Só mais uma carência




Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.



Ainda nas rodadas iniciais, o Fluminense perdeu o seu único atacante que poderia revezar com Fred. Desde então, temos lutado para encontrar um substituto à altura. Nenê, Marcos Paulo e Luiz Henrique já jogaram por ali. Até o Felippe Cardoso já jogou e segue jogando. Infelizmente, quem montou o elenco que briga por uma vaga na Taça Libertadores não pensou com carinho na posição.

Por mais que seja o terceiro maior artilheiro da história do Tricolor, a verdade é que a volta do Fred foi uma contradição dentro do elenco. Com 37 anos e longe da melhor forma física, o ídolo tem que assumir um papel que não deveria: ser o principal goleador do time. E, quando ele não está disponível, qualquer solução parece fadada ao fracasso.

A primeira solução: improvisar Nenê. Quando o camisa 77, supostamente, jogou de falso nove diante do Flamengo, não deu retorno. A ideia até me agradaria porque finaliza muito bem e tem (um pouco) de mobilidade, mas o vovô nunca esteve on jogando dessa maneira.

A segunda solução: Marcos Paulo foi outro a atuar no comando de ataque, no último jogo inclusive. Por mais que tenha jogado mais à frente na reta final do Brasileirão no ano passado, o garoto tem desaparecido entre os zagueiros. Faz lembrar até suas atuações na ponta, onde costuma abrir, abrir e abrir até sair pela linha lateral, substituído sem produzir uma jogada sequer. Marcos Paulo não é atacante, é meia-armador — o que não são nem Nenê, nem Ganso, que já foi.

A terceira solução: Luiz Henrique esteve bem diante do Atlético Goianiense no jogo de ida da Copa do Brasil. Contudo, não conseguiu fazer o esperado para quem joga no comando de ataque. Na boa chance que teve, tentou driblar o goleiro e perdeu a oportunidade. Seu lugar é pela beirada, na vaga de Wellington Silva.

Deveria ser a última “solução”: de contrato renovado até o fim do Brasileirão, Felippe Cardoso segue, inexplicavelmente, entre nós. Infiltrado ou não, faz parte do elenco e é peça constantemente acionada. Na minha opinião, a sua função no elenco é a mesma que foi de Lucão do Break: negar minutos a uma promessa da base. John Kennedy tem feito uma ótima temporada se dividindo entre o time sub-20 e o de aspirantes. Mas como aspirar a uma vaga no profissional vendo o Cardoso roubar o seu assento no ônibus? 

A próxima solução: Lucca, o autor do gol olímpico. O jogador de 30 anos já jogou mais avançado e pode repetir isso no Fluminense. Não me pareceu uma boa contratação e segue não parecendo, mas é provável que jogue como 9 em algum momento. Sinceramente, acho que será mais um a não render — espero estar equivocado quando acontecer. Claro, temos que dar tempo ao tempo. Falando nisso, Lucca foi bem na posição há um bom tempo, em 2017… Verdade seja dita, foi um dos menos piores no primeiro tempo contra o Internacional, só que jogando pela direita.

Infelizmente, o ataque nem é a única posição que não recebeu a devida atenção na hora da montagem do elenco para o Brasileirão. Da mesma forma, não temos lateral-direito nem goleiro titulares. A meu ver, essas são as posições mais carentes do nosso elenco atualmente. O ataque é só mais uma delas.

Curtinhas:

– Agora sem Muriel, que testou positivo para Covid assim como Digão e Danilo Barcelos, teremos a volta de Marcos Felipe. Gostaria de pensar que ele pode ganhar a vaga de titular, mas o Odair não me permite.

– Matheus Ferraz é outro que deve ganhar uma vaga no time titular diante do Bragantino. Quando jogou, mostrou segurança.

– Acho que o mais provável é que tenhamos alguém improvisado como lateral-esquerdo na próxima segunda.

– Segundo o Goal.com, Claudinho, do Bragantino, é o jogador que mais cria oportunidades no Brasileirão. Já foram 48, e espero que o número não aumente contra a gente.

– Podemos subir até três posições em caso de vitória e terminar a rodada entre os três primeiros pela primeira vez no campeonato. Seria algo muito bem-vindo!

Saudações Tricolores, galera!

Carlos Vinícius Magalhães



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