copa América. O atacante “sumiu” em campo na sequência de empates e na eliminação da Copa do Brasil, perdendo o protagonismo que tinha no início do ano e voltando a ser uma peça de rotação.
John Kennedy: O Artilheiro Antes da Lesão
Quando o assunto é o melhor jogador do Fluminense em 2026, John Kennedy entra automaticamente na conversa. Com 14 gols e 2 assistências em 35 partidas, o atacante vivia a melhor fase de sua carreira pelo Tricolor — titular absoluto, referência ofensiva e símbolo de uma equipe que jogava para ele.
A ruptura do ligamento cruzado anterior foi um dos golpes mais duros da temporada. Sem JK, o Fluminense perdeu seu principal mecanismo de finalização e entrou em colapso ofensivo.

Cano e Ganso: Os Heróis do Clássico
Quando analisamos as atuações do Fluminense na vitória sobre o Palmeiras — talvez o jogo mais importante do segundo semestre até aqui —, dois nomes se destacam pela liderança e decisão.
Germán Cano foi o herói da noite: cabeceou na trave, gerou o rebote para Serna empatar e desviou o chute de Martinelli para marcar o gol da vitória por 3 a 2, já nos acréscimos. Uma atuação que carrega o peso de quem sabe o que significa vestir aquela camisa.
Ganso, por sua vez, ressurgiu quando o time mais precisava de alguém para controlar a bola e ditar o ritmo. Como explicou o técnico Marcão após a partida: “Comecei com o Paulo justamente por isso, ele é um cara que controla o jogo, baixa a adrenalina.“
Os Pontos Negativos: Onde o Fluminense Ficou Abaixo
Apesar dos destaques individuais, a temporada tricolor foi marcada por fragilidades coletivas evidentes.
A Crise Ofensiva
Os números do Fluminense pós-Copa do Mundo são alarmantes. Como mencionado, em 7 partidas após a retomada dos campeonatos, o Tricolor marcou apenas 4 gols, a terceira pior média ofensiva da Série A, à frente apenas de Chapecoense e Bragantino.
O único atacante a balançar as redes nesse período foi Hulk, em cobrança de pênalti contra o Grêmio. Todos os outros três centroavantes à disposição e os pontas passaram em branco.
Sequência de 8 Jogos sem Vencer
Antes da vitória sobre o Palmeiras, o Fluminense acumulava uma sequência de 8 jogos sem vencer, sendo 7 empates e a eliminação na Copa do Brasil. A sequência criou uma atmosfera de desconfiança dentro e fora do clube e foi determinante para a demissão de Luis Zubeldía.
A Queda de Zubeldía: Do Histórico ao Fracasso

A passagem de Luis Zubeldía pelo Fluminense terminou com números que contam duas histórias completamente diferentes:
| Período | Aproveitamento | Vitórias | Empates | Derrotas |
| Primeiros 36 jogos | 69,4% | 23 | 6 | 7 |
| Últimos 25 jogos | 44% | 7 | 12 | 6 |
| Total (61 jogos) | 59% | 30 | 18 | 13 |
A queda de mais de 25 pontos percentuais entre os dois períodos é difícil de ignorar. No auge, Zubeldía tinha o melhor aproveitamento de um treinador do Fluminense neste século após 36 jogos, superando Cuca (68,5%), Abel Braga (64,8%) e Fernando Diniz (62,9%). No final, virou demissão, sacramentada dois dias após o empate por 0 a 0 com o Independiente Rivadavia, pela Libertadores.
A tentativa de mudar o sistema tático, do 4-3-3 para um 4-5-1 com Hulk e Castillo juntos, não funcionou. Foram 7 atacantes diferentes testados nas últimas três partidas antes da demissão, sem resultado.
Lesões que Mudaram o Rumo da temporada
A ausência de jogadores-chave explica boa parte dos tropeços do segundo semestre. O impacto das lesões no rendimento coletivo foi devastador:
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John Kennedy: Ruptura do ligamento cruzado, fora da temporada.
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Martinelli: Lesão na reta final do primeiro semestre, ausência sentida de imediato.
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Lucho Acosta: Lesão no primeiro semestre, tirou o principal criador de jogadas.
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Igor Rabello: Saiu com dores no ombro durante a partida contra o Palmeiras.
Sem John Kennedy, o Fluminense perdeu sua principal referência ofensiva e não encontrou substituto à altura até o momento.
Eliminações nas Copas Domésticas
A Copa do Brasil se tornou um trauma recorrente. O Fluminense foi eliminado pelo Vasco em duas edições consecutivas sob Zubeldía — na semifinal de 2025 e nas oitavas de final de 2026. No Campeonato Carioca, ficou com o vice-campeonato diante do Flamengo. Nos torneios eliminatórios, o ciclo foi claramente abaixo do esperado.
Análise Técnica: O que os Números Revelam
A vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras no Maracanã — líder do campeonato com 48 pontos — foi mais do que três pontos. Foi uma declaração. O Fluminense saiu atrás duas vezes, sobreviveu à pressão e buscou a virada nos acréscimos. Para um time que vinha acumulando empates e sinais claros de perda de confiança, o como valeu mais do que o quê.
Como resumiu Marcão após a partida: “Hoje nossa equipe ganhou porque realmente mostrou a cara de guerreiro.“
Perspectivas para o Segundo Semestre
O Fluminense de 2026 é uma equipe de contradições. Tem o terceiro pior ataque do Brasileirão pós-Copa, mas está no G4. Perdeu seu principal artilheiro para lesão grave, mas encontrou em Cano e Ganso dois líderes para momentos decisivos. Demitiu um treinador com 59% de aproveitamento, mas reagiu com uma das vitórias mais emocionantes da temporada.
A lógica aqui é simples, mas profunda: o Fluminense tem qualidade individual suficiente para competir com qualquer adversário. O desafio do segundo semestre é transformar atuações pontuais em consistência, dentro e fora do país.
Com a Libertadores na balança — o Tricolor viaja à Argentina para o jogo de volta das oitavas contra o Independiente Rivadavia, após empate de 0 a 0 no Maracanã — e o Brasileirão ainda em aberto, o Time de Guerreiros está longe de ter entregado seu veredicto final em 2026. E se a virada sobre o Palmeiras serviu de sinal, o melhor ainda pode estar por vir.