(por Vinicius Toledo)
Fala, galera tricolor! Tudo tranquilo? O papo desta sexta-feira é focado no garoto Wesley Natã.
Antes do jogo de ida contra o Palmeiras, cheguei a mencioná-lo aqui na minha coluna como um “fator novo” a ser considerado para as etapas finais das partidas. Pois é, o moleque de Xerém entrou apenas aos 40 minutos do segundo tempo e acabou fazendo o gol da sobrevivência tricolor na semifinal da Conmebol Libertadores.
Sendo assim, após uma sequência de boas atuações nos três últimos jogos — com direito a gol, assistência e ótimas jogadas —, grande parte da torcida passou a pedir a titularidade do jovem atacante. Nas redes sociais, vídeos de jornalistas e influencers ligados à cobertura diária do Tricolor pedem o garoto entre os onze iniciais, inclusive alguns em tom bem mais exaltado.
Potencial gigante, mas sem queimar etapas
O Wesley Natã é uma promessa com excelente potencial. Isso é inegável. Porém, acredito que seja extremamente necessária muita calma nessa hora.
Primeiramente, ele acabou de fazer 18 anos de idade. Quanto à questão da personalidade, a impressão que ele me passou dentro de campo é a de que esse ponto está bem resolvido. A atitude do garoto partindo para cima dos marcadores sinaliza claramente que ele não está para brincadeira.
Porém, existe a questão física e o desgaste de um confronto deste tamanho. Será que ele aguentaria iniciar uma partida pesada e de extrema exigência tática como a do Nubank Parque? Sinceramente, não sei, mas a comissão técnica deve ter essa resposta nos treinos do dia a dia.
A história recente de Xerém está cheia de exemplos de garotos talentosos que foram lançados no fogo cruzado da titularidade antes do tempo, oscilaram e acabaram sendo cobrados injustamente pela própria torcida. Preservar o processo de maturação do atleta é fundamental para o futuro do Fluminense e do próprio jogador.

A estratégia dos 30 minutos finais
A princípio, acho muito mais inteligente utilizá-lo no último terço da partida — também conhecido como os 30 minutos finais. Afinal, é justamente nessa reta final que a maioria dos jogos do futebol mundial é decidida, quando as defesas adversárias já estão desgastadas.
Pode até ser que o Wesley Natã suporte um tempo maior em campo. Contudo, ainda acho prematuro lançá-lo como titular. Guardá-lo para os 30 minutos finais parece ser a estratégia mais inteligente. O que realmente não dá é para lançá-lo faltando apenas cinco minutos para terminar o jogo, como aconteceu na quarta-feira, precisando de drible, profundidade, movimentação e velocidade para furar a retranca.
O papel do jornalismo x a cultura dos personagens
Comentar sobre futebol nos dias de hoje qualquer um comenta. No entanto, debater trazendo questões relevantes para que a análise fique dentro de um contexto amplo e fundamentado é algo cada vez mais raro entre jornalistas e influencers.
O pior é que essa busca desenfreada por engajamento gera um efeito dominó perigoso. O público acaba levantando bandeiras limitadíssimas simplesmente porque a sua referência no YouTube ou Instagram — que geralmente não passa de um personagem —, falou ou gritou de forma revoltada em um vídeo. Complicado…
Vamos torcer para que a comissão técnica tenha sabedoria e use o moleque de Xerém no momento certo para nos guiar à classificação!
Forte abraço e ST!
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