O Campeonato Carioca tem que acabar!




Ufa! Ganhamos no sufoco do Volta Redonda. Num campo literalmente coberto por água, o Fluminense conseguiu se manter 100% na Taça Rio. O público? Bem, como sempre, foi um vexame: 652 pagantes para uma renda de R$ 14.300,00. Bravos tricolores que presenciaram uma partida de pênaltis inexistentes e jogadas medíocres por conta do encharcado gramado de Los Larios.

E por falar em público minúsculo e estádio ruim, hoje resolvi escrever sobre o nosso falido campeonato carioca. Assim como nas famosas Leis de Murphy, fica claro mais uma vez que “nada é tão ruim que não possa ser piorado”. E o “cariocão” é um exemplo claro dessa regra infalível.

Jogos sem graça, baixa expectativa de público e nenhum atrativo para chamar o torcedor. Esses são apenas alguns dos ingredientes que tornam o campeonato do Rio de Janeiro um péssimo negócio, tanto para os clubes quanto para a torcida. Como exigir que o torcedor vá a Los Larios acompanhar uma partida do nível de Fluminense e Volta Redonda? É muito melhor ficar em casa e nem ligar a TV.

Mas tudo isso deve ter uma explicação. Num campeonato que já levou 177 mil pessoas ao Maraca no longínquo ano de 1963, algo deve ter acontecido para tamanho descrédito popular. Ouso até mesmo dizer que os campeonatos estaduais são uma verdadeira chacota nacional e o carioca, em particular, uma decepção ano após ano.

Com todos sabemos, o futebol do Rio de Janeiro é comandado, hoje e sempre, por dirigentes que não se importam com o interesse dos torcedores e governam para uma pequena parcela dos clubes. Basta lembrar de Eduardo Viana, o eterno Caixa d’Água, que presidiu a FERJ de 1984 até 2006, ano de seu falecimento. Nesse período não foram poucos os episódios de favorecimento ao Americano de Campos, clube que simplesmente desapareceu do cenário estadual após a morte de seu torcedor mais conhecido.

Após Caixa d’Água, surge no futebol carioca a figura de Rubens Lopes. Desde 2006 no cargo, o atual Presidente da FERJ deu diversas provas de que o fundo do poço é inexistente e nele o nosso futebol já está mergulhado. O Vasco da Gama é um exemplo disso.

Pior clube carioca entre os grandes nos últimos anos, o eterno “vice” do futebol brasileiro foi beneficiado em diversos campeonatos cariocas desde que Eurico Miranda reassumiu o poder nesta última gestão. Basta lembrar que até o ano passado a FERJ não respeitava o contrato que o Fluminense tinha com o Consórcio Maracanã que estabelecia que a nossa torcida ficaria sempre do lado direito das cabines de rádio e TV. O Vasco queria o local e contava com o apoio do dirigente máximo do futebol do Estado.

No entanto, não dá para pensar na existência de um presidente estilo ditador sem a anuência dos clubes. Isso porque, no final das contas, a FERJ nada mais é que a composição de todos os clubes cariocas juntos, sendo inadmissível que os grandes times não levantem a voz contra todos os desmandos vivenciados ao longo de décadas.

Justiça seja feita, Fluminense e Flamengo bem que tentaram. Até meados de 2016, os dois clubes batiam de frente contra parte dos desmandos de Rubens Lopes e de seu aliado Eurico Miranda. Inclusive, a Primeira Liga foi uma proposta encabeçada por ambos que objetivava o enfraquecimento do poder dos dirigentes de federações e da própria CBF.

Mas a partir do fim de 2016 tudo mudou. Com a assinatura do contrato de direito de transmissão do Campeonato Brasileiro com a TV Globo, o Fluminense passou a ter uma relação mais próxima de Rubens Lopes. Tão próxima que foram vistos com Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo, em um evento de apoio ao então candidato Marcelo Crivella à prefeitura do Rio. E ali já se percebeu a cota da televisão falaria mais alto.

Na verdade, a única coisa boa no Campeonato Carioca é exatamente o dinheiro que vem da TV. Por mais deficitário que seja os quatro grandes do Rio receberão R$ 15 milhões cada qual pelos direitos de transmissão dos jogos. E isso, sem dúvida, é o grande cala boca para os dirigentes.

Em resumo: o campeonato é deficitário, os clubes passam vergonha com o público e nada é feito pra mudar. Culpa maior: dos clubes cariocas, especialmente os grandes, que não fazem valer a tradição e não exigem um comportamento digno da história de cada um. No caso do Fluminense, depois da assunção da presidência por Pedro Abad, a apatia é ainda maior e não se vê nenhum movimento para mudar essa realidade.

Solução: só a que virá do torcedor. Os clubes não farão nada e apenas a voz das arquibancadas pode mudar esse estado de coisas que somos obrigados a presenciar. Na minha opinião, os campeonatos estaduais deveriam acabar, com as federações sendo apenas um escritório administrativo de suporte aos clubes nas grandes competições nacionais. Só assim os times terão condições de se dedicar para algo que realmente vale a pena, como o Brasileirão e a Copa do Brasil.

Chega de tradição que nada acrescenta ao futebol! O Fluminense é grande demais pra jogar pra menos de 700 pessoas.  

Pelo fim dos estaduais, ser Fluminense acima de tudo!  

Evandro Ventura



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