Entre a apatia de Mendoza e a falta de comando, o Tricolor sobrevive graças a lampejos individuais, mas encara um cenário de terra arrasada na gestão de futebol.
POR LINDINOR LARANGEIRA
Ver o Fluminense em campo virou um teste de resistência. Falta atitude, sobra apatia e o torcedor, mais uma vez, sai mentalmente esgotado. Em Mendoza, o roteiro foi o mesmo: um time sem alma, que fez força para jogar fora uma classificação que ainda insiste em se manter viva.
Com o empate entre La Guaira e Bolívar, o cenário era favorável. Bastava não se sabotar. Mas o Fluminense de Zubeldía parece especializado justamente nisso.
Primeiro tempo: salvo por São Fábio
Aos 15 minutos, o Independiente Rivadavia — limitado, mas organizado — já havia criado duas chances claras, ambas nas costas de Ignácio, em mais uma atuação desastrosa.
Se não fosse Fábio, em noite de santo, o vexame poderia ter sido resolvido ainda na etapa inicial. Enquanto isso, o Fluminense repetia o padrão recente: posse de bola estéril, sem agressividade e sem qualquer capacidade de transformar volume em perigo real.
Era jogo para intervenção imediata no intervalo. Mas…
Segundo tempo: salvo por John Kennedy (e pela sorte)
Zubeldía voltou do vestiário sem mexer no time. Um erro grave. Mais do que isso: um sinal de conformismo com um 0 a 0 enganoso.
Quando Arce abriu o placar, a conta chegou. E as mexidas? Só vieram aos 32 minutos. Tarde, muito tarde.
O Fluminense flertou abertamente com a eliminação. Se salvou não por mérito coletivo, mas por um lampejo individual: o gol de John Kennedy, já no apagar das luzes. Mais sorte que juízo. E, por ora, sobrevida para o treinador.
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Responsabilidade da diretoria e do departamento de futebol
A crise não começa nem termina no banco. Quem montou esse elenco também tem responsabilidade direta.
Em um clube minimamente sério, não seria apenas o treinador a balançar. O diretor-geral e o executivo de futebol já teriam deixado seus cargos. Mas, no Fluminense atual, a lógica é outra.
Após o jogo, o presidente Mattheus Montenegro foi abraçar Zubeldía. Prestígio? Ou falta de rumo?
A verdade é simples: é mais fácil o Castillo dominar uma bola ou o Guga fechar espaços do que essa gestão mexer no próprio comando do futebol.
Uma classificação culposa em construção
Pelo Código Penal Brasileiro, crime culposo é quando não há intenção de produzir o resultado. E o Fluminense parece se encaixar perfeitamente na definição.
Com campanha constrangedora em um grupo fraco, o time soma apenas dois pontos em quatro jogos. Ainda assim, a matemática continua oferecendo uma saída: vencer o Bolívar por três gols de diferença e bater o limitadíssimo La Guaira.
O Fluminense depende só dele. E esse é o maior problema…
O jogo do ano (de novo)
A torcida está irritada — com razão. Com o treinador, com a diretoria, com o desempenho em campo.
Mas no dia 19/05 não há debate: o Maracanã precisa estar cheio. Será mais um daqueles jogos que definem temporada.
O Bolívar é tecnicamente limitado, mas deve vir fechado. Cabe a Zubeldía — se ainda for o técnico — encontrar soluções que até agora não apareceram.
Notas rápidas:
Soteldo – É o único jogador capaz de desequilibrar no um contra um. Não pode ser banco.
Canobbio – Queda brusca. Fase ruim, distração ou gestão de carreira visando a Copa?
Serna – Para mim, ciclo encerrado. Como o treinador.
Base – Na crise, Xerém resolve. Júlio Fidélis e Riquelme merecem mais minutos. Davi Shuindt já mostrou mais que os titulares da zaga. Wesley Natã tem que ser preparado com sequência.
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