O Tricolor decepciona no retorno após a parada, insiste em erros táticos e carece de profundidade. Lindinor Larangeira analisa o momento da equipe.
(por Lindinor Larangeira)
O primeiro jogo oficial do Fluminense após a parada da Copa do Mundo Fifa, mais do que uma decepção, trouxe algumas questões fundamentais para o restante da temporada. O empate, conquistado ao apagar das luzes, foi um ponto importante, por manter o tricolor na terceira posição, e não ser ultrapassado na tabela pelo bom time do Red Bull Bragantino, mas, sobretudo, valeu como prêmio de consolação ao único aspecto em que a equipe evoluiu: a atitude. No mais, os defeitos anteriores voltaram a irritar a torcida e aumentar os questionamentos ao trabalho de Zubeldía.
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Um primeiro tempo pavoroso. O time nada criava em termos ofensivos, se entregando à boa marcação dos visitantes, que vieram jogar atrás da linha da bola, explorando a velocidade dos rápidos Fernando e Lucas Barbosa. No segundo contra-ataque que o Massa Bruta acertou, contando com a falha dos dois laterais tricolores e do zagueiro Jemmes, em outra atuação para esquecer, Eduardo Sasha, sempre ele, abriu o placar.
Na segunda etapa, após a expulsão de Sant´Anna, o Fluminense foi para cima do time do interior paulista, e mesmo desorganizado, criou muitas oportunidades, até chegar ao empate, em cabeçada do zagueiro Ignácio, que fez boa partida.
Esquema: o primeiro problema
Ficou, novamente, nítida a ineficácia do esquema 4-3-3. Ainda mais quando o adversário adota linha de marcação baixa, dando pouco espaço ao Fluminense. Essa insistência do treinador apenas acentua um dos grandes problemas do time: a inapetência ofensiva de laterais que, quase nunca, dão opções ao ataque. A linha de fundo parece ser um campo minado, tanto para Renê, quanto para Guga. Então porque manter, além de um esquema exaurido, dois laterais que pouco agreguem ao desempenho da equipe?
Júlio Fidélis está pedindo passagem e deveria ganhar mais oportunidades. Na esquerda, Arana veio para ser titular. Se não está bem, sem querer polemizar, porque o criticado Freytes não é testado por aquele setor? Se ninguém funcionar, aí a diretoria tem que coçar o bolso e trazer alguém para chegar e jogar. Aliás, os dirigentes deveriam ter o bom senso de contratar um primeiro-volante, já que, após a venda de Bernal, a única opção de elenco é o péssimo Otávio. Martinelli e Hércules são ótimos, mais nenhum dos dois é um camisa cinco clássico.
Hulk não é centroavante e Savarino não é ponta, Zubeldía…
Outra questão que me incomoda muito é a escalação. Savarino viveu seus melhores momentos no Botafogo jogando como meia, não aberto na ponta. Hulk sempre foi um segundo atacante, que, às vezes, era escalado centralizado. Esses equívocos de escalação, além de aprofundar os problemas do esquema de jogo, deixam de potencializar dois jogadores que podem ser fundamentais no decorrer da temporada.
Ainda querem vender o artilheiro do time em 2026. Isso além de não resolver o orçamento deste ano, vai criar um enorme problema técnico, pois John Kennedy faz excelente temporada. Abrir mão dele agora, ainda mais por uma quantia menor do que a da compra de Castillo, seria um verdadeiro crime contra as pretensões do clube.
Por último, que Zubeldía tenha coragem e lucidez. E que a diretoria tenha clareza e ousadia.
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