Em artigo contundente, Lindinor Larangeira rasga o verbo após o momento ruim do time, aponta erros da gestão e cobra a demissão imediata de Luis Zubeldía.
(Por Lindinor Larangeira)
Todo ciclo tem um começo, um meio e um fim. O de Luis Zubeldía no Fluminense Football Club já chegou ao seu ponto final. O que falta agora não é uma nova oportunidade para o treinador, mas sim que a diretoria tenha coragem e lucidez para reconhecer o óbvio.
Depois de mais uma atuação constrangedora no Campeonato Brasileiro, ficou impossível sustentar qualquer discurso baseado em paciência ou continuidade. A longa intertemporada, que deveria servir para corrigir defeitos e reorganizar a equipe, produziu exatamente o contrário: um Fluminense ainda mais desorganizado, sem identidade, sem repertório ofensivo e sem qualquer sinal de evolução.
As exibições diante de Red Bull Bragantino e Grêmio foram assustadoras. Um futebol pobre, burocrático e sem alma. Um time que parece caminhar em direção oposta às suas tradições. O Fluminense não estagnou; involuiu. Hoje, em muitos momentos, apresenta desempenho compatível com equipes que brigam para fugir do rebaixamento.
A pergunta que ecoa entre os tricolores é simples: o que a diretoria está esperando? A eliminação nas Copas? A queda livre na tabela? O sonho de uma temporada vencedora ser reduzido à luta por uma vaga na Sul-Americana?
O campo reflete a diretoria
O Fluminense que entra em campo é o retrato fiel de quem o administra. A desorganização, a falta de planejamento, a ausência de cobrança e a acomodação institucional se transformaram em marca registrada da atual gestão.
Sob o comando de Mattheus, Tenório, Mário e Angioni, o profissionalismo parece ter sido substituído por relações de conveniência. Erra-se nas contratações, erra-se nas vendas e erra-se na gestão dos recursos. Quando alguém alerta para a quantidade de dinheiro desperdiçada, a resposta é irritação. O problema é que os números falam por si.
Mais de R$ 150 milhões foram consumidos em apostas como Terans, Lezcano, Santi Moreno, Soteldo e Castillo. Hoje, apenas os dois últimos permanecem no elenco — e sem qualquer protagonismo. Um investimento gigantesco que não produziu retorno esportivo nem financeiro.
Enquanto isso, Xerém, patrimônio histórico e estratégico do clube, perde espaço e relevância. Jovens promissores seguem sem oportunidades consistentes e acabam negociados antes mesmo de amadurecerem no profissional. Em compensação, jogadores em reta final de carreira recebem renovações longas sem maiores questionamentos.
É inevitável perguntar: qual será o destino de Júlio Fidélis? Será mais um talento desperdiçado, seguindo o mesmo caminho de tantos outros que deixaram o clube sem sequer terem recebido uma chance real?
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O tempo de Luis Zubeldía no Fluminense acabou
O erro da diretoria aconteceu quando decidiu manter Zubeldía após a vexatória campanha na fase de grupos da CONMEBOL Libertadores. Ali já havia sinais claros de esgotamento. Preferiram ignorá-los.
Mas ainda há tempo para corrigir o rumo antes que a temporada seja definitivamente comprometida. O Fluminense precisa de um treinador capaz de devolver organização, confiança e competitividade ao elenco. Hoje, a comissão técnica atual não demonstra possuir nenhuma dessas respostas.
Manter Zubeldía significa abrir mão da ambição. Significa aceitar a mediocridade. Significa assistir passivamente ao time afundar enquanto se repete o discurso de que “há trabalho sendo feito”.
A verdadeira questão é outra: será que os dirigentes das Laranjeiras ainda não perceberam esse óbvio ululante? Ou perceberam e simplesmente não têm coragem de agir?
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