Retratos de uma caravana: Palmeiras x Fluminense – 28/10/2015




Estar na companhia dos “seus” faz um bem do car**** e uma caravana retrata bem esse sentimento. Somos loucos sim! Largamos nossas famílias, companheiras, empregos, compromissos e tudo mais para viajar atrás da nossa paixão.

Não são viagens selecionadas, são viagens pra onde tiver que ser. Não escolhemos adversário. Sabemos do tratamento que iremos receber, sabemos da ambiente hostil, mas não sabemos se conseguiremos chegar e, se chegar, não sabemos quanto tempo de jogo conseguiremos assistir.

A viagem
Caravana; Fluminense
Caravana na estrada. (Foto: Nathan Sena)

Para São Paulo, quarta-feira, dia 28/10/2015, cerca de dez ônibus saíram do Rio de Janeiro, além de inúmeras vans e carros. Pelas histórias contadas de outras caravanas, diria que essa foi, na gíria popular, “só lazer”.

O tratamento policial continua deixando a desejar. Enquanto o Rio de Janeiro conta com um grupamento especializado para grandes eventos esportivos, a polícia paulista, acostumada a lidar com bandidos nas ruas, é a que nos recebe e nos promete segurança.

→ Escolta? Só da Marginal Tietê até o estádio e do estádio até a Marginal, de resto é Deus por nós e cada um por si. No Rio, o GEPE costuma buscar as torcidas visitantes ainda na Serra das Araras.

→ Assistir o jogo desde o começo? Só contando com a sorte e a boa vontade da polícia local. Logo na entrada da Marginal, no ponto de encontro com a escolta, todos os ônibus são parados para uma revista minuciosa com direito a cães farejadores e pedidos para que fossem jogadas fora bebidas alcoólicas.

Revista policial minuciosa, já em São Paulo.
Revista policial minuciosa, já em São Paulo.

Mesmo longe do estádio, enquanto ocorria a revista um grupo de torcedores rivais chegaram a passar pelo local e jogar fogos e bombas para cima dos ônibus que eram revistados pela polícia. Dali em diante já sabíamos o que podia estar nos esperando mais a frente.

Meia hora para o jogo e o comboio chega próximo aos arredores do estádio, com muito despreparo e/ou falta de boa vontade, a polícia precisa segurar nossos ônibus até quase a hora de começar o jogo para conseguir dispersar a torcida local para que conseguíssemos acessar o lugar destinado para a torcida visitante.

Dentro do estádio
allianz; Fluminense;
Torcida Tricolor lotou o pequeno espaço destinado a ela.

Dentro do estádio vimos o corriqueiro, o descaso e a falta de respeito com o semelhante. Só que dessa vez, infelizmente, toda essa soma resultou em um óbito. Setor da arquibancada sem iluminação, banheiro sem papel e um espaço apertado para cerca de 1800 tricolores que conseguiram comprar seu ingresso, quando o certo seria uma carga de 3900 ingressos.

Por fim, um ataque fulminante acabou por tirar a vida de um dos nossos guerreiros. Flávio Mendes, 51 anos, teve ceifada qualquer chance de sobreviver ao mau súbito devido ao pouco caso feito dos organizadores do “espetáculo”. Demora no atendimento, deboche e todo tipo de falta de respeito. Policiais de braços cruzados assistindo aos próprios torcedores tentando fazer algo que desse um sopro de vida à vitima. Em vão…

Já com a liberada para torcida sair do estádio, a revolta tomava conta daqueles ali presentes que assistiram toda cena e não puderam fazer nada. Um cenário hostil, revoltante e desnecessário criado por aqueles que um dia terão que atravessar os 430 quilômetros de lá para cá.

Caravana; Fluminense;
Ônibus da torcida do Fluminense retornando ao Rio de Janeiro. (Foto: Digo Jatobá)

Até a próxima…

Saudações Tricolores

Por Rafael Fernandes / Explosão Tricolor

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