Artigo assinado por M.V. Tostes, do grupo de oposição, afirma que as TOs perderam sua essência combativa e independente, tornando-se burocratas a serviço da diretoria de Mário Bittencourt.
Em meio ao clima de ebulição política nos bastidores do Fluminense Football Club, agravado pela eliminação na Copa do Brasil para o Vasco, o grupo de oposição Frente Ampla Tricolor divulgou, através de um artigo assinado por M.V. Tostes, uma análise contundente sobre a situação atual das Torcidas Organizadas (TOs) do clube.
Com o título “TO’S e FFC”, o texto traça um panorama histórico e sociológico para afirmar que as organizadas tricolores vivem um processo de “crise” e “decomposição”, perdendo sua função original de fiscalização e cobrança independente.
Da Luta Classista à Burocracia
M.V. Tostes resgata a história das TOs, citando figuras como Armando Giesta e Paulo Andel, para definir sua formação como organismos de “luta classista” entre torcedores e dirigentes. Segundo o autor, historicamente, as organizadas funcionavam como um “partido político extraparlamentar”, cuja essência era a independência financeira e ideológica em relação à estrutura do clube.
No entanto, o artigo aponta uma mudança radical nesse cenário. Tostes critica a “ascensão do não-futebol” no Fluminense e a fragmentação dos princípios das TOs, cujos integrantes teriam ingressado em massa no “parlamentarismo vulgar” do clube.
Cooptação e Funcionários da Ordem
A tese central da Frente Ampla Tricolor é de que as torcidas organizadas cessaram de ser um partido político independente. Para Tostes, o “espírito burocrático” tomou conta, transformando as tradições de arquibancada em “base de ingresso para futuros dirigentes se tornarem funcionários da ordem”.
O texto é duro ao afirmar que as expressões oficiais contemporâneas das TOs são representadas por ex-presidentes que hoje são “funcionários do clube”, cuja função seria “controlar ânimos e mediar as respectivas TO’s quanto a protestos”. O artigo cita nominalmente o presidente executivo Mattheus Montenegro como exemplo dessa nova dinâmica.
A publicação da Frente Ampla Tricolor adiciona um novo capítulo complexo à crise política tricolor, levantando questões sobre a relação entre a atual diretoria e as principais lideranças da arquibancada, em um momento onde a pressão por resultados e transparência atinge níveis máximos nas Laranjeiras.
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