As ciladas tricolores




Buenas, tricolada! Hoje eu quero discorrer sobre algumas ciladas as quais o Fluminense vem caindo insistentemente. De bobo. Aquiescidas pelos poderes.

Caramba, estamos sofrendo bullyings diuturnos em todas as frentes: mídia, torcedores inimigos, arbitragens, opinião pública… Até de nós mesmos. Numa boa, não foi por falta de avisos.

Capítulo um: a cilada nutrida pela minha intolerância e pela minha precipitação

Muriel é o típico jogador ao qual os apaixonados de quaisquer torcidas torcem o nariz ante a sua contratação. Oras, eu fui um deles, na ocasião do seu anúncio no Flu, assim como na chegada de Matheus Ferraz, no início desta temporada. Tenho que engordar as minhas desculpas e desfragmentar a minha mea-culpa. Se não fosse o nosso goleirão nos últimos jogos, talvez o Flu estivesse na lanterna. Com “méritos”.

O cara tem se desdobrado para corrigir as cagadas da nossa zaga e os erros de passes idiotas, na saída de jogo, que volta e meia deixam-no diante dos atacantes adversários.

Contra o Santos, nesta quinta-feira à noite, no Maraca, pela vigésima-primeira rodada do Brasileirão 2019, ele salvou o FFC ao menos em três oportunidades. Com milagres.  Que bom eu estar enganado. Mais uma vez.

Capítulo dois: o fim de determinadas eras… cilada anunciada

A torcida é soberana! Quando ela cisma com alguns atletas, normalmente tem razão. Erra às vezes, mas em 90% das situações as suas revoltas são definitivas e acertadas.

Gilberto e Digão entraram num espiral perigoso na avaliação da nossa galera. Um estádio com pouquíssima gente, mesmo com os ingressos a cinco pratas, conseguiu unissonamente calar o Mílton Leite e o Noriega, responsáveis pelo comando da transmissão de Flu e Peixe pelo Premiere.

As vaias aos dois, especialmente depois do gol do Soteldo, invadiram os ambientes mais cleans da Cidade Maravilhosa. Até mesmo as TV’s que não estavam sintonizadas na peleja.

Creio que o duelo contra a bem treinada equipe santista tenha sido a última chance de ambos no Fluminense. Seus ciclos no clube findaram-se na marra.

Gilberto pela falta de disposição. Pelos erros crassos, que nas peladas entre casados e solteiros são evitados. Pela briga constante com a bola, na defesa e no ataque. Pela avenida que ele edifica às suas costas, onde os gols e jogadas tribuladas dos oponentes nascem constantemente. Pelo semblante desanimado. Enfim, por tudo aquilo que ele não faz há mais de ano, e deixa os tricolores grenás de ódio.

Digão pelas falhas constantes, pela falta de técnica, pelos erros contumazes de saída de bola, pelo destempero… Porra, aquele coice no Marinho foi muuuuito desnecessário. Cartão vermelho bem aplicado! Que expulsão escrota! O cara é um dodói!

Eu vi Galhardo e Assis; Miguel e Edinho; Duílio, Vica e Ricardo Gomes; Thiago Silva… Deparar-me com Digão dói na alma e no coração!

Fim das eras Digão e Gilberto e no Fluminense Football Club! Tomara que eu não me engane (ou me engane) pela enésima vez, como nos casos do Muriel e do Maldini Ferraz.

Capítulo três: uma cilada chamada Seleção Brasileira

Venho repetidamente assinalando aqui no Explosão Tricolor que a convocação do Allan para a Seleção Pré-Olímpica fez-lhe pessimamente mal. O moleque, via de regra o equilíbrio da nossa meiúca, tem errado demais. Vem escolhendo as piores jogadas, prendendo a pelota mais do que o normal, equivocando-se em passes simples e na transição, em suma, algo de ruim paira sobre a sua aura. Coincidência ou não, estes fatos se tornaram corriqueiros depois de trajar a amarelinha.

Agora, para culminar, o Caio Henrique também deu mostras de que vai pelo mesmo caminho. Neste confronto contra o Santos, provavelmente eu tenha visto a sua pior apresentação com a nossa armadura.

Ele esteve irreconhecível, mas, verdade seja dita, ele não vem repetindo as performances de destaque ultimamente. Entretanto, sim, nesta quinta ele se houve ainda mais inofensivo e irritante.

Passou da hora de vermos o garoto no meio. Coloquem o Orinho, o Mascarenhas com uma perna apenas, o César, do sub-20 na lateral… O que não podemos mais é assistir a um jogador improvisado, torto e inefetivo, e que já tem manjada aquela jogadinha de cortar pra dentro e atrasar as nossas chances de ataque mais perigosas – que são raras hoje em dia.

Capítulo quatro: sem ciladas, por favor, deixem o cara jogar

Tenho visto muitos tricolores defenestrarem o PH Ganso recentemente. Cá pra nós, quem merece a camisa 10 do Flu no futebol tupiniquim atual? Com que dinheiro poderíamos contratar um homem de criação com mais capacidade do que o Ganso?

Não há mais Samarone, Riva, Assis e TN10 no elenco do Flu, meu povo!

Engolimos um monte de barangas naquela posição nos últimos anos. Fora aqueles que despertaram certa esperança na desesperançosa torcida guerreira.

