Um néctar para o pragmatismo




Foto: Lucas Merçon/FFC



Um néctar para o pragmatismo

Buenas, tricolada! As quartas de final da Copa Sul-Americana chegaram. Com Sobras. Uma boa grana nos cofres, uma amenizada nas críticas – ao menos até o duelo contra o Inter, no próximo sábado – e mais uma boa vitória sobre um dos gigantes (adormecidos) do Cone Sul.
O Flu detonou o Peñarol sem muitos sustos, nos dois confrontos. Cinco a dois, no somatório dos placares, não nos deixa dúvidas sobre o quesito merecimento.
Entretanto, eu particularmente não gostei da nossa atuação. Ela fugiu das boas características que rotularam o status de melhor prática de futebol em solo tupiniquim alcançada pelo Time de Guerreiros, capitaneado pelo Diniz.
Em primeira instância, observamos algo raro: os uruguaios tiveram maior posse de bola do que a gente. Por consequência, as nossas oportunidades de gol foram mais escassas. Óbvio, já que o domínio de jogo determina a quantidade de ataques e volume de uma equipe.
Em segundo lugar, aceitamos a marcação pressão dos caras e erramos diversas saídas de bola. Se eles fossem um pouquinho mais qualificados, poderíamos complicar uma classificação previamente garantida – ou esperada.
Em terceiro, vivemos os nossos piores pesadelos, de épocas recentes, ou seja, desandamos a usufruir de chutões e vimos os adversários visitarem a nossa área a todo instante.
Em quarto, por conta das porradas externas, creio que o nosso treinador tenha revisto alguns pontos de sua estratégia, o que me preocupa. Não sei se os amigos leitores repararam, mas o Flu defendeu-se muito mais do que nos demais confrontos, até aqui realizados. E igualmente defendeu-se mais do que atacou. Oras, é possível postar-se mais adequadamente na defesa sem abrir mão das convicções que vêm norteando um trabalho. Vi renascer um Fluminense de Levir, Marcelo Oliveira e Abel, nesta partida, e isto, confesso, me causou tristeza.
Sobre os 90 minutos, uma salva de palmas pro Igor Julião! Caceta, será que vou ter de engolir as minhas “profecias” e o meu descrédito novamente? Verdade que ele tem de aprimorar a parte física, porque só consegue destacar-se por um tempo. Na segunda etapa da peleja o lateral-intelecto bateu biela e cansou. Ainda assim, será que alguém aqui sentiu saudades do Gilberto?
Além do Julião, eu destaco um tantinho de Digão e Allan, e do Daniel – no período complementar. PH Ganso e o trio de ataque foram muito bem, a meu ver. Aliás, que boa performance do Marcos Paulo – foi seguido de perto pelo Speed e pelo Pedro, este no primeiro tempo. Os dois gols num jogo daquela magnitude decerto darão mais confiança ao menino de ouro.
Um aparte pro Ganso: tem quem não goste do seu estilo, mas se deixarem a má vontade de lado e atentarem para as suas recentes atuações, seguramente perceberão a sua importância para o time. E a sua categoria, é claro. Que bola metida pro Caio Henrique, no nosso terceiro gol – da joia Marcos Paulo!
Pois bem, o futebol que mira apenas os resultados, e que o Diniz implementou neste confronto contra os uruguaios, é aquele implorado por grande parte da torcida. Então, eis o néctar para esse tipo de pragmatismo. Temo que este (suposto) novo conceito configure uma mudança de premissas do nosso treinador, aquelas por ele defendidas e reverenciadas há pouco tempo – e durante a sua (curta) carreira de comandante.
Acredito na longevidade de um trabalho. Talvez, o imediatismo da galera e das próprias demandas do desporto nacional obriguem o Mário a demitir o Diniz. Espero que este despautério não ocorra, pois o cara tem o elenco nas mãos, propõe o fim da mesmice modorrenta que assola o futebol há séculos, agrega elogios dos mais variados segmentos da sociedade, e também conta com apoio de parte da torcida.
Agora, vêm aí Corínthians ou Montevidéo Wanderers pelas quartas de final da Sula. Gostaria de encarar os uruguaios, já que somos o pesadelo das equipes da Terra de Mujiica. Mas os paulistanos são os favoritos contra os gringos. Está pintando aí um clássico e tanto. Sou mais Fluzão!
Na batalha com o Internacional, vamos esquecer as pichações em cima do Fernando Diniz e apoiar o time. Gosto sempre de lembrar que estamos apenas na décima-segunda rodada do Brasileirão. Há tempo de o trabalho encaixar, não tenho dúvidas.
Até a próxima.
Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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