Disse, mas desdigo




Nenê (FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC)

Buenas, tricolada! Os leitores que me acompanham aqui no Explosão Tricolor há um ano decerto lembrarão de algumas opiniões que insistentemente expus neste espaço.

Não pretendo me referir a todas elas, mas vejo a premência de uma mea-culpa irrevogável, hoje. E o tema é o Nenê!

Apenas como referência, vou relembrar a minha epopeia e o meu histórico sobre a matéria proposta, desde as especulações até o desembarque do veterano no Laranjal.

Inicialmente, fui defensor ferrenho de sua vinda. Um jogador experiente, que exerceu liderança por onde esteve, balançou as redes em todos os campos do mundo, foi ídolo, inimigo e mais um – apenas, da mesma forma, nas diversas agremiações onde pousou não poderia ser desprezado.

Na sua estreia, relevei a falta de ritmo, a falta de entrosamento e “perdoei” o seu pouco tempo de Flu, inclusive considerando conclusiva para o seu mau desempenho a ausência na pré-temporada – ela é mais do que imprescindível.

Depois de quatro ou cinco participações com o nosso manto, em 2019, passei a desconfiar de sua capacidade… A idade parecia pesar-lhe nos ombros.

A partir daí, liderei uma cruzada para vê-lo fora de Álvaro Chaves. Até mesmo neste começo de temporada, quando o Mário Bittencourt revelou as suas intenções e iniciativas na montagem do elenco tricolor. O primeiro a dançar, pra mim, seria o Nenê!

Pois é, mas como o futebol é mestre em nos tornar mentirosos, palhaços e alvos de críticas, o início de 2020 nos revelou um atleta diferente. O camisa 77 atualmente é mais participativo, não retém a bola desnecessariamente, distribui o jogo com assertividade, recompõe o meio e a defesa como se tivesse somente 20 anos – e não 38, mantém o ambiente de grupo salutar e ainda é decisivo pra caceta! Basta dizer que o vovô-garoto é o artilheiro do Cariocão, com sobras. Isso aí, em mais uma oportunidade vou me desdizer. Dane-se! Que assim seja! Se for para o nosso benefício, quero me desdizer de hora em hora!

Beleza, os Estaduais não são parâmetros, Botafogo, os reservas do Fla, Cabofriense e cia. não são adversários, mas desafio qualquer tricolor a bater no próprio peito e bradar aos sete ventos: “eu sabia que Nenê seria o nosso craque neste novo certame”!

Cedo? Bastante! Pelas razões enumeradas acima e pelo fato de estarmos no início do ano… Muita água, límpida ou da CEDAE, vai rolar sob a ponte, mas são alvissareiras algumas boas atuações do nosso coroa e do Fluminense nestes dois últimos meses. Por todos os motivos que já sabemos.

Para não me ater a um jogador, já que o futebol é coletivo, chega um pouquinho dos “puxa-saquismos” ao Nenê. Quero registrar as minhas alegrias e senões da partida contra o Botafogo, e ressaltar as exibições dos demais atletas tricolores, que desfilaram em campo neste domingo, às 16h, no Maraca.

Mas vou me desdizer novamente: que partidaça do Gilberto! No apoio e lá na cozinha! Aliás, escrevi na coluna de outro dia sobre o nosso lateral-direito (também). Disse que lamentava as suas limitações – físicas, à prióri, embora as opções de mercado para contratar um atleta para a posição não sejam vastas. Um dia após o meu vaticínio, o cara voou!

Resumindo, se o Gilberto atuasse em todos os confrontos com a desenvoltura demonstrada no clássico vovô, não estaríamos discutindo sobre o sexo das borboletas e sobre a urgência em buscarmos alguém para substituí-lo. OK! Não esqueci que o Campeonato do Rubinho não é medida para quaisquer veredictos. Mas que uma performance daquele nível nos anima, ah, isto é inevitável!

O Wellington parecia que jamais saíra das Laranjeiras. Como é bom se sentir em casa! Que reestreia! O moleque de Xerém passeou no gramado. Ele driblou, marcou lateral adversário, foi ao fundo, deu assistência, brigou com o juiz, chamou malandro pra dançar, deslocou-se como se acabasse de subir da base – aos 18 anos, e ainda deixou a sua marca, depois da ótima trama pela esquerda e de um passe do Egídio.

Ótimas partidas também do próprio Egídio, do Yuri, do Henrique, do Marcos Paulo e do Evanílson, que não descansa, não dorme, azucrina as zagas oponentes… Enfim, excelente apresentação do FFC na última rodada da Taça GB! Especialmente no primeiro tempo, quando decretamos o placar final: 3×0, fora o baile!

Muriel sofreu somente um susto, quando o Danilo Barcelos acertou o seu travessão no comecinho do duelo, de falta, e depois disso passou a assistir ao confronto sem muito esforço – mas rebateu algumas bolas mal recuadas pelos seus companheiros, no abafa. Da mesmíssima maneira, Luccas Claro e Digão tiveram algum trabalho até os 10 ou 15 min. de peleja. Após o primeiro gol, do Nenê, adeus Foguinho!

No segundo período ainda tivemos algumas oportunidades de ampliar – e também sofremos uns poucos sobressaltos, mas nitidamente o Fluzão tirou o pé. Cheguei a comentar com amigos que não lembrava da última grande atuação do time, mas o meu parceiro Cláudio avivou a minha memória rapidamente: “e aquela primeira etapa contra o Atlético Nacional, na Sula de 2019”? Valeu, mermão, você estava coberto de razão!

Gostei do Caio Paulista. O garoto é atrevido! Não sentiu o peso da armadura! Boa a entrada do PH Ganso, que distribuiu as jogadas com a costumeira dinâmica. Achei que o Pacheco poderia ter tomado a vaga do Marcos Paulo mais cedo, porque o camisa 11 cansara no meio da segunda metade do jogo… Mas tá bom!

Uma preocupação: achei a recomposição defensiva lenta. O limitado time do Botafogo “achou” alguns contra-ataques e partiu com liberdade nuns lances isolados. Por sorte não fomos punidos! Talvez este mal advenha da morosidade da nossa meiúca. Yuri, Henrique (ou Hudson) são mais pesadões, sentem dificuldades na tal recomposição e na própria transição, muito embora tenham aparecido bem no campo inimigo neste domingo. De repente, contra equipes mais leves, melhores tecnicamente e mais bem treinadas, as entradas de Dodi e/ou Yago sejam essenciais e indispensáveis.

Não posso encerrar o papo sem mencionar o Nenê. De novo! Dois lindos gols num clássico, sendo o primeiro uma pintura, daquelas assinadas por Dodô – por exemplo! Cinco tentos no Estadual, participação ativa na maioria dos nossos ataques desde que tornou-se titular, em 2020, vitalidade de um mirim, alegria de um pai de primeira viagem… Putz! Que ótimo eu exercer a minha humildade, galera! Desdizer conceitos tornou-se a minha mola precursora aqui no Explosão! Que bom! O mundo seria uma merda se fosse povoado somente por donos de verdades, por pitonisas, por inquisidores e por cagadores de regras!

Viva o futebol, a diversidade, a mea-culpa e, é claro, viva o Fluminense Football Club! Sem exageros, sem pretensões e sem ilusões! Contudo, comemorar as boas atuações, seguidas de boas vitórias, vinha fazendo muita falta!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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