Uma noite inesquecível no campo e na arquibancada




Foto: Divulgação



A noite do dia 23 de julho de 1987 ficou marcada para sempre na minha vida de torcedor do Fluminense. E só tenho a agradecer ao meu saudoso pai, o eterno Toledo. E também ao eterno Washington, do casal 20. Na época, eu tinha nove anos de idade, mas respirava as três cores que traduzem a tradição. Inclusive, na escolinha de futsal do Club Municipal, na Tijuca, eu deixava o professor Charles louco.

Uma hora queria jogar de goleiro por causa do Paulo Vítor. Outra hora queria atuar como beque por causa do Ricardo Gomes. Depois, passei a treinar exaustivamente a perna esquerda, pois queria afiá-la por causa do Branco. No entanto, acabei me firmando mesmo como beque. Isso para não falar no craque do meu time de jogo de botão, que se chamava Romerito! Pois é, esse lance de ídolo é algo que sempre mexeu com o imaginário da criançada. E, no meu caso, não poderia ter sido diferente.

Por questões óbvias, não tenho lembrança de questões táticas e mais aprofundadas. Porém, posso dizer que consegui curtir a reta final da “era dourada” do futebol. No campo, consegui pegar um pouco da geração de grandes ídolos do Fluminense, que ganhou tricampeonato carioca (83/84/85) e o título brasileiro (84).

Já na arquibancada, não há como não lembrar do Careca do Talco correndo pelos corredores para “batizar” os torcedores com o seu talco. A festa de pó de arroz e as dezenas de bandeiras espalhadas por todos cantos era algo cinematográfico.

Peço perdão pela volta que acabei dando para falar sobre o tema do texto, mas acabou fugindo do meu controle! Sendo assim, vamos lá…

Contra o Vasco, o meu pai já comemorava a vitória antes de pisar no estádio. Sempre escutava ele zoando os caras na Galeteria Columbia, na Rua Haddock Lobo, no bairro da Tijuca, ou na banca de jornal do italiano tricolor fanático, localizada quase na esquina da própria Haddock Lobo com a Rua do Bispo. Bons tempos!

Definitivamente, a noite do dia 23 de julho de 1987 foi especial na minha vida. Era dia de Fluminense e Vasco, pelo Campeonato Carioca. Cerca de 36 mil torcedores marcaram presença no Maracanã.

O Fluminense vencia o jogo por 1 a 0, mas aos 31′ do segundo tempo, ocorreu um lance que jamais sairá da minha memória. E agradeço muito a Deus por ter prestado atenção desde o início da jogada onde o Washington, no círculo central, deu um belo drible num marcador, avançou com as suas passadas largas, driblou outro adversário e deu dois humilhantes dribles no goleiro Acácio para depois fazer o segundo gol do Tricolor (assista ao vídeo no final do texto).

Confesso que fiquei aflito durante o lance, pois não via a hora do Washington finalizar logo para o fundo do barbante. Mas valeu a pena. E muito. Na explosão da comemoração do gol, o meu pai gritou milhões de vezes: “Gol de placa, gol de placa!”. E eu comigo: “O que é gol de placa?” Após o apito final, o saudoso Toledo, que sempre será o meu maior ídolo, me explicou o significado do tal de gol de placa. O engraçado é que me lembro de muitos detalhes daquela noite e até do pós-jogo, pois o meu pai não parava de falar que alguém tinha que providenciar uma placa no Maracanã em homenagem ao gol do Washington. 

Encerro o texto profundamente emocionado, pois é uma linda lembrança que carregarei comigo até no outro lado da vida. Obrigado, Washington! E, é claro, obrigado, papai!

Forte abraço e Saudações Tricolores!

Vinicius Toledo

Clique aqui para ler o texto anterior: “Poderia ter ido ainda mais longe”



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