Possibilidade de não entrar em campo passou a ser discutida por dirigentes como forma de pressionar o Governo Federal e a CBF diante dos impactos financeiros provocados pelo fim das casas de apostas.
Dirigentes de clubes brasileiros intensificaram as articulações nos últimos dias após a proibição das bets no país. Segundo informações do jornalista Marcel Rizzo, do jornal Estadão, uma das possibilidades debatidas entre os cartolas foi a paralisação do Campeonato Brasileiro como forma de pressão.
As conversas ocorreram enquanto clubes articulavam o boicote à reunião com o Governo Federal que estava marcada para esta terça-feira (29). O encontro acabou cancelado depois que várias equipes sinalizaram que não enviariam representantes.
Clubes querem prazo de transição
A eventual paralisação teria como um dos objetivos pressionar o Governo Federal a adotar medidas além da linha de crédito que já vinha sendo discutida para amenizar os impactos financeiros.
Entre as principais reivindicações está a criação de um período de transição para o encerramento dos contratos e da publicidade das casas de apostas.
Os clubes argumentam que muitos contratos ainda preveem pagamentos ao longo de 2026 e que as receitas provenientes das bets também fizeram parte do planejamento financeiro para 2027.
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Pressão também mira a CBF
Outro objetivo da movimentação seria pressionar a CBF a participar mais ativamente das discussões com o Governo Federal. Uma eventual interrupção do Campeonato Brasileiro teria impacto direto sobre o calendário nacional, já bastante apertado até dezembro, o que aumentaria a pressão sobre a entidade para buscar uma solução.
Nos últimos dias, dirigentes também cobraram maior envolvimento institucional da CBF nas tratativas relacionadas ao fim das casas de apostas.
Sinafut entra no STF
Nesta terça-feira, o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional entrou com um pedido no STF para participar do processo aberto pelas empresas de apostas contra a Medida Provisória.
A entidade representa clubes e federações e tem forte influência da CBF. Por isso, alguns dirigentes enxergaram o movimento como uma entrada mais efetiva da confederação na discussão.
Clubes boicotam reunião com Governo Federal
O encontro entre representantes dos clubes e integrantes do Governo Federal estava marcado para esta terça-feira. A reunião deveria discutir os impactos econômicos da proibição e possíveis alternativas para minimizar os prejuízos. No entanto, o encontro foi cancelado depois que boa parte dos presidentes informou que não compareceria.
O cancelamento não encerrou as discussões sobre uma possível linha de crédito, mas os clubes querem ganhar tempo para encerrar os contratos com as bets de maneira menos traumática.
A possibilidade de paralisação do Brasileirão aparece como uma discussão de bastidores entre dirigentes, e não como uma decisão formal anunciada pelos clubes.
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