Dura realidade!




Buenas, tricolada! Como assim? Começamos o jogo amassando o bom time do Furacão? Sim, começamos! Durante uns 10 min., só deu Flu diante do Athlético Paranaense, no Maraca, pela vigésima-sexta rodada do Brasileirão 2019.

Pois é, mas logo, logo os caras se aprumaram, equilibraram a peleja e começaram a assustar a nossa zaga. Depois de metermos um a zero, por intermédio do emocionado Frazan, a equipe do sul do país rondou a nossa área como um gavião sobrevoa um ninho de pombos.

Eles fizeram um gol, anulado, ainda na primeira etapa, no único vacilo defensivo do Gilberto no confronto – o lateral deu um espaço generoso ao ataque inimigo, pelo seu setor. Eu temia um baile do rápido e habilidoso Rony em cima do nosso lateral antes de o embate ter início, mas o atacante adversário não se criou! Ao meu ver, o Gilberto foi o melhor – ou menos pior – jogador do Flu nesse difícil duelo de quinta-feira à noite.

Da mesma forma, tivemos um gol invalidado pelo VAR neste primeiro tempo, do Jotapê… Parecia que o menino havia expurgado os seus demônios e consignado um tento após oito rodadas! Nada disso!

Ah, no meu entendimento, os dois gols foram bem impugnados pela arbitragem. As pessoas têm que entender a seguinte máxima: se existe a tecnologia, ela vai, sim, detectar os milímetros que ilegalizam quaisquer lances duvidosos. Aqueles que nem mesmo as TV’s, com as suas computações gráficas, indicam fidedignamente.

Não creio que os juízes de vídeo estejam isentos de erros – ou preferências, mas em lances milimétricos, ante os mecanismos futurísticos de que dispõem, são iminentes os seus acertos. Mais fácil “convencer” os árbitros de campo a mudar de ideias em jogadas de interpretação. E isso tem ocorrido a rodo!

Dura realidade foi ver o tal Speed, e o apelido não desmente os seus atributos, a meio minuto do final do primeiro período, tomar uma bola nas costas, depois de um lançamento da meiúca, empatar a briga. Tínhamos que passear pelo intervalo com aquela mínima vantagem, porra!

Dura realidade, mesmo, é perceber que não há mais Madres Teresas, três crianças de Fátima, Irmãs Dulces, ou “Padinhos Pades Ciços” para reverter milagres! É isso, eu me enganei! Pensei, incólume, que o Fluminense seria capaz de calar incrédulos, desmistificar verdades e chutar os colhões dos derrotistas, varrendo as perplexidades daqueles que soterravam um elenco de lutadores ainda vivo… respirando por aparelhos, mas vivo! Não! Essa merda de otimismo vai me descredenciar na presença da opinião pública – e dos amigos , mais cedo ou mais tarde!

Um a um foi lucro, naquela caminhada pros vestiários após o apito final do juizão, ao término dos primeiros quarenta e cinco minutos!

O segundo tempo apresentou o mesmo enredo – sem a nossa blitzkrieg de começo de confronto: Flu atacando eventualmente e errando saídas de bola absurdas, na nossa intermediária, o Athlético circulando pela nossa cozinha e a gente perdendo contra-ataques surreais.

Ou seja, na minha visão, o FFC retornou mais omisso para a segunda etapa.

Lá pelas tantas, o Marcão agiu da forma que todos os tricolores clamavam: Caio Henrique no meio e alguém na nossa lateral-esquerda. Não importava quem seria o escolhido… Mascarenhas, Orinho, César, Marco Antônio, Marinho Chagas, Branco, Renato Martins, Edgard, Carlinhos, Ayrton Lucas, Léo Pelé… Putz, qualquer um, mas o Caio TINHA QUE IR PRO SETOR DE CONTENÇÃO/CRIAÇÃO!

Mas perdemos a clarividência pela canhota e não melhoramos o meio-campo! Tem dia que é noite!

Caceta, e o que é o tal Orinho? Pareço dodói, porque outro dia teci alguns elogios ao malandro, e hoje estou disparando uma metralhadora giratória gratuita (galera, sou torcedor acima de tudo, então, deixem a minha bipolaridade sobreviver)! Esse cabra perdeu pro anão Mádson na cabeça, no segundo gol dos paranaenses! Como não “ódiá-lo”?

É, o Orinho encheu os nossos pacovás em somente 20 min. de atuação! E também a nossa bexiga! Pior, sem dar tempo de tirarmos água do joelho! Mijamos nas calças mesmo!

Acabou no Laranjal um certo controle de qualidade! Hoje em dia, fez sombra, correu 100m em 13 seg., beijou o escudo e mostrou uma fita editada com os melhores momentos, pronto, já pode treinar com o time de cima! E a imprensa aplaude!

Apesar de umas poucas – mas grotescas – pixotadas, a zaga tricolor se houve razoável. Entretanto, como bons seres humanos, aos olhos do descompromisso, iremos sempre detonar os fanfarrões Nino e Frazan! Eu discordo, mas…

Mesmo contrário às vaias a PH Ganso e Jotapê neste duelo ante o bem armado – e treinado – Furacão, quem deveria ser substituído era o camisa 10, e não o Nenê. O ovíparo craque tricolor fez um primeiro tempo regular, mas perdeu-se completamente na parte final da partida. Especialmente depois das críticas dos arquibaldos.  E o Nenê demonstrou visão e comprometeu-se taticamente, ainda que a pernas e os pulmões o traíssem.

O veterano camisa 77 esteve mais lúcido em campo do que anteriormente e foi mais participativo. Como eu descrevi, com outros termos, um pouco em riba, a sua saída desmantelou o nosso meio! Injusto!

E a Joia de Xerém realizou uma partida mais honesta e dedicada do que as anteriores, ainda que se ressinta de sua melhor forma técnica. Numa boa, meu povo, sem apupos ao menino, please!

Muriel bem e sem culpa de coisa alguma; Caio Henrique fez um bom jogo no apoio e foi razoável na defesa; Allan não demonstrou a virtuose que o levou à Seleção; Yony sofrível; e Wellington Nem incendiou o embate – mas carece de mais desenvoltura e tranquilidade nos lances cruciais.

Pra finalizar – e refletir, o Fluminense Football Club tem atualmente um termômetro em sua equipe diante dos adversários mais distintos, feliz ou infelizmente… O Daniel! E ele esteve muito aquém de sua capacidade. Errou tudo, atrás e na criação! O nosso time não andou dentro das quatro linhas. Sintomático!

Em suma, “evem” aí o Fla-Flu, no próximo domingo, às 18h. A chapa esquentará, mas sou mais Fluzão! Precisamos demais dos três pontos!´

Sem otimismos exagerados – e sem caça às bruxas. Sem a híper-valorização dos seus pupilos. Com as almas lavadas e devidamente curadas, os três pontos contra o Flamengo tornaram-se questão de honra – e de sobrevivência.

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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