As pernas são menos importantes do que o cérebro?




Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC (Divulgação)



AS PERNAS SÃO MENOS IMPORTANTES DO QUE O CÉREBRO!
Buenas, tricolada!
Galera, já não aguento mais escrever de cabeça quente, depois de assistir a outro jogo do Fluminense! Entra dia, sai dia, e o nosso time vem na contramão dos demais: enquanto os rivais evoluem, nós involuímos! E hoje eu vou abusar: vai ser textão, mesmo!
Mais um clássico, mais um confronto contra os rubro-negros, e mais uma decepção! Esse 1×1 nos soou como uma acachapante goleada contra, em especial pelo fato de NÃO TERMOS JOGADO NADA! De novo! Fizemos um primeiro tempo sofrível, mesmo com a vitória parcial de 1×0, e uma segunda etapa razoável. Ponto!
OK! Sabemos que a nossa qualidade técnica não é comparável à dos melhores elencos do país – e o Flamengo está inserido neste seleto grupo. Mas ainda assim, não podemos errar os fundamentos básicos de um jogo de futebol, como passes de um ou dois metros, atrasadas de bola para o nosso goleiro e finalizações. Por falar em goleiros, o Rodolfo desta feita terá um (ou mais) parágrafo à parte, somente pra ele – e o Fernando Diniz também!
Decerto, estes tais equívocos se deram por conta da marcação pressão que os caras imprimiram no começo do jogo, e a falta de recursos dos nossos jogadores foram preponderantes para que eles ocorressem. Beleza, mas no segundo tempo as cagadas permaneceram e os caras já não pressionavam tanto! Porra, trememos de novo?
É aquilo: os jogadores, muito eventualmente, poderiam utilizar mais as suas cabeças do que as suas capacidades físicas. Não se vive sem cérebro!
 A ZAGA
A cada instante me surpreendo mais com o Matheus Ferraz. Nada como um dia após o outro, né não? Fui um crítico contumaz à sua chegada, escrevi a respeito em fóruns do Face, em grupos de amigos tricolores no Zap, pessoalmente, enfim… Pois é, o malandro calou a minha boca! Bem feito pra mim! Aos 57 anos, eu já deveria ter aprendido que não se fecha questão sobre quaisquer temas, principalmente no que se refere ao velho e violento esporte bretão – cansei de me desdizer nessa vida, desde que me entendo por gente!
Gilberto às vezes dá a impressão que desaprendeu! Caceta, ele tem cometido bizarrices que nem na minha pelada de fim de semana eu vejo! Fez um gol e salvou outro, do Uribe, mas e daí?  Uma atuação não pode ser resumida em dois lances, apenas, e sim pelos 90 min.! O nosso bom lateral-direito sequer acende e apaga, como em outras oportunidades. Ele está mal mesmo!
O Nino foi bem, a meu ver. Sério, não errou nas saídas de bola, cansou de cobrir os avanços do Gilberto, e não demonstrou nervosismo. Ele é uma sumidade? Jamais! Mas não podemos nos esquecer de que tem apenas 21 anos, veio de um centro futebolístico menos desenvolvido e de um clube de menor investimento, do interior de Santa Catarina!
O Caio Henrique já não atua bem há uns 3 jogos. Nem pela lateral e nem na sua posição de origem, o meio-campo. Neste Fla-Flu, o moleque abusou dos erros, esteve muito aquém de sua pior atuação com a nossa camisa – naquele confronto diante do Luverdense, pela Copa do Brasil, e falhou em lances capitais! Ah, ele não é lateral-esquerdo, porra!
Eu e meu irmão, Sérgio, tivemos até um embate sobre a matéria Caio Henrique. Enquanto ele garantia que o jovem meia seria fraco, eu dizia o contrário. Os meus argumentos para defendê-lo foram simples: se o cara atua bem 10 vezes e em três oportunidades, mal, soam precipitados os rótulos! Devemos aguardar um pouco mais para cravarmos este tipo de paradigma – olhem o meu próprio exemplo, no caso Matheus Ferraz!
O MEIO-CAMPO
Mesmo sem o brilho da época em que defendia o Botafogo, o Bruno Silva foi o nosso melhor homem do meio, em especial no segundo tempo. Acertou mais na transição defesa-ataque, o que não vinha ocorrendo, errou menos passes, e marcou muito bem, ajudando o Nino na cobertura do perdido Gilberto! Verdade que cometeu uns dois vacilozinhos na saída de jogo e ainda usou força excessiva no combate, mas os episódios não comprometeram a sua atuação! Talvez tenha sido o seu melhor jogo com o nosso manto – o que representa muito pouco, pra ser sincero!