O Ganso é pior do que o Sornoza? Pior do que o Xutavinho? Eu não acho, e esta é uma posição minha, que não cabem retóricas de outrem. E eu respeito absolutamente as opiniões discordantes. Mas não tentem me convencer do contrário!

PH Ganso é o único cara clarividente desse time, rapaziada! Ele erra? Sim, bastante! Mas tenta algo diferente, busca enfiadas de bola, clareia os lances, e sempre descobre alguém desmarcado. Tem até recomposto a equipe defensivamente, fugindo de suas características.

Sobre a baixaria na sua substituição pelo Daniel no embate contra o Peixe, talvez o momento conturbado do clube não permitisse algo tão grosseiro e nem a quebra da hierarquia, quando rebelou-se com o Osvaldo de Oliveira, ofendendo-o. Mas eu tive a mesmíssima reação do lado de cá: “burro pra c#@*&#”! Pois é, mas eu sou torcedor… Tenho salvo-conduto!

Fica cada vez mais evidente o racha do grupo. Depois de sua saída, o Ganso começou a instruir o time da beira do gramado. E o time passou a ouvi-lo, em vez de retratar-se ao técnico. TUDO ERRADO!

Capítulo cinco: a cilada colombiana

Visivelmente, o atacante colombiano Yony González perdeu o interesse pelo Flu.

Não que ele tenha deixado de se dedicar, mas até mesmo essa tal dedicação já não é mais contagiante como outrora.

Não sei se há picuinha por causa das declarações do Celso Barros, que praticamente jogou o atleta contra a torcida, mas o fato é que o Speed não faz nada há muitos jogos. Tanto assim que no confronto com o Santos ele foi sacado no intervalo, pra entrada do Wellington Nem.

Será que ele já está com a cabeça em outro clube? Será que os europeus virão busca-lo mesmo, como o seu empresário afirmou? Não sei, mas se for pra ter um cara apenas a meia-bomba no onze titular, é melhor que o barrem. O momento tricolor é delicado, e requer esforços redobrados de todos.

Capítulo último: a cilada que atende pelo nome de Osvaldo de Oliveira

Entra dia, sai dia, os tricolores se convencem cada vez mais de que a chegada do novo treinador, depois da demissão do Fernando Diniz, pegou-nos de calças curtas!

Osvaldo de Oliveira jamais deveria ser o escolhido. OK! Mas quem seria? O meu eleito era o Dorival, a diretoria tentou trazê-lo, mas o malandro enumerou uma profusão de desculpas esfarrapadas e se desvencilhou da encruzilhada.

Correram pro Abelão! Ele é bobo? Abraçar a causa tricolor hoje é pra poucos – nem ele topou, imaginem! Ainda assim, confesso que eu não o queria. Cansei da mesmice dos treinadores do futebol brasileiro atual, e o Abel é parte íntegra deste rol de peladeiros, a meu ver.

Então, abriram um paraquedas direto do Japão e aportaram o Osvaldo nas Laranjeiras!

O novo/velho comandante chegou cheio de VAMOS LÁ, VAMOS LÁ, VAMOS LÁ! E os resultados permaneceram pífios.

Dançamos na Sula, pro Corinthians, competição que a torcida depositava fé no título.

Achamos uma vitória no Castelão, graças a São Muriel, e da mesma forma um outro triunfo, em Brasília, graças a São Cássio. Não jogamos absolutamente nada nos dois jogos, demos um ou dois chutes a gol em cada partida, mas valeram os seis pontos diante de Fortaleza e Corínthians, pelo Campeonato Brasileiro. Não é isso que muitos pregavam – e queriam?

Levamos bailes, com requintes de maldade e humilhação, do Palmeiras, que estreava técnico novo, e do poderosíssimo Goiás. Os três a zero em cada participação ficaram baratos!

Na peleja contra a equipe da cidade praiana de São Paulo, nesta quinta, igualmente não vimos o bom goleiro Éverson intervir em quaisquer jogadas mais incisivas. Não houve tais lances, porque não incomodamos o arqueiro santista. Ao contrário do nosso paredão Muriel, que operou alguns milagres.

Achamos um gol, cagado como ele só, no final da primeira etapa. O Nenê cruzou mal da esquerda e o zagueirão Lucas Veríssimo nos fez o favor de guardar contra as próprias redes. Aliás, um golaço!

Osvaldo matou o nosso melhor momento em campo, no segundo tempo, quando retirou o Ganso. Poderiam sair o Nenê, o Gilberto, o Digão, o Yuri, o Marcão, o Mário Bittencourt, o Celso Barros, o Simone ou o Angione. Mas o Ganso????

Portanto, amigos, a prova cabal de que as mudanças devem ser prementes – e iminentes – revelou-se no duelo diante do Santos. Ainda há tempo de ressurgirmos, tal qual Fênix, das cinzas, como alardeava o Prefeito de Sucupira, Odorico Paraguassu!

Contudo, o tempo urge. Se nenhuma atitude for adotada já, decerto a Segundona nos esperará de braços abertos, no final de 2019. Ação, gestores, pois os tricolores não suportam mais as malfeitorias acumuladas em anos-luz de lambanças, tá legal?

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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