Atrasos da Unimed geram desconforto entre jogadores do Flu; especialista comenta sobre o caso




A diretoria tricolor está sob pressão. A Unimed, responsável por pagar de 50% a 80% do salário das principais estrelas do elenco, não tem honrado os compromissos assumidos, impondo ao Fluminense o desafio de segurar os principais jogadores do elenco em um horizonte de incertezas. Alguns deles, como Wagner, se manifestaram sobre o assunto:

– Sabemos que há atrasos da parte da Unimed e alguns jogadores podem sair. Mas temos de saber levar. Futebol é assim – disse Wágner, no desembarque do Flu, ontem.

Além de reconhecer os atrasos da empresa, que se encaminham para o terceiro mês consecutivo, o camisa 10 comentou que é hora de dar “um voto de confiança aos dirigentes” e utilizou a palavra “sufoco” para se referir à atual situação do elenco:

– Sabemos que tem muita especulação neste momento, mas temos total confiança no Mário Bittencourt (vice de futebol) e no presidente (Peter Siemsen), que já disseram para ficarmos tranquilos que as coisas vão se resolver. Vamos acreditar na palavra deles, dar um voto de confiança. Na hora de brigar para ser campeão vai ter valido a pena todo o sufoco que estamos passando.

Diego Cavalieri, que ao renovar o contrato passou a ter a totalidade do seu salário bancada pelo clube,  pregou que se tenha paciência com ex-patrocinadora, mas admitiu que o impasse é prejudicial:

– Alguns se queixam de pendências. Mas é um período, um momento difícil. Temos que ter compreensão. É claro que quanto antes for resolvido qualquer problema extracampo, facilita o nosso trabalho.

No caso específico de Conca, o Tricolor apresentou uma contraproposta para tentar segurá-lo. Os valores, porém, foram muito inferiores à quantia vinda da China, em torno de R$ 2 milhões mensais. Já os outros atletas não foram procurados para que se fizesse o mesmo.

Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo:

“Os contratos de imagem que os atletas do Fluminense têm com a Unimed não tem caráter salarial, então não entram na parte da Lei Pelé que permite que o jogador entre na Justiça, após o terceiro mês de atraso, pedindo para ser desvinculaldo do clube. Esse é o primeiro ponto.

Agora, há outra coisa que os juízes podem levar em consideração. Todo mundo conhece o relacionamento que Fluminense e Unimed tiveram nos últimos 15 anos. Os jogadores assinavam contrato de trabalho com o clube e contrato de imagem com a patrocinadora. Há juízes que, assim, passam por cima da Lei Pelé. São duas situações. Se aplicar a lei literalmente, não há a possibilidade de pedir para se desvincular. Mas são coisas em debate na jurisprudência.

A Lei Pelé é recente. Surgiu em 2011 e passou a regulamentar isso. É um assunto que está nos tribunais. Há decisões para os dois lados.

Se grande parte do salário do jogador é paga através da imagem, o juiz terá que analisar a equivalência. Normalmente não é mais de 50%. Essa é a argumentação que mais se faz para pedir desvinculamento.”

Por Explosão Tricolor/ Fonte: lancenet/ Foto: Bruno Marinho

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