O Dodi é aquilo: corre, dedica-se, envolve-se, come grama e dá o seu sangue, mas não é jogador para entrar numa partida decisiva, de um torneio oficial, com a camisa de titular do Flu! É burocrático ao extremo! Haveria outras opções pro Diniz, como começar com o próprio Allan em seu lugar. Ou mesmo o Caio Henrique no meio e o Calazans na lateral-esquerda. Pra mim o Dodi é jogador de elenco, pra reforçar marcação e segurar resultados, entrando no decorrer de algumas pelejas, e não um articulador de jogadas do principal setor de uma equipe de futebol.
O Daniel… Bom, o Daniel é um mistério! Não sei mais o que escrever sobre este guri! Já o chamei de ótimo menino. De garotinho bom de bola, mas frágil, com 10 anos, jogando pelada no meio de nego cascudo. De omisso. De pipoqueiro. Até de craque, quando ele quase foi envolvido pela nossa diretoria naquela troca com o Wellington Nem, do Shakhtar Donetsk, há uns dois ou três anos! Mas confesso que as dúvidas ainda pairam sobre a minha cabeça. A verdade é que ele não resolveu ou jogou bem em 2019, quando foi acionado – e foram inúmeras vezes! Mais proveitoso se o Diniz recuasse o Luciano para o meio, em seu lugar, e começasse o embate com o João Pedro na frente. Fazer o que?
O Allan entrou bem no clássico – ou menos mal. Seu cartão de visitas foi um pombo sem asas, da entrada da área, que assustou o Diego Alves! Saiu pro jogo, não errou passes e manteve a pegada de meio, na marcação. Ele é bom jogador, mas deve sair no meio do ano… Aí complica!
O ATAQUE
Nota-se que o Luciano tem algumas qualidades, é criativo, finaliza razoavelmente bem, busca o jogo, não se omite – às vezes até exagera nas reclamações e nos confrontos contra os adversários, mas ele não faz uma boa apresentação desde a semifinal da Taça GB, contra o próprio Flamengo. Já se vão quase 30 dias (ou mais), desde aquela data. Neste Fla-Flu, novamente, foi peça nula dentro das quatro linhas. Diriam os puristas: – ah, se ele mete o nosso segundo gol, quando pegou um cruzamento de prima e o goleiro dos caras fez aquela defesaça, na etapa complementar, estaríamos tratando-o como herói. “Se” não muda o placar, não influi nem contribui, e o resultado de 1×1 demonstra estas verdades! Mas o que me irrita profundamente é que o nosso treinador sequer cogita a hipótese de sacá-lo! NUNCA! O nosso camisa 18 é “imexível”, como disse certa vez um Ministro de Estado!
Yony Gonzales também não tem uma boa performance há uns 4 jogos! Quando o Diniz entender definitivamente que o colombiano é jogador de lado, e não para ficar enfiado entre os zagueiros “inimigos”, ele vai dar a volta por cima. Encarar Madureira, Macaé, Cabofriense e Americano com o gringo exercendo esta função é uma coisa, e equipes de camisa mais pesada, uma outra completamente distinta! Pra início de conversa, ele não sabe fazer pivô! Oras, esta é uma das características que passam ao largo do seu estilo, caramba! Então, como escalá-lo de camisa 9? Ele não se esconde, luta, doa-se como poucos, mas vem caindo de produção.
Everaldo é outro que não vem repetindo as boas partidas de outrora. Não sei se a sua transferência – ou não – já começa a pesar sobre os seus ombros, ou se ele entrou em má fase, coincidentemente. Mas é notório o seu mau aproveitamento nas últimas três apresentações tricolores. O rapaz mantém-se ativo, doando-se, não tirando os pés de divididas, suando a armadura, mas voltou a prender demasiadamente a bola, como no começo desta temporada!
O pobre João Pedro entrou na roubada, com o time já descaracterizado taticamente – ele substituiu o Nino, lembram? – e fora de sintonia e do clima do clássico! E ainda teve pouco tempo para mostrar algo diferente. Aí, meu povo, fica difícil pacas!
O Calazans também foi pro campo e não acrescentou absolutamente nada à equipe! Trata-se de um outro jogador que me traz dúvidas sobre a sua utilização. Talvez a sua possível transferência pro São Paulo possa estar mexendo com os seus nervos, sei lá. Corroborando com a opinião do meu amigo PC, a diretoria e o Diniz, se já estiverem convictos de suas saídas, devam decretar os seus afastamentos e deixar de lado o Everaldo e o próprio Calazans, daqui para adiante. O prejuízo técnico seria grande, mas de que adianta termos dois atletas no elenco que não estejam focados no clube? Para que esperar até maio e julho, respectivamente, por Everaldo e Calazans?
