O “trâmite urgente”: Como funcionava o esquema de facilitação
Por Redação Explosão Tricolor
O futebol sul-americano foi abalado por um escândalo de grandes proporções revelado nesta [Dia da Semana]. Uma investigação detalhada do portal UOL, com quase dois anos de apuração, expôs um esquema de venda de supostas licenças de treinador da Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA). O principal articulador seria Alejandro Mancuso, ex-volante com passagens marcantes por Flamengo e Palmeiras, e ex-auxiliar de Maradona na Seleção Argentina.
Segundo a denúncia, Mancuso oferecia a obtenção das licenças PRO, A, B e C — que exigem uma formação regular de três anos — em um prazo recorde de até 10 dias. O custo pelo “atalho” era de R$ 100 mil.
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Sendo assim, o UOL teve acesso a áudios e mensagens onde Mancuso se apresentava como “diretor internacional da ATFA” e garantia a facilidade para ex-jogadores. “Fechei com o nosso presidente da federação para que todas essas feras que jogaram futebol tenham um jeito para não fazer esse curso online. Pronto e acabou”, dizia ele em um dos registros.
Além disso, Mancuso orientava os compradores sobre a narrativa oficial que deveriam adotar, já que não fariam provas: “Na federação fica que você fez 3 anos de curso online. 2021, 2022, 2023. É isso aí que você tem que falar para todo mundo.”
Estrelas envolvidas: Quem comprou e o que dizem os jogadores
A lista de clientes citados na investigação é extensa e recheada de nomes de peso, muitos com passagens pela Seleção Brasileira e grandes clubes do mundo. Entre os mencionados estão Thiago Silva, Luiz Gustavo, Lugano, Paolo Guerrero, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Petkovic e Paulinho.
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As reações dos atletas variam entre a admissão do erro e a alegação de terem sido enganados.
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Felipe Melo: O volante do Fluminense desconfiou da demora para o início das aulas presenciais e conseguiu recuperar o dinheiro. “Pensei: ‘Isso aqui tá errado’. A primeira coisa que eu faço é tirar das minhas redes sociais, porque eu estava exibindo que eu era um associado da ATFA. E aí peço o meu dinheiro de volta”, declarou.
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Alex de Souza: O ex-meia, que já possui as licenças da CBF Academy, assumiu o erro. “Foi um erro, que acredito que tenha sido o erro da maioria, e eu assumo. Era para comprar facilidade, mas eu nunca usei.”
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Thiago Silva: O zagueiro confirmou o pagamento por cursos que não foram ministrados como prometido. Recebeu os certificados no fim de 2023, mas afirmou que nunca os utilizou.
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Roberto Carlos e Lugano: Ambos confirmaram o recebimento da documentação (diplomas e carteirinhas), mas disseram que não os utilizaram porque não completaram o curso ou a parte presencial.
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Petkovic: O sérvio admitiu ter tratado com Mancuso, mas afirmou que a licença argentina está suspensa porque ele não conseguiu cumprir a parte presencial.
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Paulinho: O volante afirmou que “em nenhum momento parecia ser algo ilegal ou falso”.
ATFA nega vínculo com Mancuso e classifica documentos como falsos
O ponto central que desmonta a operação é a posição oficial da ATFA. A entidade máxima dos treinadores argentinos negou qualquer vínculo com Alejandro Mancuso e classificou os documentos emitidos como falsos.
Entre as irregularidades apontadas pela ATFA estão:
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Cópias autenticadas que não provam a autenticidade do conteúdo.
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QR Codes que não levam à página de verificação da ATFA.
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Licenças datadas de 2023 assinadas por Victorio Cocco, que foi afastado da entidade em 2020.
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Erros em nomes, informações e datas retroativas.
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Ausência da validação obrigatória (“Anexo 9”) com a CBF.
Mancuso nega as acusações
Em sua defesa, afirmou que apenas repassava o contato da federação. “Eu nunca fui da ATFA, sou apenas um comentarista de rádio não estou na federação, não sou parte da federação. Eu só facilito, se eles me perguntam do jeito que tem que fazer”, declarou, negando também a oferta dos diplomas por US$ 20 mil.
A ATFA informou que o caso foi investigado pela Justiça argentina em 2025, mas o processo foi arquivado em dezembro por inexistência de crime, após uma busca na sede da entidade não encontrar documentos que comprovassem a emissão das licenças irregulares. A associação reiterou que Mancuso não possui autorização para representá-la.
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