Contradições




Gilberto (Foto: Mailson Santana / Fluminense F.C.)

Buenas, tricolada! Pois é, este colunista que vos escreve, bipolar e contraditório como todo torcedor de futebol do planeta, está começando a apreciar este Fluminense de 2020. Isso aí, este mesmo Flu do Odair, treinador que até outro dia era um dos alvos da minha fúria.

Lembro bem, e acho que todo leitor que me acompanha neste espaço há um ano também recorda, eu marretava o Fernando Diniz por conta da insistência com Aírton e Bruno Silva na volância tricolor no começo da temporada passada. Fiz mea-culpa, posteriormente, e comecei a aplaudir o bom futebol praticado pela equipe, depois da barração dos dois mencionados postes.

Prosseguindo, mais uma vitória no Carioquinha, mais uma goleada, mais uma boa apresentação e mais três pontos no bolso: quatro a zero pra gente em cima do Resende, pela segunda rodada do returno do Estadual, na tarde/noite ensolarada deste domingo último.

Ah, era apenas o Campeonato Carioca! Tratava-se somente de um simpático time de interior! Fizemos a nossa obrigação! Frases prontas de uma boa parte do povo! Mas é isso! Atropelamos o Resende de uma forma que não conseguimos diante do Boavista e do La Calera, por exemplo. Aliás, este confronto da Sula me tira o sono até hoje! Que inconformismo!

O fato é que o Odair Hellmann, optando pelo (bem-vindo) rodízio do elenco, e graças aos céus atualmente temos várias boas e algumas razoáveis peças de reposição, vai encontrando o time ideal.

Hudson e Yago na proteção à zaga dão outra dinâmica à meiúca – e uma transição mais eficaz! Matheus Ferraz é outro patamar, como apregoam os torcedores de um rival caseiro. Marcos Paulo pelo meio revela-se um jogador mais proeminente – aquela ponta-esquerda lhe fazia mal! Ele apenas deve aprender a soltar a bola com maior rapidez, já que desperdiçou alguns bons ataques por fomeagem.

Por tais motivos é que começo a entender melhor as ideias do nosso técnico, especialmente se ele mantiver essas mudanças pros próximos duelos. Sem Digão e Henrique, não desmerecendo-os, o Flu será sempre outro! Ah, e com Egídio, é lógico!

Sim, porque duro é aturar o Orinho! Joga nada! Não marca, não apoia e erra tudo! Péssimo negócio ceder o Mascarenhas à Europa, por empréstimo, porque o Egídio não tem reserva. Ponto cego do nosso grupo de atletas, nos dias atuais.

O FFC passeou na primeira etapa até a parada técnica. Fizemos um a zero logo no começo, depois de um bolão do Yago pro Pacheco na direita, que cruzou rasteiro – um passe – para o Wellington balançar o barbante.

Daí em diante, o Édson Souza, treinador do Resende, rearrumou o seu time e passou a incomodar a nossa cozinha, em investidas esporádicas. Ele postou três zagueiros, segurou os seus laterais – desenhou uma linha de cinco, manteve dois volantes combatentes e passou a espetar contra-ataques perigosos. Claro, o Flu teve dificuldades de entrar nos domínios inimigos… Um paredão branco dificultava as nossas ações!

E aí tivemos que conviver também com os totozinhos irritantes: Muriel para Nino, que passava ao Ferraz, que esticava ao Yago, que recuava pro Hudson, que achava o Gilberto antes da linha de meio-campo, que voltava a pelota ao Nino… Um saco! Perdemos a dinâmica, e o Odair não conseguiu decifrar esse enigma construído pelos caras – uma pegadinha boba e fugaz!

Então, um a zero antes do intervalo foi de bom tamanho, pois o nosso treinador teria tempo para reposicionar o onze principal – e criar artifícios para furar tal bloqueio – na parada após a primeira metade do jogo.

Não deu trave! Logo que recomeçou a peleja, o Nenê alçou uma bola na área, o Ferraz tocou de cabeça, o goleirão adversário deu um tapa pro lado e o Marcos Paulo conferiu: dois a zero pro Fluzão!

Bem verdade que o mesmo Édson Souza, que mexera bem taticamente na sua equipe no primeiro período, deu uma mãozinha: retirou um dos volantes e colocou um centroavantão pesado! Seus comandados perderam-se completamente no quadrilátero gramado, já que o seu meio conformou-se em assistir ao Flu trocar passes – com objetividade.

Aí, rapaziada, bastou-nos contabilizar mais tentos! Três a zero, com Nenê de pênalti, e quatro a zero, com Gilberto, depois de boa trama pela direita. Se fosse cinco ou seis não seria exagero!

A destacar: em primeiro, como é bom ver o Gilberto voando! A mim, particularmente, mais do que a todos, pois sempre tentei defendê-lo, mesmo nas ocasiões em que tinha performances ridículas.

Em segundo lugar, é aprazível ver o Nenê, com 38 primaveras, à vontade em campo. O Malandro está de patrão! Arrisco dizer que ele é fundamental para a equipe hoje. Mas a temporada é longa, né? Esse é o meu temor.

Já em terceiro, e contestem-me se acharem necessário, o Yago tem características similares às do Allan, na marcação e na transição, com uma grande vantagem: ele finaliza melhor e faz gols!

Na quarta instância, é ótimo vermos um volante penetrar por trás das defesas oponentes e criar situações de perigo. O Hudson meteu um pombo desta forma, contra o Madureira, e ante o Resende sofreu a penalidade, que resultou no nosso terceiro gol.

Por último, preocupa-me a irregularidade do Wellington. Ele é capaz de entortar uma defesa inteira, com dribles curtos e velocidade impressionante, e na jogada seguinte errar um passe de um metro! Além disto, ele também prende a redonda em demasia, em determinados lances, matando pontadas que seriam perigosas a nosso favor. Ah, e parece-me que o Pacheco rende melhor pela esquerda, portanto… Mas eu iria de Miguelzinho!

Em suma, ainda que não tenhamos digerido a eliminação precoce na Copa Sul-Americana, e esta mácula pode ser creditada ao Odair, creio num Fluminense mais digno no atual certame. Por causa das contratações, pela utilização de uma molecada boa de bola, pelo melhor equilíbrio defensivo e pela fartura de gols que nos é par até aqui. Somos o segundo melhor ataque dos clubes da Série A, atrás apenas do poderoso Flamengo! Os acontecimentos ainda são embrionários, mas a esperança tem que andar de mãos dadas com a galera.

Olhos abertos para o embate diante do Figueirense, no decorrer da semana que entrará – e no confronto de volta, na semana seguinte. A classificação nos concederá chances de evoluir, de melhorar a autoestima, de trazer definitivamente a torcida pro lado do time e de engordar a nossa conta bancária. Todo cuidado é pouco!

E perdoem-me a bivalência opinativa! Como descrevi lá em cima, sou (apenas) torcedor!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon 

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