OS PARÁGRAFOS À PARTE
Rodolfo não é goleiro para o Fluminense Football Club. Infelizmente, mais uma vez eu tenho que dar a mão à palmatória – apostava na sua redenção e confiava no seu “taco”! Mas ele vem falhando sistematicamente. Não segura uma bola sequer – somente a soca. Demonstra insegurança com as mãos e nas saídas de gol. Enfim, não basta o camarada ter boa técnica com os pés, se a maior necessidade é a de um arqueiro que garanta lá atrás com os braços. Além, óbvio, de passar confiança ao time e à torcida – como Paulo Vítor, Cavaliere (em 2012) e Júlio Cézar (no último semestre de 2018)!
Ele já havia cometido uma pixotada no primeiro tempo, quando saiu pra rebater um cruzamento e entregou a bola de bandeja pro Arão conferir de cabeça… O VAR viu falta no lance e o juizão anulou o tento rubro-negro, graças a Deus! Quando saiu o gol de empate dos caras, inicialmente achei somente falha do Rodolfo. Mas ao revê-lo, tive que mudar de arbítrios: foi frangaço, mesmo!
Um arqueiro não pode deixar a bola passar entre ele e a trave – ou debaixo de seu corpo, num chute diagonal e sem ângulo, no único canto possível, e ser o principal responsável pela ruína de toda uma estratégia. De todas as esperanças da torcida. O goleiro, mal comparando, representa o CEO de uma empresa próspera. Então, ele jamais poderá ser o vórtice da derrocada. Não é permitido que um guarda-metas jogue fora uma boa vantagem – como a que nos colocava na finalíssima do Cariocão 2019! Especialmente um goleiro de time grande!
O pior é que estivemos negociando com dois bons jogadores para a posição, antes do Agenor: João Ricardo, ex-América Mineiro e hoje na Chape; e Richard, que foi um dos melhores arqueiros do Brasileirão passado, pelo rebaixado Paraná, e partiu rumo ao Ceará!
Mudando de alvo, Fernando Diniz, meu camarada, acho que você já foi picado pelo inseto amarelo da mesmice! Logo você, que conta com o apoio da maioria dos tricolores, mermão?! São sempre as mesmas substituições, sempre os mesmos jogadores sacados – e também os que entram. Cadê o Plano B – ou C ou D? Os técnicos adversários detectaram o seu modus operandi, e atualmente ficou fácil segurar o Flu – mesmo os Luverdenses da vida! Mude enquanto há tempo, cara!
Agora, rapaziada – e senhor Diniz, é concentração máxima nas duas Copas e no Brasileirão, que está pedindo passagem aí. Entretanto, as mudanças de conceitos, como já vimos debatendo há dias, devem ser imediatamente aplicadas. O FFC está previsível, seu jogo não flui, e mesmo as consequências de uma maior posse de bola já não são latentes ou frutificadoras. Pior: não temos visto esse tipo de supremacia com tanta frequência ou facilidade.
A maior virtude do ser humano é a humildade. Portanto, Diniz, faça bom uso da sua e repagine-se – sem necessariamente abrir mão de suas convicções!
Saudações eternamente tricolores!
RAPIDINHAS:
– Tremenda sacanagem colocarem esse Fla-Flu para o sábado! Nós jogamos na quarta-feira passada, lá no Centro-Oeste, fizemos duas viagens desgastantes, de ida e volta, e foi nítido o cansaço dos nossos jogadores no terço final do Fla-Flu! Dá-lhe FERJ! Dá-lhe Globo!
– Sei que um técnico tem os treinamentos como referência, que trabalha dia e noite com o seu elenco, que abraça os seus eleitos, que escolhe os atletas para começar os jogos – ou entrar em campo no decorrer da peleja, mas como dizia o mestre Didi, treino é treino, jogo é jogo!
– Muito escroto o bate-boca acalorado entre o Diniz e o Gilberto no final do duelo, ali na linha lateral. Quebra de hierarquia, precedente perigoso e mola precursora para uma possível perda de comando! Não sou mensageiro do mau agouro, contudo, mesmo o lateral já tendo se desculpado com o chefe, olho vivo!
– Está claro que as chegadas de Léo Artur e Ewandro , e a volta do Pedro, ainda serão insuficientes. O Flu tem que buscar mais uns 3 ou 4 nomes no mercado, especialmente se Everaldo e Calazans saírem, de fato.

Ricardo Timon

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