Sobre torcer




Torço pro meu time desde que me entendo por gente. Claro que, geralmente, essas coisas são nossos pais ou referências mais próximas que escolhem e nos apresentam, mas a gente conhece e aprende a amar com o tempo. 

Pra mim, time nunca foi como uma cor preferida, que em alguns momentos podemos se importar mais, ou menos, mas a preferência estar sempre lá. Torcer não é dar preferência – é dar prioridade. 

É amar acima de tudo, independente do momento, do time escalado, do técnico; é amar, xingar e ter ódio por um título perdido como se tem de vestibular reprovado. Torcer é entrar em campo.

Não acho que para ser um torcedor de carteirinha tem que estar presente em todos os jogos, assistir pela tv ou ouvir pelo rádio, afinal a gente estuda, trabalha e tira férias. 

Mas o torcedor mesmo, ah, esse dá um jeitinho de perguntar na barraca quanto tá o jogo. Compra telefone com jeito de ver como está a partida, seja no meio da galera ou na missa de casamento de um amigo de infância. 

E as pessoas entendem, porque tem time também, porque torcem da mesma forma. Quem não entende ou  não pensa igual te respeita porque sabe que você não vai ficar em paz enquanto não souber quanto tá o jogo.

Torcer não é fazer stand up paddle, snack line ou beber catuaba mesmo achando uma merda só porque todo mundo tá fazendo então deve ser legal fazer também. 

Essas coisas são momentos; modas que dão e passam. Daqui a três anos é provável que você olhe as fotos que o Facebook te relembra e nem acredite que já fez aquilo. Torcer não é crossfit.

Não é porque seu time perdeu ou vem perdendo que você vai deixar de torcer. Você vai ter raiva de um, de outro, dos 11 jogadores mais o banco, vai querer jogar uma bomba no CT, bando de desgraçado, clube maldito que só contrata bosta, mas você torce.

Sente ódio, mas tá no jogo. Haja raiva, mas assiste aquele inferno. Entra em campo, em todas as partidas, amando aquela camisa como nunca amou e nem nunca vai amar um namorado ou namorada na vida. 

Não importa não ser maioria em qualquer lugar que seja: você sabe o peso do escudo do seu time, não adianta discutir. O amor não importa quem colocou no seu coração, se foi pai, mãe, avô, irmão, Renato Gaúcho, Zico, Edmundo, Garrincha ou Pelé. Isso é detalhe. 

Importa que você torce porque ama, e não porque seu time está bem no campeonato, ídolo famoso na mídia ou com muito seguidor no Instagram, música bonitinha de torcida lançando todo mês. Porque a gente entende que perder dói, mas só sabe a real felicidade da vitória, de um título quem vê seu time perder e sofre, do fundo do coração. Simples assim. 

Nina Lessa

Foto do Banner: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor

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