Os caminhos do Fluminense e pitacos sobre os últimos jogos




Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.

Pessoal, nesse momento em que a frequência de partidas está frenética, tentarei aqui na coluna comentar mais ou menos a cada três jogos. Primeiro, porque escrever um texto por jogo seria coisa para caramba! Segundo, porque, afastando um pouco a lupa, dá para focar menos na montanha russa que pode ser a variação do time de quarta para sábado, e tentar enxergar um pouco mais algumas tendências do time.

Pois bem. No último texto, defendi que o trabalho de Odair Hellman estava em evolução, mais na escolha das peças que no futebol em si. Também argumentei pela necessidade do treineiro de abandonar a tentativa de replicar o esquema que usava enquanto no comando do Internacional, porque as características dos nossos melhores jogadores não combinam com aquilo.

Desde então, três partidas, duas vitórias e uma derrota. 

A primeira, contra o Red Bull fora de casa, foi a pior. Perdemos por 2×1. É verdade o jogo foi decidido por erros individuais do nosso lado: frango de Muriel no 1º gol deles, lambança de Egídio e Dodi no 2º e perda de chance clara pelo Lewanilson na primeira etapa. 

Só que, mais importante que isso, fomos mal como time. Muito recuados, deixamos o adversário jogar como gosta, com a bola e espaço para tabelar perto da nossa área. Quando tínhamos a bola, aceleramos demais. Não é nossa característica e, assim, o jogo ficou à feição deles, um time mais jovem e dinâmico. Derrota merecida.

Depois, pegamos o Athetico, lá. O jogo não foi transmitido, então não tenho muito o que comentar. Pelo visto, criamos mais chances, tivemos gol mal anulado e merecemos a vitória. 0x1. Resultado importantíssimo, contra um adversário indigesto.     

Por fim, recebemos o Figueirense, pela Copa do Brasil. A classificação era obrigatória, já que o adversário era frágil. Mas, para além disso, a atuação foi satisfatória. 3×0, muitas chances criadas e quase nenhum perigo na defesa.  

Segue a busca do treineiro pela melhor formação tática. Já experimentou bastante: 4-4-1-1 no começo do ano, com liberdade total para o Nenê; o 4-3-3 que usava no Inter, com três meias/volantes e pontas buscando o pivô pelo meio; o 4-4-2 boa parte da torcida pede, contra o Inter; e agora parece ter encontrado um time no 4-2-3-1, com os volantes subindo alternadamente e os meias dialogando muito entre si. 

É uma boa escolha. Favorece o Evanilson, nosso melhor jogador na temporada (apesar das duas últimas partidas abaixo), que pode ser menos pivô e mais ponta de lança. E favorece Michel Araújo, Marcos Paulo e Nenê, que ganham liberdade para buscar mais o meio que as pontas. Mas ainda falta algo essencial: alguém que abra o campo. 

Explico: se os meias abertos buscam o jogo por dentro, os laterais teriam que ir ao fundo o tempo todo, para dar opção nas pontas. Aí está o problema: na esquerda, o Egídio até se apresenta, mas erra muito. Na direita, o Julião não tem o cacoete, qualidade e nem vigor físico para aparecer o tempo todo. Calegari, com boas partidas, ainda não é uma certeza. Duas contratações aí, uma para cada lado, mudariam o time de patamar.

Para além do tático, o fator individual pode nos ajudar demais. Se a principal evolução no trabalho até aqui foi a ascensão de Dodi, Araújo e Luccas Claro (quem sabe em breve poderemos colocar o Calegari aí), dois dos nossos melhores valores não estão bem. Falo de Nino e MP. Em mim, a má fase deles traz mais esperança que preocupação. Ambos jogam muita bola. Com persistência, paciência e trabalho duro, têm tudo para evoluir.

Em suma, continuamos alternando entre momentos de bom e mau futebol. E isso nos credencia sim a brigar pelo G7, caso continuemos a melhorar. Mais alguns comentários sobre temas da última semana:

RODÍZIO DE JOGADORES

Sou defensor de rodar o time, quase sempre. Assim, evitam-se lesões e todo o elenco acaba entrosado e motivado, pronto para jogar. Nesse ano de calendário super apertado, então, é mais importante ainda. Pouco tempo de afastamento por lesão pode tirar um atleta de muitas partidas. 

Contudo, da forma que foi feito, foi um grande erro. Poupamos no Brasileiro para ter força total na Copa do Brasil. Só que é no Brasileiro onde está nossa melhor chance de voltar à Libertadores, um objetivo importante e realista. Fora que lá também está nosso grande medo, um eventual rebaixamento. 

E, convenhamos, o time do Figueirense é bem modesto. Prevaleceu o medo de passar vergonha em uma possível eliminação. Absurdo! Mas deu certo, então bola para frente. Não sem antes tomar uma alfinetada deste articulista.  

NENÊ E GANSO

Sou fã do Ganso, acho que foi muito bem no ano passado, no time do Diniz. Não gosto muito do Nenê. Para mim, o time perde coletivamente com ele, que, ou joga aberto e não aguenta marcar o lateral, ou joga pelo meio e toma o melhor lugar do MP. 

Mas não dá para ficar brigando contra a realidade! Nenê está em uma fase excelente, já tem 15 gols no ano e 6 nos últimos 3 jogos dele, todos importantes. Enquanto isso, Ganso ainda precisa mostrar que consegue se adaptar a um estilo de jogo em que a bola não passará por ele o tempo todo. Parece que foi bem na partida contra do final de semana. Espero que evolua para que possa ser útil.

FERNANDO PACHECO, CAIO PAULISTA E WELLINGTON SILVA

Se, em teoria, é muito melhor olhar para o banco e ver esses jogadores que as opções ofensivas dos anos anteriores, na prática nenhum desses mostrou nada até agora. Espero que tenham mais chances e possam se tornar opções viáveis, seja para mudar a forma da equipe jogar ou para revezar quem joga.

FRED

Já tem gente pedindo para o Dom aposentar. Calma, galera. É um jogador de 21 gols na temporada passada, na bagunça que era o Cruzeiro. “Ah, mas no Brasileiro foram só 5”. E o nosso artilheiro na competição foi o Yony, com 6 apenas! Penso que nosso ídolo não pode, em hipótese alguma, ser tratado como titular inquestionável, especialmente tendo Lewanilson em grande fase, mas ainda pode ser útil sim em algumas partidas. Antes, precisa ganhar ritmo.

ATÉ AQUI NOS ANOS ANTERIORES

2018 – Brasileirão

7 pontos (9ª colocação); Sul-Americana: classificado à 2ª fase, após eliminar o Nacional Potosí-BOL; Copa do Brasil: eliminado na 3ª fase pelo Avaí.

2019 – Brasileirão

6 pontos (13ª colocação); Sul-Americana: classificado à 2ª fase, após eliminar o Antofagasta-CHI; Copa do Brasil: classificado para as oitavas de final, após eliminar o Santa Cruz.

Vale dizer que insisto em comparar com as temporadas a partir de 2018 porque este foi o primeiro ano que nos planejamos após termos a noção do rombo deixado pela gestão Peter Siemsem. É o ponto mais baixo do clube desde a saída da Unimed, que revelou nossa pobreza. A recuperação, portanto, começa a partir dali.

VENCE O FLUMINENSE!

Tarik Moussallem

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