Temos CEO! Mas vamos avisando: futebol é paixão!

Fluminense é paixão! (Foto: Vinicius Toledo/Explosão Tricolor)

Pra quem disse que a derrota de sábado não foi o pior dos mundos, afirmo com convicção: foi sim. Ela vai nos levar ao rebaixamento? Provavelmente não. Mas escutar Eurico Miranda, que representa tudo o que tem de pior no futebol brasileiro, desde a pilantragem até se autodeclarar “Deputado Federal do Vasco”, dizer que o Fluminense é freguês foi demais! Espero que a molecada absorva essa provocação e entre em campo nas próximas partidas com sangue nos olhos, já que ficaram devendo na vontade contra o Vasco.

Mas hoje, como em toda terça-feira, vou tratar de assuntos que não têm referência direta com os jogos do final de semana. Afinal, sobre eles, todos já falaram à exaustão, e a terça é exatamente o dia de aumentar o foco e buscar novas perspectivas pro nosso Tricolor. Alô diretoria! O Fluminense é da galera!

Por incrível que pareça, a entrevista do novo CEO do Fluminense trouxe boas expectativas para o futuro do clube e do seu futebol. Li, com atenção, cada palavra do Diretor Executivo Geral, Marcus Vinicius Freire, publicada ontem no Explosão Tricolor, e confesso que, Pedro Abad à parte, é possível se esperar respostas positivas do clube daqui pra frente.

Coloco Abad de lado porque, apesar de ser Presidente e, em tese, comandar toda a mudança de governança do clube, ele ainda carrega consigo um ego inflado maior que do que ele próprio e toma atitudes completamente dissociadas do que se espera de uma boa gestão. Basta ver a demissão de Pedro Antônio. De uma burrice inacreditável!

Mas voltemos à entrevista de Marcus Vinícius. Algumas pontuações foram interessantes. Primeiro, ele conseguiu diferenciar um time de futebol de uma empresa ou até mesmo dos chamados “esportes amadores”. Ressaltou que o futebol é movido pela paixão da torcida e que é com base nela que se deve trabalhar.

Marcus Vinicius Freire e Pedro Abad (Foto: Fluminense FC)

De fato, se ele conseguiu compreender isso, demonstra que entendeu a própria essência do futebol. Somos torcedores e, como tal, movidos a paixão. Pra mim ou pra qualquer outro que honre a cores do clube, a vitória é tudo e o Fluminense sempre deve lutar pelos títulos que disputa. Simples assim!

Para atingir este patamar, porém, é indispensável uma boa gestão, e parece que o novo CEO do clube conseguiu entender essa relação entre finança e amor da torcida. Basta tirar no papel e colocar na prática que a coisa vai bem. Mas isso é o mais difícil!

Outra constatação feita por ele já é de domínio público: poucos jogadores ganham muito dinheiro sem dar o retorno adequado ao elenco. Basta ver o caso de Cavalieri, goleiro reserva do time e que recebe perto de 600 mil reais por mês. De fato, é uma aberração quando se trata de economia e boa gestão dos parcos recursos financeiros. Herança de Peter, cujo Presidente do Conselho Fiscal era o próprio Abad, nunca nos esqueçamos.

Outros dois assuntos tratados por Marcus Vinícius também soaram bem aos ouvidos da torcida. O primeiro é a mudança de postura com relação à aproximação da galera; a segunda é o estádio próprio.

A aproximação, segundo ele, será feita usando a informática. O Departamento de TI do clube (existe?) fará uma análise do perfil dos torcedores tricolores. Avaliará, por exemplo, se ele compra camisa ou se critica a politica de preços praticada. Quais são as suas expectativas nos assuntos envolvendo o clube? Diagnosticado isso, o objetivo é tentar se aproximar através de ações do Departamento de Marketing tricolor. Sim, sei que o único D.M. que funciona no clube é o médico, mas vai que cola. Será uma grande sacada! 

Isso é Fluminense!!! (Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor)

Quanto ao estádio próprio, parece que há um consenso de que ele é indispensável. Maior receita e melhor interação com o torcedor são alguns dos avanços esperados. E Marcus Vinícius foi ousado: disse que em três anos o Fluminense terá estádio próprio. É aguardar pra ver!

Apesar das belas palavras, o nosso CEO terá que acostumar com algumas coisas típicas do futebol. Em primeiro lugar, ele vai ser chamado de Marcão. Depois, ninguém vai dizer que ele é o CI-I-OU, mas incluí-lo na palavra “diretoria”, com todas as desvantagens próprias do termo como, por exemplo, mandá-lo praquele lugar.

Ao contrário de uma empresa, em que os sócios buscam não denegrir a sua imagem em público, o sócio torcedor vai esculhambar se a coisa não tiver indo bem. Apesar de pagar mensalidade, não terá nenhum remorso em xingar a diretoria ou fazer manifestações na chegada dos jogadores ao C.T.

Ele não quer saber de termos como “perenidade na gestão” ou “governança adequada”. Quer título! Quer vitórias! Quer ganhar partidas! Quer mandar o adversário “pro inferno” e ainda sorrir quando o rival rebaixar de divisão. E, para enfrentar isso, tem que saber lidar com a galera, inclusive nas aparições públicas. E, de povo, Pedro Abad já mostrou que não entende nada.

Mas o principal de tudo é cumprir com a palavra. “Marcão” falou que até a metade do próximo ano o Fluminense deixa de ser um clube que paga as contas com as receitas extraordinárias, como antecipação de cotas de televisão e venda de jogadores, para aproveitá-las no investimento do elenco. E vamos cobrar. E se isso não acontecer, a credibilidade inicial vai por água abaixo.

Enfim, futebol não é empresa e a turma cobra pesado. Bem-vindo ao nosso mundo! Bem-vindo o Fluminense!

Toco y me voy:

  1. Sábado à tarde, jogo no Maraca e só vinte mil pessoas. Tá difícil!
  2. Scarpa foi bem vaiado pela torcida. Apesar de nunca se omitir, está mandando mal desde o retorno da lesão. Tá na hora de sacudir o moleque mesmo!
  3. O Fluminense não conseguiu fugir do esquema defensivo do Vasco. Parecia uma equipe cheia de atletas em campo, mas sem nenhuma organização. Abel Braga é ótimo gestor de grupo, mas manda mal quando o assunto é dispor os jogadores em campo.
  4. O Sornoza tinha lugar na organização das jogadas no segundo tempo da partida de sábado. Espero que o Papá retorne bem!
  5. Não espero Taça Libertadores pelo Brasileirão. Mas ainda acredito na Copa Sul-Americana. Rumo ao título!

Evandro Ventura

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