Agora está na hora da diretoria falar!




FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC



Enfim, o Fluminense está matematicamente fora do Z-4 deste ano. A vitória do Vasco sobre o Cruzeiro exclui qualquer possibilidade de rebaixamento do time das Laranjeiras. E agora fica a pergunta: como está o planejamento para 2020?

Se na coluna passada implorei que Mário e Celso calassem a boca e não atrapalhassem o time na luta contra a degola, agora está na hora de falarem e divulgarem qual o planejamento estratégico para o próximo ano. Afinal, se não começar logo – na verdade já era pra ter iniciado – corremos o risco de daqui a um ano estarmos na mesma luta inglória contra a queda para a segunda divisão.

E planejamento estratégico não é simplesmente falar o que querem. “Contratar novos jogadores”, “reforçar o elenco”, “melhorar o desempenho em campo” são expressões vazias que demonstram amadorismo e falta de capacidade de comando. Planejar é definir metas e o caminho pra alcançar o objetivo.

Desde logo adianto: não acredito em luta por título no ano que vem. No máximo uma tentativa de levantar a taça do Carioca. E isso porque o Fluminense tem diversas prioridades e pendências financeiras para solucionar, o que dificulta a contratação de grandes nomes para reforçar o elenco.

Aliás, penso que será difícil manter parte dos atletas que atualmente se destacam. Nada menos que sete jogadores titulares têm contrato só até o fim do ano, sendo eles: Allan, Caio Henrique, Gilberto, Nino, Daniel, Yoni e Yuri. Quando tratou do assunto, Mário deixou claro que dificilmente o colombiano e Danielzinho serão mantidos, mostrando-se otimista quanto à permanência de Allan e Caio Henrique. 

Não vou entrar no mérito sobre a conveniência de se manter Yoni González, já que ele deu sinais que quer sair. Mas Danielzinho, Allan e Caio Henrique são fundamentais para o futuro tricolor na próxima temporada. Eles se destacaram e uma eventual perda será muito ruim para o time.

De toda forma, ao lado da formação do elenco para 2020, a diretoria deve planejar o pagamento da enorme dívida que o clube possui, incluindo salários atrasados. Não dá mais pra contar com a boa vontade dos atletas e exigir que eles deem tudo de si mesmo com dois ou três meses sem receber. Por mais que alguns não compreendam, jogador de futebol também é trabalhador, o que significa que o serviço que presta deve ser devidamente remunerado.

Confesso que não vejo nenhum planejamento mais sério sendo idealizado pela diretoria. Apesar do pouco tempo de gestão, o mínimo que seria exigido é a divulgação de metas sérias, responsáveis e austeras de condução do Fluminense. Não dá mais para aumentar a dívida a cada ano, esquecendo-se do enorme potencial que o clube possui para gerar receita.

Operar no vermelho não pode ser a realidade do Fluminense em 2020. No balanço do terceiro trimestre deste ano, já compreendendo a atual gestão, o clube mostrou que ainda gasta mais que recebe, porém isso tem que mudar para o ano que vem, sendo que o planejamento estratégico é o melhor meio de levar a essa mudança.

Defina um objetivo, com visão clara da missão e dos valores que o clube pretende manter na próxima temporada. Faça um diagnóstico do potencial do clube, descobrindo os pontos fortes e fracos. A partir daí construa um plano de ação e monitore continuamente cada passo. Só assim será possível diagnosticar os gargalhos e trabalhar para saná-los.

No entanto, qualquer plano a ser adotado deve passar sempre pela necessária transparência. Os gastos com o BackOffice das Laranjeiras devem ser corrigidos urgentemente, sendo que todos – torcedores, demais diretores, sócios e população em geral – têm o direito de saber “quem faz o que” dentro do clube. Não dá mais pra deixar essa turma na penumbra e continuar gastando milhões mensalmente sem que ninguém saiba ao certo qual a utilidade deles.

Agora sim está na hora da diretoria falar, mostrar seu projeto e buscar meios de fazer o Fluminense forte de novo, fechando as contas no final do mês e criando mecanismos para quitar o que deve. Só dessa forma, fazendo o correto trabalho de gestão, ainda que impopular, teremos condições de, um dia, lutar por títulos nacionais e internacionais outra vez.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



PUBLICIDADE