A benção João de Deus




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

Sei das dificuldades que o clube enfrenta, está buscando colocar a casa em ordem e o menor culpado nisso é o jogador. Fico chateado pelos atletas, que ficaram expostos. O respeito que tenho por todos eles é muito grande, principalmente porque sempre me ajudaram e honraram a camisa do Fluminense“, disse Abel Braga após o anúncio oficial das dispensas de Diego Cavalieri, Henrique, Wellington Silva (lateral), Marquinho, Artur, Robert, Higor Leite e Maranhão, feito pelo Fluminense através do seu site oficial.

Antes de falar das questões morais, quero deixar bem claro que não sou contra a dispensa desses jogadores. Entendo perfeitamente que a “bomba das finanças” explodiu de vez e que medidas visando reduções de custos são mais do que necessárias para honrar os pagamentos em 2018. Isso eu nem discuto. Na verdade, no final de 2014, quando o Explosão Tricolor tinha apenas quatro meses no ar, cheguei a comentar sobre a necessidade do Fluminense se adequar a nova realidade que seria a de andar sem a Unimed. Ainda assim, os dirigentes da época resolveram bancar renovações contratuais de alguns medalhões. Além de altos salários, foram assinados contratos de longas durações. Combati isso durante boa parte de 2015, cheguei até a ser chamado de oposicionista. Agora, três anos depois, a bomba explodiu. Quem me chamou de oposicionista na época, agora está tendo que dar mil explicações, contratar vários executivos para profissionalizar o clube… Resumindo: a conta chegou e com ela veio a revolta do torcedor tricolor que se sente enganada após saber que o “conto de fadas” tão propagado ao longo dos últimos anos não passou de uma das maiores enganações da história do Fluminense Football Club. 

A reprovação das contas de 2016, que deveria ter sido votada pela maioria do Conselho Deliberativo, no início de junho deste ano, foi feita somente agora com o anúncio das dispensas de jogadores como o Henrique e Marquinho, contratados no ano passado. O ex-capitão custou cerca de R$ 9 milhões aos nossos cofres. Salário? Mais de R$ 450 mil mensais com direito até a auxílio moradia de R$ 12 mil mensais. E o Marquinho? Salário de uns R$ 350 mil mensais podendo chegar até R$ 500 mil. Muita irresponsabilidade!

O anúncio da lista de dispensas publicado no site oficial do Fluminense foi uma das coisas mais desagradáveis que já vi na minha vida. Fiquei constrangido pelos jogadores. Como eu disse mais acima, não sou contra a dispensa deles, mas expô-los dessa forma, conforme o próprio treinador Abel Braga comentou, foi algo extremamente infeliz e deselegante. Como o mercado enxergou essa atitude da diretoria tricolor? Isso é o tipo de situação que dificulta ainda mais a vida do Fluminense no futebol brasileiro.

Além da péssima forma que foi divulgada a lista de dispensas, ainda fomos obrigados a ter que aturar alguns colaboradores e simpatizantes da gestão subestimarem a inteligência do torcedor tricolor. Divulgaram a notícia de uma grande economia que o Fluminense fará com as dispensas dos jogadores. O CEO do clube, Marcus Vinicius Freire, chegou a falar em redução de R$ 20 milhões. Só uma pergunta: os atletas dispensados abrirão mão das suas multas rescisórias? Será que o Diego Cavalieri, Henrique e Marquinho, que possuem grandes salários, aceitarão reduzir suas rescisões? Outra coisa que preocupa é que o Cícero, que acertou sua rescisão no início do ano, fez um acordo com o Fluminense, mas segundo andou sendo noticiado, o clube deixou de pagar algumas parcelas. A última informação foi a de que ele havia notificado o clube na justiça por causa dos atrasos nos pagamentos do acordo.   

Além do lado humano, não há como não ficar indignado quando vemos que o Diego Cavalieri, um dos principais responsáveis pela conquista do histórico tetracampeonato brasileiro, não tenha tido sua imagem preservada pelo clube. Triste, muito triste! Não serei hipócrita de questionar a decisão de dispensá-lo pelo fato de ter pedido isso no primeiro dia de dezembro, quando publiquei minha análise sobre o elenco tricolor e as necessidades de reforçá-lo para 2018. Sobre a posição de goleiro iniciei escrevendo o seguinte: “Tentaria chegar a um acordo com o Diego Cavalieri e Júlio César para dispensá-los“. Cavalieri merecia um tratamento digno das nossas tradições. 

Diante dos fatos, já sabemos que 2018 será um dos anos mais difíceis dos últimos tempos. Não teremos um elenco de qualidade, não temos perspectiva de boa arrecadação com bilheteria, não temos condições de bancar os custos do Maracanã, não temos atrativos para angariar novos sócios… Só nos resta lutar pelos 46 ou 47 pontos nas 38 rodadas do Campeonato Brasileiro e torcer pelo surgimento de algum fator impactante que volte a levantar o Fluminense em todos os sentidos. 

Oscar Cox deve estar passando muito mal lá no outro lado da vida…  Haja “A benção João de Deus” para 2018!

Forte abraço e Saudações Tricolores!

Vinicius Toledo 



Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

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