Gênio indomável




FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.



Buenas, tricolada. Por mim, eu escreveria 489 laudas e meia sobre um certo gênio! Não a respeito do Aladim, que precisava de lâmpada mágica para dar as caras. Não sobre Albert Einstein, que discutia relatividades e outros estudos ante os meros mortais incrédulos. Nada referente a Mark Zuckerberg, Bill Gates, os Steves – Jobs e Wozniak, Copérnico, Darwin, da Vinci, Newton, Graham Bell, Heitor Villa Lobos ou Freud.
Meu papo seria sobre o João Pedro, mesmo! Dezessete anos, galera! Unção, clarividência, magia, destemor, personalidade… Um craque! Mini-gênio! Isso aí! Cravo a minha avaliação sem medo de ser feliz!
A partida entre Flu e Cruzeiro, que decidia a classificação para as quartas de final, em pleno Mineirão, com 40 mil cabeças torcendo contra, decerto ficará pra sempre em segundo plano diante da obra de arte que o nosso menino esculpiu, nos acréscimos da peleja! Pena termos perdido nos pênaltis, depois de um 2×2 justo. Lamentável a incompetência dos experientes Gilberto e PH Ganso no momento de suas batidas. Horrível vermos escorrer pelo ralo mais de três milhas, com a desclassificação. Mas dane-se. O João Pedro merece reverência, estátua, green card para o céu, convocação imediata pra Seleção Brasileira principal, esforços da nova Diretoria para recomprá-lo, uma Ferrari Testarossa zero bala etc etc etc! Bicicleta, rapaziada! Tá bom pra vocês?
Impressionante é reparar, em câmera lenta, o lance do seu gol. A movimentação da nossa joia no momento da metida de bola é diferente. Qualquer Gabriel Jesus, Firmino ou outros “convocáveis” do futebol tupiniquim atual tentariam matar a redonda no peito e virar pra meta. O moleque de Xerém acompanhou a trajetória da pelota, ajeitou o corpo gradualmente e aplicou uma Trek Butterfly Madone, bicicleta que custa a bagatela de US$ 500 mil, para vencer os intransponíveis goleiro Fábio e zagueiro Dedé! Repito: no apagar das luzes! Frieza e categoria! Só isso!
Pois é, mas o fato é que o Fluminense está fora da Copa do Brasil. O João Pedro não merecia. Deixamos escorrer por entre os dedos uma classificação que, confesso, eu dava como certa. Não é prepotência de minha parte, afinal, a Raposa Mineira é nossa freguesa histórica! Até o Don Fredón arrumou uma dorzinha da panturrilha pra nos conceder gentilmente a vaga! Não deu!
O empate foi a medida certa pelo que os dois times apresentaram em 90 min. de confronto. Lamento apenas o Flu ter recuado excessivamente no começo da segunda etapa, chamando a equipe azul pro nosso campo de defesa. O 1×1 estava desenhado, e falei sobre o fato com os meus parceiros de sofrência na hora! Logo os adversários igualaram o marcador. E viraram!
Depois dos 2×1 pros caras, resolvemos partir pra dentro.  Na verdade, a atitude após a virada dos malandros deveria ser assumida no instante em que eles perderam o compromisso com o ferrolho de sua cozinha. Bastava encaixar um ou dois contra-ataques que o duelo teria outras cores… Notaríamos mais claramente o verde, o branco e o grená!
Sobre os nossos jogadores, alguns senões: no meu entendimento, o Agenor não se impôs no lance do gol de cabeça do TN10… Ele mostrou-se perdido. Em contrapartida, realizou duas boas defesas, uma em cada tempo, em tiros de Robinho e Pedro Rocha, além de pegar o pênalti do Sassá, no período regulamentar – e outro, no limiar da decisão. Particularmente, eu perdoo a sua recorrente insegurança, desta feita. Mas reitero: não é goleiro pra time grande, especialmente pro nosso Flu!
Relutei em assumir e, consequentemente, publicar aqui na coluna, mas o Gilberto tem que ser barrado! Entra jogo, sai jogo, ele falha na marcação e no apoio. Erra passes em profusão, cruza mal pra diabo, tem escolhido as piores jogadas e cismou em se transformar em Josimar. Lembram da Copa do Mundo de 1986? O ex-lateral do Botafogo consignou dois gols espíritas, em dois embates diferentes, e cravou a sua ida pra Europa, na ocasião! As tentativas de finalização da linha de fundo do nosso lateral-direito “imexível” têm sido ridículas. Os seus cruzamentos sempre equivocados, idem. Não sei quem o Diniz escolherá como substituto, mas o problema é manter o camisa dois no onze titular! Quem sabe o menino Calegari, de 17 anos, não seja a solução?
Nino muito bem, Frazan não comprometeu, e Caio Henrique ao menos tentou.
Allan excelente, Daniel menos virtuoso do que em oportunidades recentes, e PH Ganso, no meu conceito, houve-se bem. Infinitamente superior às suas últimas estadas em campo.
Luciano “pirilampeou” na maior parte do jogo, Brenner foi razoável na primeira etapa e cansado na segunda e o Jotapê… Ah! Por gentileza, releiam os primeiros parágrafos deste texto!
Em suma, meu povo, fizemos um jogo bem honesto contra os mineiros, mas ficou claro o despreparo dos nossos batedores de pênaltis na hora H! Três cobranças desperdiçadas é demais para uma equipe do tamanho da nossa! Aliás, a (má) batida do Jotapê e a defesa do Fábio não descredenciam o garoto de ouro tricolor. Ele tem crédito, habeas corpus, salvo-conduto , licença poética, cadeira cativa no rol de imortais e direitos de bater novas penalidades daqui para adiante. Mas, ratificando, Gilberto e Ganso – que cobrou pessimamente duas delas – por conta da experiência, da rodagem e das camisas que já vestiram, jamais poderiam deixar o Flu na mão!
E o VAR… Oras, que “VAR pra casa do cacete”! O futebol está chato por causa desse troço. Tecnologia é legal. Honestidade nas interpretações de jogadas é fundamental. A justiça tem de prevalecer. Mas estão acabando com o glamour e com as polêmicas necessárias do desporto! Seria interessante rever alguns conceitos, revisar as maneiras de aplicar a arbitragem de vídeos. Não pensei a respeito e, portanto, não posso sugerir mudanças, mas algo tem que ser reavaliado!
Finalizando, vumbora, Fluzaço! Cruzeiro e Copa do Brasil já fazem parte do passado. Foco na Sula e em pontuar no Brasileirão tem que ser a tônica de agora em diante. Entretanto, mesmo com a dor da queda em uma competição importante, gostei do que vi em campo nesta quarta-feira. Com algumas desaprovações e ressalvas. É do jogo! Poxa, mas um dois a dois em território de inimigo qualificado é coisa de time grande. Enorme. Eterno. Coisa de Fluminense Football Club!
Saudações eternamente tricolores!
Ricardo Timon



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