Kinder Ovo




Foto: Mailson Santana/ FFC


Buenas, tricolada! Roubando a ideia do meu amigo PC, o futebol do Fluminense hoje em dia lembra mais aquele ovo de chocolate, que traz uma surpresa inimaginável dentro da embalagem. Isso aí, me refiro ao Kinder Ovo mesmo! Pois é, há momentos em que “humilhamos” os mais fortes, e outros em que cedemos gentilmente os resultados aos mais frágeis.
O que esperar do Fluzão? Atuações como aquelas em que nos orgulhamos de sermos tricolores ou as outras, quando sentimos vontade de quebrar a TV? Pior de tudo é que já são onze rodadas, e somente duas vitórias.
Flu e São Paulo fizeram no Maraca, neste sábado, um jogo pegado, de muita marcação e de pouquíssima criatividade. Mas os paulistas foram melhores, ajudados pelo Tricolor Carioca, que fez um péssimo jogo. Nos dois tempos. Entretanto, no segundo período conseguimos ser ainda mais inofensivos. Que sanha!
Que culpa poderíamos imputar ao Fernando Diniz se o Pedro, no primeiro tempo, desperdiçou uma chance cristalina de gol, batendo, sem goleiro, de tornozelo, pra fora?
Que responsabilidade teria o nosso treinador se o Daronco parava o jogo a toda hora? Que juizinho picotador de lances! Acho que os títulos de melhor árbitro em dois anos consecutivos fizeram muito mal ao gaúcho. Eu me irritei sobremaneira no decorrer da peleja com suas decisões.
Contudo, poderíamos apontar dedos ao treinador tricolor quando há demora nas suas mexidas. Quando há insistência com peças que não rendem. Quando faltam poucos minutos para o término do primeiro tempo ou do próprio jogo e a ausência de objetividade e dinâmica no nosso ataque impera. Enfim, um somatório de contratempos têm impedido o Time de Guerreiros de vencer batalhas. Estou fechado com o Diniz, mas temo pelo seu futuro nas Laranjeiras – e pelo nosso futuro na temporada, caso ele seja demitido!
No FFC deste confronto somente salvaram-se, nessa ordem, o Yony, o PH Ganso, o Yuri e um tantinho do Nino. Isso mesmo, o Yuri, improvisado de zagueiro, teve uma performance muito boa. Mesmo cometendo algumas faltas desnecessárias próximas à nossa cozinha. Talvez por afobação. Os demais inexistiram.
Vou confessar: tenho dado crédito ao Gilberto. Venho acreditando na sua redenção. Vislumbrei uma melhora considerável nas suas atuações depois da Copa América. Mas o cara voltou pior da intertemporada. Numa boa, minha paciência chegou ao fim. Que o Diniz meta o Calegari, o Julião, o sub-13, o fraldinha, mas o nosso camisa 2 titular tem que pagar pulinho de galo e flexão por uns três meses! Depois disso, quem sabe ele não possa ser escalado novamente.
Mais uma vez vou utilizar a fala de um parceiro… Meu irmão, Sérgio, acertou na mosca quando fez referências ao Caio Henrique. Cadê a homogeneidade de seus desempenhos? É um jogo bom e dois ruins; dois ótimos e um mais ou menos; três sofríveis e um razoável; quatro de craque e dois de pereba… Porra, eu sei que ele está fora de sua posição, mas já deu tempo de se adaptar. Tanto assim que se destacou em diversas oportunidades ali na lateral.
Allan também não repetiu as suas melhores exibições, mas o moleque tem muito crédito, assim como o Daniel. O camisa 20 lembrou demais o Zinho na Copa do Mundo de 1994. Ou seja, parecia um lustrador de piso estreando a sua enceradeira zero bala!
Marcos Paulo merecia aquele gol – no totozinho genial sobre o Volpi, que bateu no pé da trave e resultou no nosso único tento do confronto contra os paulistas, consignado pelo gringo! O menino está merecendo, ainda que não tenha sido o virtuoso da sua época de sub-17.
Deixei dois temas polêmicos para o epílogo da coluna. O primeiro, sobre os goleiros do Flu. Caceta, entra Rodolfo, sai Rodolfo; entra Agenor, sai Agenor; escala-se Muriel, renovam-se as nossas esperanças. Mas SEMPRE os malandros entregam a rapadura! Eu mesmo cobrei aqui no Explosão a entrada do Rodolfo no lugar do Júlio César, ano passado, assim como pedi a sua saída e a efetivação do gorducho, logo após. Agora, ante a chegada do irmão mais velho do goleiro titular da Seleção Canarinho, igualmente exigi a sua titularidade! Estrepei-me! Que peruzaço do Muriel, PQP! Isto é, se juntarmos a nossa goleirada toda, não temos um mísero camisa 1 confiável! Não me peçam resignação diante da falha do nosso novo titular do gol! Cansei de sofrer por causa dos seus antecessores! Que pague o justo pelo pecador!
A segunda matéria refere-se ao VAR! Que coisa escrota! Acabaram com o futebol, e aqui em terras tupiniquins o uso da tecnologia é ainda mais sacana do que em outros países. Vou ratificar: criaram monstros para que árbitros excomunguem os seus demônios. Desde já, os juizinhos, de cima e de baixo, alimentam as suas preferências e os seus ódios. E o Flu via de regra é vítima do ódio!
O lance do pênalti do Allan é discutível, pode ser até interpretativo, mas na dúvida os caras detonam o Fluminense. Caramba, o nosso volante chegou na jogada como último homem, na corrida, estava de costas etc etc etc. Desafio qualquer ser vivo a saltar com os braços colados ao seu corpo e manter o equilíbrio! O movimento do Allan foi absolutamente natural, ele não aumentou a sua área de contato, porque estava girando no ar, na minha modestíssima concepção.
Pra piorar, imediatamente lembrei-me do embate contra o Bahia, na Fonte Nova. Inventaram um pênalti do Gilberto muito similar a este marcado a favor do São Paulo, houve a cobrança, o nosso arqueiro defendeu, e o VAR recomendou que a penalidade fosse repetida. Reparem bem no segundo gol dos paulistanos, aos 50 min. da segunda etapa… Aconteceu uma invasão claríssima de um dos atacantes do adversário! Dois pesos e duas medidas?
Em suma, temos que computar mais uma derrota no Brasileirão. Seguramente, este resultado negativo, 2X1 contra, afastará parte do público no duelo de volta contra o Peñarol, na terça-feira. OK, OK! Mesmo assim, creio que veremos umas 35 mil cabeças no Maraca, na batalha que pode sacramentar a nossa passagem para as quartas-de-final da Copa Sul-Americana! Vamos tentar esquecer mais esse revés no campeonato local e lotar o maior do mundo contra os uruguaios. Difícil abstração, mas não impossível!
Vida que segue!
Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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