Heróis ou vilões anônimos? Ainda é cedo!




Foto: Lucas Merçon / Fluminense FC

O espaço Explode Torcedor foi criado pelo Explosão Tricolor para que os nossos leitores possam expressar os seus mais variados sentimentos em relação ao Fluminense. Hoje, o nosso amigo Ricardo Timon resolveu comentar sobre o  elenco do Fluminense.

Buenas, tricolada!

É cedo! Muito cedo para uma radiografia fiel do que está por vir neste Brasileirão 2018! São apenas quatro rodadas, é tudo muito embrionário ainda. O nosso maior campeonato via de regra apresenta inúmeras vertentes e surpresas, variáveis distintas, muitos protagonistas são pinçados de “buracos negros e ocos”, revelam-se heróis, vilões, joias brutas, elegem-se craques e perebas improváveis, e por tudo isso e mais um pouco ele representa o torneio mais difícil e imprevisível do certame mundial. Num planeta bola quase sempre roteirizado e com scripts recorrentes (não em suas construções, mas em seus epílogos), que apontam os Madrids, Barças e Bayerns como os tiranos, os dominantes econômicos travestidos de personagens que salvam o Universo do Futebol de uma invasão de perversos alienígenas, apontar dedos e dar uma de pitonisa (na Grécia antiga, sacerdotisa do deus Apolo; na Antiguidade, mulher que possuía o dom da profecia) ou Zora Yonara (vidente e cartomante que fez carreira nas rádios cariocas) no nosso campeonato nacional significa um desconhecimento de causa astronômico. Além disso, o futebol é pródigo em desmistificar os adivinhões, os matemáticos, as estatísticas e a numerologia em geral… O nosso Fluzão, apenas como exemplo, já deu mostras a respeito, no Brasileiro de 2009!

Da mesmíssima forma, essas fases primárias dos torneios Sul-Americanos também não demonstram tendências. Normalmente, as camisas mais pesadas, as histórias e tradições tendem a favor dos brasileiros, argentinos, e uns poucos uruguaios e colombianos, mas tudo é especulativo, nada é definitivo. E mais: as equipes ainda buscam um equilíbrio melhor, e o andamento dos confrontos determinará os verdadeiros candidatos ao trono da Liberta e da Sula! Apenas como referência, o futebol, assim como a vida, estabelece parâmetros para que determinados objetivos sejam alcançados. Um destes parâmetros remete-nos ao substantivo confiança… Oras, então, de acordo com a sequência de partidas, com os triunfos acumulados, a repetição dos trabalhos desenvolvidos por cada Comissão Técnica e com a referida confiança, um elenco mediano e desconhecido, mesmo de menor ressonância e expressão no meio esportivo, pode avançar nos mata-matas e surpreender o mundo da bola, tal qual o equatoriano Independiente del Valle no maior torneio das Américas, há 2 anos; e a inacreditável LDU, também equatoriana, em 2008, naquela triste final desta mesma Libertadores contra a gente!

O Fluminense Football Club, para surpresa generalizada, começou a atual temporada com menores expectativas do que as de anos anteriores. Atitudes tresloucadas de nossa tresloucada diretoria enfraqueceram ainda mais um elenco já combalido e limitado, contudo, para alegria de boa parte da tricolada, temos observado um Flu diferente, ávido por vitórias, competidor, brigador, honrando uma armadura de mais de 115 anos de glórias e conquistas, enfim, há jogadores neste atual elenco, grande parte deles, que recusam-se a entregar o pepino, ignoram as possibilidades de derrotas, mesmo sabendo que elas são iminentes – jamais existirão os imbatíveis. Resta-nos torcer para que as contusões não nos acometam em profusão, como em 2017, e pela manutenção desta boa fase, no decorrer da temporada.

Sem as suas invencionices, recorrentes no último ano e no começo deste 2018, o Abelão encontrou uma boa fórmula para atuarmos de igual para igual contra quaisquer adversários – desde que não proponhamos o jogo. O nosso esquema prevê uma posse de bola mínima e não necessária aos nossos propósitos, e uma enorme velocidade na retomada desta posse e na saída em contra-ataques. E, claro, assim como em toda a galáxia, aproveitando-nos, também, das perigosas jogadas aéreas.

Eu costumava opinar entre camaradas que o meu sistema tático predileto sempre foi o 4-4-2, entretanto, aprendi com os anos de janela que sistema bom é aquele que funciona, que traz resultados (ou faz uma equipe produzir no campo de jogo). E o 3-5-2 do Abel Braga reconstruiu aquele Fluminense apático e sem perspectivas de 2017, ante às mazelas de gestão que acumulamos desde sempre, e o transformou em competidor nato… Era o mínimo que os torcedores exigiam, caramba! Vi grandes equipes de futebol, maravilhosos esquemas montados por gênios à beira dos gramados, como Helmut Schon, da Alemanha Ocidental da Copa de 1974, e Rinus Michels, da Holanda, do Carrossel, nesta mesmíssima Copa, mas um dos “futebóis” que mais me encantaram foi o de uma certa Dinamarca, no Mundial de 1986, montada pelo mago Sepp Pionteck. A estratégia? Um 3-5-2 pioneiro diante dos olhos de um planeta bola atônito! Não conquistaram a tal Copa do Mundo, mas encantaram os críticos – ao menos a mim.

