Vida longa a Xerém!




Vitória tranquila e homenagem emocionante. Assim foi o fim de semana tricolor. Dentro de campo, o Fluminense não teve muitas dificuldades para ganhar do lanterna Atlético-GO. Nas arquibancadas, a torcida deu um show e arrepiou todos os que assistiam à bela homenagem que prestaram a Abel Braga.

Mas hoje o assunto é o sonho. E não falo sobre este campeonato que aparenta ser de puro ostracismo para o lado das Laranjeiras. Falo do médio prazo tricolor: o que esperar desse clube que, de tanto se “arranjar” financeiramente, entra ano e sai ano sempre apresenta dívidas e atrasos incompatíveis com os discursos de austeridade das diretorias.

Digo isso porque parece que o tricolor está centrado na figura de um único homem: Abel Braga. O treinador, apesar de não ser um expert em organização tática, é genial quando o assunto é manter a união dos jogadores. Ele tem os caras na mão! É ele que absorve todas as críticas e blinda os atletas para que eles se preocupem somente com o jogo. Certamente, sem um técnico cascudo como Abel, a garotada ia sentir a pressão.

Mas ficam algumas perguntas: qual o futuro do Fluminense? Podemos esperar algo a mais? As sucessivas diretorias deram sinais de recuperação financeira e da autoestima do clube e da torcida? Confesso que não vejo nada disso.

A conversa de que o clube está sendo conduzido com contenção de gastos para se tornar autossustentável em dois ou três anos não mais convence o torcedor. Escutamos isso durante os seis anos de Peter Siemsen e bastou entrar Pedro Abad para anunciar que a situação é caótica, ou seja, toda aquela austeridade da gestão anterior parece ter ido por água abaixo. E o pior: não temos garantia de que o futuro nos reserva melhor sorte.

Sinceramente, gostaria de voltar a sonhar. Gostaria de pensar que ano que vem vai ser melhor e que o time vai entrar em campo com chances reais de título nos campeonatos nacionais. Gostaria de olhar adiante e encher os pulmões para discutir com todos os torcedores adversários, garantindo que o Fluminense vai ser o melhor do país. Difícil? Sem dúvida. Impossível? Não creio.

E o nosso alento é a molecada de Xerém. O que esses meninos estão fazendo pelo clube é digno de todos os louvores. Estamos falando de jogadores com 18, 19, 20 anos de idade e que entram em campo com a responsabilidade de elevar a moral de um clube grande e com as tradições do Fluminense. E, sob a batuta de Abel, eles vêm dando conta do recado e demonstrando que o clube tem muito futuro com os moleques da Baixada.

Eles ainda me permitem sonhar com um Fluminense melhor. Um Fluminense que está acima do pensamento mesquinho dos atuais gestores e daqueles que passaram pelo clube nos últimos anos. Um Fluminense acima do aristocrata grupo político “Flusócio”. Um Fluminense que volte a dar alegrias para a torcida e que faça da grandeza a sua marca eterna.

Hoje, Xerém é o que há de melhor no time tantas vezes campeão e os seus 15 jogadores selecionados no último sábado demonstram bem a força da garotada e a disposição de manter o time na elite do futebol brasileiro.

Cota de televisão? A do Fluminense é bem menor que a de Flamengo e Corinthians. Até mesmo a do Santos, que é um time grande sediado no interior de um Estado, é maior que a nossa. Mesmo assim, os meninos de Xerém nos permitem imaginar um futuro promissor para o clube. Aquele em que nos mantemos grandes apesar das adversidades financeiras.

Não se faz futebol sem dinheiro. O clube não sobrevive sem que a saúde financeira esteja em dia. Mas a disparidade de valores recebidos pelos times de maior torcida têm deixado muitos clubes tradicionais para trás, motivo pelo qual o investimento na categoria de base é o diferencial. Não apenas na técnica dos garotos. Mas também no amor à camisa. E a impressão que os meninos de Xerém nos passa é a de que eles entram em campo para comer a grama buscando o sucesso próprio através da vitória coletiva.

Xerém é a única política acertada no Fluminense há décadas. A principal razão é a distância das Laranjeiras e de seus indefectíveis grupos políticos, o que faz com que a Baixada seja o maior reduto tricolor da atualidade: não em metros quadrados, mas em orgulho e em cultivo às verdadeiras raízes do futebol tricolor: sangue, suor e títulos.

Vinda longa a Xerém! Continuem nos enchendo de esperança. Ser Fluminense acima de tudo!

Toco y me voy:

  1. É triste a notícia de que Marquinhos Calazans vai se submeter a uma cirurgia. Mas ele é novo e tem um futuro brilhante dentro e fora do clube. Força meu garoto!
  2. Voltamos a ser o clube com maior número de gols entre os grandes do país. Claro que o desempenho no ataque não é o mesmo da defesa, o que explica a posição mediana na tabela do Brasileiro. Tomara que Wellington, Henrique Dourado e cia inspirem os zagueiros no segundo turno do campeonato.
  3. A LDU vem aí. Eles estão entalados na garganta. Uma vitória sobre eles e a classificação será um título este ano. Espero estádio cheio. Sem preguiça ou desculpa!
  4. Sornoza perto de voltar e Robert entrando aos poucos na equipe. Boas notícias!
  5. Mulambada tomando coro de time pequeno no Rio de Janeiro. Diego vaiado. Coisa linda!  

Evandro Ventura

Foto: Fluminense FC

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