A torcida não está fazendo a sua parte




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

Pois é, fomos humilhados pelo Flamengo. Perdemos sem dignidade e sem qualquer possibilidade de ganhar. Foi um massacre! O placar não representa o que foi o jogo. Se ficasse de cinco ou seis não seria nenhum exagero. Mas a pergunta que fica é: onde estava a nossa torcida?

Na última sexta-feira, o jornalista Mauro Cezar Pereira, dos canais ESPN, foi taxativo ao dizer que daqui a alguns anos os rivais do Flamengo serão equipes de outros Estados. E por mais que isso doa na alma tricolor, o jogo de domingo sugere que a tese não é tão absurda assim.

Um time só é grande se a torcida acompanhar. Dinheiro pode trazer títulos e alegria momentânea, mas a paixão do torcedor é que faz o clube permanecer imenso ao longo do tempo. Quem não se lembra do São Caetano do início dos anos 2000, quando Ademar e cia levaram o time a ser duas vezes vice-campeão brasileiro (2000 e 2001), vice-campeão da Libertadores (2002) e campeão paulista em 2004? Isso não impediu que o clube caísse novamente no esquecimento e atualmente está na Série D do Brasileiro e na segunda divisão do Paulista. 

E esse assunto é sério na medida em que nenhum clube permanece com o status de grande se não for acompanhado por sua torcida. É a partir dela que os valores a serem pagos pelo TV serão definidos, que uma empresa vai oferecer patrocínio e que a bilheteria e o sócio-torcedor serão lucrativos.

No jogo de domingo a torcida do Fluminense passou longe de encher até mesmo o setor Sul do estádio. Na verdade, ouso a dizer que não ocupamos a quinta parte daquele lado. Não vou nem considerar os setores Leste superior e inferior, Oeste inferior e Maracanã Mais, que eram mistos, porque o número de camisas tricolores foi ínfimo naquelas bandas.  

E o jogo de domingo na verdade reflete somente o que aconteceu nos últimos Fla x Flu. Torcida do Fluminense encolhida em uma pequena parte do setor sul e rubro-negros ocupando o Maracanã quase que por completo. Lamentável!

O problema pode ter várias razões. Administrações pífias ao longo dos anos, mesmo na época da Unimed, diversos problemas extracampo, time na zona de rebaixamento, salários atrasados e elenco pouco qualificado. Mas nada disso pode tirar do tricolor o ímpeto de ir ao estádio e ocupar o espaço que sempre teve, dividindo torcida com os demais grandes do Rio de Janeiro.

Enfim caros amigos tricolores, temos que buscar uma reação, e ela também deve acontecer na arquibancada. Cobrar na sede de Álvaro Chaves é importante? Sim, sem dúvida nenhuma. Mas comparecer ao estádio e fazer frente à torcida dos caras também é fundamental para não nos apequenarmos de vez.

Só neste ano jogamos seis vezes contra o Flamengo e se somar a torcida em todos os jogos é capaz de não encher sequer o próprio setor sul. Isso é alarmante para um clube do tamanho e da importância do Fluminense.

Definitivamente temos que entender que nós somos o Fluminense. A diretoria tá ruim? Cobre dela e apoie o time. É impossível manter um modelo em que a parte social receba do mesmo cofre do futebol profissional? Sim, mas vá ao estádio. Ganso está parado em campo? Com certeza. Então cobre dele também. Existe violência? Sim, mas parece que o flamenguista não liga pra isso, somente a nossa torcida. Ora, nenhum motivo é maior que o Fluminense e é por ele que acompanhamos futebol. 

Sou favorável a manifestações da torcida e a cobranças firmes e responsáveis contra a diretoria. Mas perdemos toda a razão quando deixamos de acompanhar time e permitimos ser esmagados pela torcida do Flamengo como aconteceu durante todo este ano, em especial no último domingo.

Alguns dirão que eles estão em um bom momento e justifica o maior número de torcedores. Mentira! Há anos estamos perdendo de goleada pra eles quando o assunto é presença no Maracanã. Deixamos de aproveitar o fato de que o estádio ainda é um dos poucos no país em que se permite torcida dividida. Simplesmente abandonamos as arquibancadas.

O Fluminense jamais retomará o status de enorme enquanto a torcida não entender a sua importância. Acompanhar, cobrar e apoiar são partes fundamentais do processo de se manter grande. Sem isso, poderemos cair na vala comum do esquecimento, o que é o mais grave que pode acontecer conosco.

Sendo assim, devemos reagir em campo e na arquibancada!

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura

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