Sem três volantes, por favor!




Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.



Sem três volantes, por favor!

Após uma goleada, o ambiente certamente está tranquilo pelos lados das Laranjeiras. Evanilson foi bem, Marcos Paulo foi destaque e a dupla Hudson-Yago está pedindo espaço no time titular. Aparentemente, porém, a grande discussão do momento é sobre Odair Hellman e seus números à frente da equipe. Eles são suficientes para dar credibilidade ao trabalho do treinador?

Em primeiro lugar, os números não podem ser desconsiderados. Até aqui são sete vitórias em 11 jogos, com dois empates e duas derrotas. Se converter em três pontos – o que se faz apenas para comparação, já que nas Copas os jogos não tem pontuação – o Fluminense atingiu 23 pontos em 33 possíveis. Um percentual de 69,69%, o que o coloca em quarto lugar na temporada entre os clubes da Série A do país. 

Esse aproveitamento não pode ser desconsiderado. O argumento de que ganhou de time fraco não se justifica porque os demais clubes da primeira divisão do país também pegaram equipes muito fracas. Pra ficar só no Rio, basta lembrar que Botafogo e Vasco enfrentam os mesmos clubes que o Fluminense.

Com a goleada sobre o Madureira, o Tricolor atingiu a marca de 24 gols na temporada, tendo sofrido apenas nove. Saldo positivo de 15. A título de comparação, o Flamengo marcou 26 gols em 12 jogos até agora. Tudo bem que os rubro-negros escalaram time reserva em parte dos jogos, mas na média o Fluminense está na frente deles, perdendo apenas para o Atlético Goianiense dentre os clubes da Série A. Ou seja, definitivamente os números de Odair não podem ser ignorados.

Porém, o que incomoda mesmo no time do atual técnico tricolor é ausência de esquema de jogo, que foi certamente decisivo para a eliminação na Copa Sul-Americana logo na primeira rodada. Esse tema deve ser melhor detalhado até para permitir que o torcedor também possa analisá-lo.

Nos 11 jogos oficiais que o Fluminense disputou em 2020, não vi nenhuma definição clara de padrão de jogo. Aparentemente, é um amontoado de jogadores correndo atrás da bola e contando com a inspiração eventual de Nenê ou dos moleques de Xerém.

Pra se ter uma ideia, contra o Moto Club na última quarta-feira o Fluminense entrou em campo com Yuri e Henrique no meio de campo, o que foi logo desfeito quando o placar estava de 2 x 0 contra no início do primeiro tempo. Paulo Henrique Ganso entrou no lugar de Yuri e deu outra vida à equipe.

Porém, neste domingo, Odair manteve Yuri e escalou Hudson e Yago no meio de campo. Apesar do esquema com três volantes, os dois últimos se destacaram e demonstraram o que a torcida já via há muito tempo: merecem a titularidade na equipe. 

E esse esquema com três volantes não é a tônica quando Nenê ou Ganso estão em campo, o que me leva a crer que Odair ainda não se decidiu qual o melhor Fluminense escalar neste início de trabalho. E essa indecisão já nos custou caro, porque saímos de uma competição internacional que a torcida sempre acredita que a equipe possa vencer.

Os números não mentem, mas no caso do Fluminense eles mostram menos que deveriam. Se é fato que o time tem um bom aproveitamento no ano, é igualmente certo que as incertezas de Odair já trouxeram a eliminação na Copa Sul-Americana e apertos desnecessários em jogos fáceis. Tomar dois gols em menos de 15 minutos do Moto Club é dureza!

É sempre difícil opinar quando não se está no dia-a-dia do clube, vendo os treinamentos e conversando com os atletas no vestiário. Mas, seja da arquibancada ou da televisão, não se notou um esquema tático consistente na equipe até agora e também não se enxerga isso para os próximos jogos. As entrevistas de Odair após as partidas parece demonstrar que ele está satisfeito com o rendimento e não deixa claro nenhuma mudança positiva que fará; não digo queimar os jogadores, mas detalhar padrão tático.

Ele também parece um tanto quanto teimoso quando o assunto é escalação do time. Se não bastassem Yuri e Henrique, Odair continua insistindo com Digão, apesar do baixo rendimento dele na temporada. Se o técnico não gosta do Matheus Ferraz, acredito que mesmo Lucas Claro teve desempenho melhor e poderia fazer dupla de zaga com Nino. Digão, hoje, é a quarta opção.

E na quarta tem mais um jogo decisivo. Dessa vez contra o Botafogo, da Paraíba. Mesmo sem qualquer expressão no cenário nacional, não se pode menosprezá-lo e espero que o treinador tricolor busque a melhor formação para passar para a próxima fase da Copa do Brasil. Sem três volantes por favor!

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



PUBLICIDADE