Remédio amargo é que cura




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

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Remédio amargo é que cura

Como fazer uma análise fria do atual cenário tricolor? Confesso que ontem e hoje fiquei me debatendo com a possibilidade de tentar escrever algo sobre o clube livre da vontade de xingar a turma da Flusócio. Por certo não vou conseguir, mas aqui vai minha opinião sobre a atual situação.

Se o remédio amargo é o que cura, vencer o Atlético Paranaense na quarta-feira e obter a classificação é o que de pior pode acontecer. Não conseguirei torcer contra, mas analisando sob a ótica estritamente racional, caso o Fluminense dispute a final da Copa Sul-Americana os jogadores de vídeo game da Flusócio dirão que estão no caminho certo.

É sério! Qualquer ponta de sucesso ou mera expectativa de que ele aconteça já leva um enxame de “flusócios” para as redes sociais dizer que a gestão é boa e que os resultados estão aparecendo. É inacreditável como eles conseguem mudar os fatos para se colocarem como vítimas de um “incompreendido” projeto “que deu certo” – pelo menos na cabeça deles.

É óbvio que ninguém vai pro estádio ou pra frente da TV torcer pros caras do Paraná. Mas o fato é que uma eliminação neste momento pode ser importante para o futuro do Fluminense. O pedido de impeachment de Pedro Abad, por exemplo, apesar de improvável, pode ganhar força com a derrota para o Atlético/PR; classificando, a possibilidade de passar é zero.

Essa análise não significa que não quero títulos ou que desejo o mal do time. Ao contrário, representa o desejo de um tricolor que acredita que “para arrumar, tem que bagunçar”. E jamais haverá boa gestão enquanto a Flusócio estiver no poder.

Não vou além e escrever que o rebaixamento poderia ser importante neste processo de desconstrução da Flusócio e salvação do Fluminense. Mas se formos buscar na história vamos ver que alguns clubes saíram da Série B direto para as primeiras colocações do Brasileirão exatamente porque o remédio amargo lhes obrigou a implementar mudanças verdadeiras.

Exemplifico com Palmeiras e Corinthians. O atual campeão brasileiro disputou a segunda divisão em 2013, sagrando-se campeão. De lá pra cá ganhou os Brasileiros de 2016 e 2018 e a Copa do Brasil de 2015, além de figurar na Libertadores praticamente todo ano. Aumentou o número de sócio-torcedores, construiu um estádio, tem um patrocinador forte (Crefisa) e lucro em suas partidas, com a torcida praticamente lotando todos os jogos do time.

Na mesma linha o Corinthians. Vencedor da Série B de 2008, o time ganhou tudo desde então: um Mundial, uma Libertadores, uma Recopa Sul-Americana, três Brasileiros, duas Copas do Brasil e três Estaduais. Não vou incluir como conquista o estádio próprio porque ele pode estar envolvido no grande esquema de corrupção identificado pela Operação Lava Jato. De todo modo, os títulos comprovam que algo mudou no clube desde então. E pra melhor!

Sei que há outros exemplos que não deram certo país afora, como o Vasco e o próprio Tricolor das Laranjeiras, mas sei também que o fracasso, por vezes, é o único medicamento capaz de unir as pessoas em torno de um projeto maior que qualquer benefício individual. E hoje o Fluminense deve ser este projeto.

Sendo absolutamente sincero, o meu lado torcedor, com toda paixão que é peculiar, quer que o Fluminense acabe com Atlético/PR na quarta e conquiste a vaga na final. O meu lado razão percebe que nada mudará se tivermos lampejos de sucesso.

Apesar disso, confesso que é cada vez mais difícil enxergar uma luz no fim do túnel. Além da diretoria, que é apática, sem vontade, incapaz de administrar e incompetente para se comunicar com a torcida, o Conselho Deliberativo é conivente com todos esses desmandos e não adota uma postura de verdadeiros defensores das coisas do clube.

Se a presidência demora a prestar contas, não tem problema; se assina contrato desvantajoso com o Maracanã, tá tudo certo; se fica no prejuízo no caso Diego Souza, não se importa; se Scarpa sai praticamente de graça para o Palmeiras, tá tranquilo; se faz barca de fim de ano e as dívidas trabalhistas aparecem depois, nem liga; enfim, pode desabar o mundo que os conselheiros continuam achando que não é com eles.

O recado é: saiam do Fluminense! Se o pai, avô ou bisavô são fundadores dele, pouco importa. Saiam do Fluminense! Não tem espaço para a podridão aristocrata que senta no ar-condicionado das Laranjeiras ou frequenta as piscinas de Álvaro Chaves. Conselheiro tem que lutar pelo clube; não quer fazer isso ou tem medo de se indispor, caiam fora! Precisamos de gente que quer fazer algo de bom e não tem rabo preso com ninguém.

Quanto ao time, pra mim Marcelo Oliveira e os jogadores são os menos culpados. O técnico não tem elenco à disposição e os atletas são tecnicamente limitados, sendo que entraram em campo contra o Ceará com cinco meses de direito de imagem em atraso. Isso mesmo, cinco meses. Não há luta que resista a isso.

Além do mais, eles ainda convivem com funcionários que não recebem salários e com a incerteza de onde jogarão a partida decisiva contra o América/MG no domingo, já que a diretoria, ao que tudo indica, não vai conseguir se impor sobre o Flamengo e levar o jogo para o Maracanã. O que não chega a surpreender, até porque a Flusócio não compreende a grandeza do clube que administra.

Que o meu lado paixão fale mais alto na quarta; mas se a razão entrar em campo, que ela seja determinante para a reviravolta que é fundamental para a sobrevivência e o futuro do clube.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura

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