Não enxergo no futebol tupiniquim equipes e elencos tão superiores aos nossos, excetuando-se Molambos, Porco, Galo e Cruzeiro. O Grêmio conta com o bom entrosamento – de mais de um ano e meio – das peças principais de seu grupo, e com a continuidade do ótimo trabalho do Portaluppi… mas não devemos nos esquecer do seguinte: a maioria de seus atletas foram recentemente renegados em outros clubes. Quem diria que Léo Moura (aos 40 anos), Edílson (dispensado pelo Bota há algumas temporadas, sendo que até já saiu da equipe gaúcha e foi pro Cruzeiro, neste 2018), Cortêz, Bressan, Douglas, Fernandinho, e os desconhecidos Kanemman e Ramiro, poderiam dar cald] e tornarem-se importantes e vitoriosos em um time de futebol? Pois é, eles encorparam o time sulista e ajudaram os caras a papar tudo nos dois últimos anos! Vissicitudes do planeta bola, amigos, e é por estas e outras razões que não devemos fechar questões quanto a jogadores, montagem de times e trabalhos de treinadores… o velho e violento esporte de origem bretã volta e meia nos prega peças! Os Gambás paulistanos, últimos campeões nacionais, começaram a jornada de 2017 como improváveis vencedores, eram um dos azarões do páreo. Não por mero acaso, eles basearam o seu futebol eficiente no bom entrosamento, no vigor físico e no feeling tático de um desconhecido (até então) Fábio Carille. Diante disso, alguém duvida que eles possam repetir a dose e abiscoitar o bi-nacional em 2018? Eu não! Prosseguindo, os demais elencos têm os mesmos pontos cegos, as mesmas dificuldades e também virtudes similares às do Flu, portanto, não creio ser impossível beliscarmos uma pré-Liberta (ou mesmo figurar entre os primeiros do Brasileirão). Trocando em miúdos, nada me surpreenderá: uma luta inglória do Fluminense contra o Z-4, ou uma briga ponto a ponto pelo G-4… Esta será a tônica, a sina da maioria dos clubes com elencos medianos, mas bem azeitados, deste Brasileirão!

O nosso grupo de jogadores tem limitações? Sim, óbvio, mas Bota, Vasco, Chape, Bahia, Inter, São Paulo, Santos, Furacão e vários outros também as têm… Ah, apenas para não passar em branco, para um melhor equilíbrio deste elenco e para reforçarmos as nossas boas expectativas, urgem as chegadas de mais dois meias, de fato, um centro-avante, para fazer sombra ao bom Pedro Guilherme, o nosso queixada, e um outro atleta de ataque, que atue em velocidade pelo lado direito do campo!

Nesta Copa Sul-Americana de 2018, tricolada, vejo boas as possibilidades de um bom papel (estou redigindo o presente texto antes do segundo jogo contra o Nacional Potosi, lá no alto do morro boliviano, e não tenho a mínima ideia de como nos sairemos). Título? Não sei, quem duvidaria, mas o poder de competição, não canso de repetir, foi reintroduzido nas almas de nossos guerreiros… Já é um alento! A incógnita permanece, pois não dá para cravar se assistiremos ao Flu dos confrontos contra o Avaí, pela Copa do Brasil deste ano, e/ou ao Abelão perdido, inventor de Maranhão, Romarinho e Marlon Freitas em competições distintas, mas, ratificando, as esperanças se renovaram nestes primeiro semestre. Diante de todas estas prerrogativas é que saberemos sobre as nossas reais condições de triunfo no segundo maior torneio do continente!

Em suma, o Flu de hoje resume-se em superação. Se todos atuarem nos seus limites, com vem ocorrendo, muito provavelmente as nossas chances de regozijos crescerão de maneira considerável, outrossim, qualquer cochilo, a mínima desconcentração ou uma indesejável acomodação farão com que rolemos ladeira a baixo, sem freios!

De qualquer forma, o meu eterno otimismo permite-me cantar em verso e prosa: alvíssaras, a mística do TIME GUERREIROS revestiu Álvaro Chaves novamente! A propósito, esta minha modesta opinião não deve induzir aos apaixonados pelas três cores a confusão entre os termos esperanças e convicções! Inegociável certeza, apenas e somente a morte!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon



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