Reconheçam que são incapazes!




Foto: Divulgação

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Reconheçam que são incapazes!

Tomei coragem e levei meu filho de três anos no Fla x Flu. A violência está a todo vapor, segurança pública zero, mas queria que o moleque sentisse o gosto do maior clássico do país no estádio. E o que ele viu? Um massacre do Flamengo e o grito deles ecoando no setor sul do Maracanã.

Sim galera, é difícil esquecer a derrota de sábado. O time estava cabisbaixo e foi completamente dominado pelo rival. Juro que não vi falta de vontade na turma; vi falta de capacidade mesmo. Como disse na última coluna, como torcedor acredito até o último instante que iremos ganhar; mas na real sabemos que o time não pode ir muito além da pontuação e das disputas que tem hoje.

E na mesma linha do Vinicius Toledo gostaria aqui de manifestar o meu apoio aos atletas que entraram em campo. Acredito até mesmo que não são ruins como o jogo os fez parecer. Eles correram e se dedicaram, mas faltam jogadores com capacidade de fazer diferença, e isso depende da diretoria.

Mas o que a diretoria poderia fazer para melhorar o cenário dentro das quatro linhas? Várias propostas podem ser elencadas, desde a modificação integral do departamento de marketing à priorização do futebol, já que hoje ele parece ser artigo dispensável atualmente. Mas tudo isso passa necessariamente pela transparência que se esperar de um clube como o Fluminense e da humildade da diretoria em reconhecer que não tem capacidade de gerir o maior Tricolor do país.

Não é segredo pra ninguém que desde o ano passado temos cobrado de Pedro Abad e sua trupe maior transparência no trato com as coisas do Fluminense. E assim o faço respaldado na Lei do PROFUT, que determina a devida prestação de contas ao torcedor e aos sócios, sob pena de, em última análise, ocorrer o impeachment do mandatário.  

Além do respaldo legal, a transparência também carrega consigo uma atitude que é fundamental para o crescimento de qualquer empreendimento popular, como é um clube de futebol: traz o apoio dos aficionados e sempre surgem ideias novas e boas propostas de mudar a cara da gestão.

E isso ocorre porque, quando o torcedor se sente prestigiado e envolvido nos problemas que afetam o seu clube do coração, tende a dar sugestões, palpites e a fazer considerações que, se bem trabalhadas, podem trazer bons frutos. Isso acontece no cotidiano de todos nós e com certeza aconteceria no Fluminense também.

Em um clube endividado como o nosso, um dos melhores meios de administrar é abrir a gestão para novas ideias e buscar o envolvimento do torcedor com a sua maior paixão esportiva. Por certo, quando a torcida se sente parte de um projeto, tende a colaborar de todas as formas para o seu sucesso. Manter-se isolado do povo é o meio mais rápido de levar um clube de massa à falência.

E aqui entra a falta de humildade da diretoria tricolor. Enquanto eles não abrirem as contas do Fluminense, rasgarem o verbo e mostrarem a real para a galera, jamais terão legitimidade para implementar as ações que possam salvar o clube. Como Pedro Abad pode pedir ao torcedor que se associe sem que ele saiba onde o dinheiro será investido? Ninguém quer pagar o excesso de pessoas físicas travestidas de empresas para nos retirar o pouco que ainda nos resta.

Um bom gestor transforma paixão em negócio e negócio em dinheiro. Canaliza a paixão e cria um círculo vicioso de vitória: a torcida gera renda para o time e, em troca, recebe títulos, alegrias e crença de sucesso agora e no futuro. Faço uma pergunta: qual empresa não lutaria para fidelizar cinco milhões de apaixonados? Por mais incrível que possa parecer, o Fluminense não se importa com isso.

E agindo assim a diretoria afasta o torcedor da arquibancada, anula a paixão que os movem e impede que novos tricolores se apaixonem pelas três cores que traduzem tradição. Ou será que alguma criança vai desenvolver empatia por um clube que não monta um elenco apto a disputar grandes títulos? Com certeza não.

Por diversas vezes escrevemos neste espaço as falhas na gestão e propusemos soluções para aprimorar a relação com a arquibancada. Mas a diretoria nunca se interessou por nada e se enclausurou na sede de Álvaro Chaves, ensimesmada na retórica de que possuem a fórmula mágica para aliviar as contas tricolores. E nesses sete anos de Flusócio já ficou claro que isso não é verdade.

E nessa toada de não assumirem a falta de capacidade de gerir o clube, continuarei mostrando para o meu filho os vídeos do passado para tentar transmitir o amor ao clube que hoje foi apequenado pela turma que senta nas cadeiras burocráticas das Laranjeiras. Tarefa difícil, mas não vou desistir.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura

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