Gil Carneiro de Mendonça de novo não!




Gil Carneiro de Mendonça rebaixou o Fluminense em 1996 (Foto: Divulgação)

A Copa não acabou, mas o Brasil caiu nas quartas. Ou seja, o assunto Brasileirão volta à tona e, aqui e acolá, falam novamente do futebol nacional. De minha parte, ainda continuo vidrado na competição mundial e torcendo pra Croácia levar o caneco; a Presidente dos caras me convenceu.

Introdução à parte, vamos ao que interessa: os rumos que o Fluminense vai tomar daqui pra frente. Provavelmente torcida tricolor nós amamos um clube com o maior número de grupos políticos da história do Brasil. É muita gente tentando mandar nas Laranjeiras e pouca com vontade de trabalhar pelo bem do time. Um assombro!

Todos, ao que parece, possuem um só objetivo, que é acabar com o Fluminense. Não vejo nenhum nome de consenso que queira dirigir o clube buscando o bem comum e a felicidade geral da arquibancada. O que se observa é uma discussão sem fim e um ego inflado de todos os que estão na atual administração e daqueles que a querem assumir.  

E a Flusócio, como não podia deixar de ser, pisou na bola mais uma vez. Agora ela se uniu ao grupo “Democracia Tricolor” para aumentar o número de Conselheiros que lhe são favoráveis e tentar, a todo custo, barrar o impeachment de Pedro Abad, cujas assinaturas necessárias para o início do processo já foram reunidas.

Chega a me dar calafrios quando lembro que a Democracia Tricolor foi o grupo responsável pela eleição de Gil Carneiro de Mendonça no ano de 1996. Apenas para lembrar, naquele ano o Fluminense fez uma campanha pífia e, após disputar as semifinais em 95, o time foi rebaixado à segunda divisão. Só não disputou a série B do ano seguinte em razão do caso Ivens Mendes, escândalo envolvendo supostamente a venda de resultados das partidas de futebol e que até hoje não foi devidamente esclarecido.

E, aproveitando essa triste lembrança, patrocinada pelo desejo da Flusócio em permanecer no poder, temos que mostrar quem foi Gil Carneiro de Mendonça para o Fluminense e como a parceria com a Democracia Tricolor pode ser perigosa para o destino do clube e da torcida – que já não anda com as esperanças nas alturas.

O ex-presidente comandou o Fluminense de janeiro a novembro de 1996. Eleito numa época em que apenas o Conselho Deliberativo votava, ele assumiu o cargo com o famoso discurso de que o futebol não era prioridade em sua gestão. É isso mesmo galera: um clube que tem Football no nome, de repente, não mais se interessa pelo esporte bretão.

E com ele veio, como dito, o primeiro rebaixamento do time e, a partir dessa queda, a que se seguiu em 97. Ele próprio renunciou ao cargo quando percebeu que não tinha mais o apoio do Conselho Deliberativo. Mas não voltou atrás nas suas palavras que significaram a ruína tricolor em tão pouco tempo.

Essa famosa frase de Mendonça, dizendo que o futebol não era a prioridade, aumentou a distância que existia entre a arquibancada e o setor social do clube. Na verdade, até hoje parece que há dois “Fluminenses”, quais sejam, aquele formado pelos torcedores que acompanham o time e outro, mais aristocrata, formado pelos sócios que frequentam a sede do clube.

Como ilustrado pela reportagem do Explosão Tricolor de ontem, Gil Carneiro de Mendonça sequer era conhecido pelos jogadores do time. Inclusive, em uma entrevista dos jornais da época, o então volante Vampeta pergunta se ele seria “um fantasma”, já que nunca o tinha visto por aquelas bandas.

Ícone daquela que é considerada a pior gestão da história do clube, Carneiro de Mendonça pelo menos deixou uma lição para Pedro Abad, que é a renúncia. Isso mesmo Senhor Presidente, quando a coisa não está boa e a sua presença não conta com o apoio da massa, a renúncia é uma saída honrosa para quem ama o clube. Até o Presidente que deixou o futebol de lado teve essa coragem; a torcida espera o mesmo de você.

Se bem que a renúncia, neste momento, vai levar o time a ser comandado pelo atual Presidente do Conselho Deliberativo, cuja eleição foi repleta de polêmicas e, ao que parece, também não briga pelos interesses do clube como se espera de alguém que comanda um órgão interno que deveria ser independente. Mas, já será uma movimentação diante do quadro que hoje vivenciamos.

No final das contas, o de melhor que pode acontecer é o impeachment de Pedro Abad e a saída da Flusócio do poder. Isso pelo menos forçará uma nova eleição em que os sócios poderão votar e eleger um novo mandatário para o triênio seguinte. E o voto, espera-se, será em algum candidato que não se envolve nessa nefasta política que comanda o clube há anos.

Deus salve o Fluminense! Não aquele pequeno que é frequentado pelos usuários de piscina, sauna e quadras de tênis. Mas aquele grande, maior Tricolor do país, que move multidões e faz o coração bater mais forte cada vez que entra em campo.

O Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



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