Cadê a eleição antecipada?






Cadê a eleição antecipada?

O campeonato carioca é o estadual mais zoneado do país. Três taças em uma disputa só, semifinal que poderia ter um jogo apenas e títulos de turno que não garantem o time na final. Uma bagunça! Assim também é a eleição antecipada do Fluminense. E ela será o principal assunto desta coluna.

Não é segredo pra ninguém que Pedro Abad tem que sair do clube. A gestão dele e de seu grupo político no Fluminense é tão ruim que eles não conseguiram perceber que é o time que sustenta a diretoria. Basta ver que neste ano as críticas diminuíram bastante e a torcida está mais focada no campo. Ou seja, a arquibancada está acreditando na turma de Fernando Diniz.

Não adianta agradar piscineiro, frequentador da sede social, atleta do tênis, do salto ornamental ou do vôlei; o que faz a diretoria ter tranquilidade para trabalhar é um time de futebol bem montado. E quando uma diretoria não consegue enxergar isso, é sinal que não tem competência para administrar o clube.

E é neste cenário que se deve exigir a eleição antecipada já anunciada pela presidência. Não há mais clima, não há mais confiança e sequer um único sentimento positivo com a permanência de Abad no cargo. Em meio a uma séria crise política e financeira, o torcedor tem o direito de ver seu time nas mãos de outro presidente.

Mas parece que as indefinições da atual diretoria permanecem. Até o momento ela não conseguiu decidir sequer a data do pleito. E o pior: o mandatário tricolor está debatendo o passo-a-passo do processo com o atual presidente do Conselho Deliberativo Fernando Leite, aquele mesmo que, embora no cargo desde fevereiro de 2018, nada fez para lutar pelos direitos do clube contra a Flusócio.

O site Globoesporte.com trouxe a informação de que a eleição antecipada ocorrerá no dia 4 de maio. Detalhou a notícia dizendo que Pedro Abad teria definido a data após a aprovação da modificação do estatuto do clube, que passou a permitir o adiantamento do pleito. Contudo, o mesmo estatuto dispõe diversos prazos para uma eleição regular, incluindo os 30 dias para o registro das candidaturas e a realização de campanha. Ou seja, quase impossível que esta se concretize.

Apenas para lembrar, a decisão de abrir mão do mandato foi tomada pelo próprio Abad em dezembro do ano passado logo após uma reunião no Conselho Deliberativo que frustrou o objetivo da oposição, que era o impeachment. Confesso que este também era o meu desejo e só via – e ainda vejo – vantagens nele, começando pela maior de todas: o presidente já seria outro a esta altura do campeonato.

É claro que na política do futebol não se pode duvidar de nada. Mas não custa cobrar a realização da eleição, até porque, enquanto não ocorrer, Pedro Abad ainda é o mandatário e pode voltar atrás em sua decisão de encurtar a sua presidência, gerando prejuízos ainda maiores ao clube.

O Fluminense usa as urnas eletrônicas cedidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Foi assim na eleição passada. E será assim agora. Tais urnas, para serem usadas pelo clube, dependem de burocracia para a cessão, dentre elas a decisão do presidente do Tribunal; uma vez cedidas, precisam ser inseminadas e os dados dos eleitores e dos candidatos lançados. E isso também demanda tempo, que é o que a torcida do Fluminense não tem mais.

Ou seja, por todos os ângulos o que se nota é um trabalho lento para antecipar as eleições, como se fizessem de propósito para empurrar o mandato até o final. Se bem que, em se tratando de Flusócio, não se pode excluir a pura e simples incompetência no trato das coisas das Laranjeiras, o que pode ser o caso.

Que tenhamos a graça de, a um só tempo, ficarmos livres da Flusócio e elegermos alguém com condições de governar de verdade; sem passar pano pra FERJ, sem temer lutar pelos interesses do clube e com força suficiente para elevar o nome do Fluminense no Brasil e no mundo.

Difícil? Nunca foi fácil em se tratando do nosso Tricolor.

Vigilância constante e cobrança inteligente. Só assim vamos garantir um Fluminense forte de novo.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



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