A emocionante história da última crônica de Nelson Rodrigues sobre o Fluminense




Nelson Rodrigues



A última crônica de Nelson Rodrigues

Em 1980, Fluminense e Vasco da Gama decidiam o Campeonato Carioca. À época, Nelson Rodrigues tinha problemas cardíacos e estava proibido de ver e ouvir jogos de futebol, principalmente os do Tricolor. O filho deixou de ir ao Maracanã para ficar com o pai no apartamento onde morava, no Leme. A solução foi ouvir à decisão pelo rádio.

– Ele não podia sequer saber do jogo. Só que acabava sabendo. Acordava, sempre procurando “Nelsinho, e o jogo?” – disse Nelson Rodrigues Filho ao portal GloboEsporte.com, em 2012.

De um lado, Zagallo comandava o Vasco. Já do outro, Nelsinho Rosa, estava à frente do comando técnico do Fluminense. Mas um dos times levava certa vantagem: o apoio de Pelé, que se dizia vascaíno.

– Evidente que, eu sendo vascaíno, ia torcer para que não metesse nenhum gol, para que o Vasco fosse o campeão – declarou o Rei.

Com medo de causar qualquer tipo de reação, Nelsinho omitia certos lances da decisão para não liberar as emoções do pai. Mas foi impossível esconder o gol de falta de Edinho. O título estava a caminho.

– Eu esperei o jogo acabar. Quando o jogo acabou eu disse pra ele: “Velho, vai ter uma falta e o Edinho vai bater. O Edinho bate bem. Velho, gol do Fluminense. Ele ficou excitado. Mas falei para ele segurar que ainda faltava jogo – recorda Nelsinho.

Quando a torcida já comemorava nas ruas, foi a hora de dar a notícia. O Fluminense era campeão. E antes que o filho pudesse contê-lo, Nelson Rodrigues levantou da cama em direção à máquina de escrever. Porém, sem conseguir redigir, concordou em ditar para Nelsinho escrever. Ali nascia a última crônica do jornalista.

O cronista morreu dezenove dias depois da publicação, no dia 21 de dezembro de 1980.

– Ele morreu muito feliz, com o futebol e com o Fluminense. Porque em seguida ele apagou no pleno da felicidade – disse Nelsinho.

Confira a última crônica de Nelson Rodrigues na íntegra:

“Amigos, em futebol, nunca houve uma vitória improvisada. Tem sido assim através dos tempos.

Foi uma doce e santa vitória. Vocês viram como aconteceu o nosso triunfo. Foi uma tarde maravilhosa.

Tudo começou há seis mil anos atrás. Vocês compreenderam? Podia ser o Flamengo, o Botafogo, o Vasco ou outro, mas estava escrito que a arrancada era tricolor.

Há quarenta anos antes do nada, Nelsinho foi chamado. E foi tão fulminante sua presença no

túnel tricolor que merecia ser carregado numa bandeja com uma maça na boca.

Amigos, os idiotas da objetividade custaram a perceber a evidência ululante, segundo a qual seríamos campeões. Eu lhes falei do Roberto Arruda. Pois o Arruda, desde o primeiro jogo do campeonato, me procurou dizendo: – “Seremos campeões”. E neste domingo, o Arruda telefonou para dizer uma única e escassa frase: – “Ninguém nos tira a vitória”.

E desde o primeiro momento do jogo, ficou claro que a vitória era tricolor. Foi 1 x 0 mas poderia ser dois ou três. O Edinho fez o gol e o Fluminense em vez de recuar para garantir o resultado partiu para cima do Vasco como um leão faminto de mais gols.

E vocês viram: nosso adversário não pode esboçar a menor reação.

Gostaria de falar dos campeões. O Fluminense tem um elenco fabuloso do goleiro ao ponta-esquerda, e só os lorpas e pascácios não veem que o futebol brasileiro está encarnado nos craques tricolores”.

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Por Explosão Tricolor

E-mail para contato: explosao.tricolor@gmail.com

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