Convicções táticas, saídas de Luiz Henrique e Fred, carinho da torcida tricolor e muito mais: leia a entrevista coletiva de Fernando Diniz




Fernando Diniz (Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense F.C.)



Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva no Engenhão

O técnico Fernando Diniz concedeu entrevista coletiva após a vitória do Fluminense por 1 a 0 sobre o Botafogo, na tarde deste domingo (26), no Engenhão, pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Confira abaixo todas as respostas do treinador tricolor:

Vitória sobre o Botafogo 

“Fluminense fez um grande jogo, divido também as próprias dificuldades que o Botafogo impôs. A gente acabou dominando a posse desde o início do jogo, mas especialmente no segundo tempo, isso ainda foi mais preponderante. Concordo que poderíamos ter finalizado um pouco melhor em alguns lances, mas a equipe está de parabéns.

Jogar um clássico que você tem praticamente 80% de posse e não cedemos quase nada de contra-ataques para o Botafogo, acho que temos que elogiar ao máximo o time. A gente sabe que no futebol a coisa mais difícil que tem é jogar contra linha baixa, e a mais fácil é marcar em linha baixa, então o Fluminense tem todos os méritos. Fizemos o gol, mas criamos outras chances, tivemos volume de escanteio, chute, finalização… Acho que o resultado de 1 a 0 não traduz o jogo de nenhuma forma.”

Ataque de torcedores alvinegros ao ônibus do Fluminense

“A gente lamenta, não porque foi no ônibus do Fluminense, isso não deve acontecer em nenhum jogo, jamais deveria acontecer. É lamentável, acredito que não tenha participação de ninguém do Botafogo, foi um fato isolado, mas enquanto isso tem a possibilidade de acontecer, talvez a gente precise de algumas medidas de segurança. Não esperar acontecer o pior para poder tomar alguma iniciativa. A gente deu muita sorte porque pegou na coluna do ônibus, se pega no vidro, talvez tivesse machucado alguém com alguma gravidade. É lamentável esse fato.”

Nonato suspenso para o jogo contra o Corinthians 

“Temos a semana para pensar bem, temos jogadores qualificadíssimos para colocar no lugar do Nonato, aproveitar para fazer um grande elogio ao Nonato, que fez uma bela partida, especialmente no segundo tempo. Mas a gente vai arrumar solução, nós temos gente para colocar no lugar. Temos um grande adversário no fim de semana e vamos nos preparar bem para entregar o melhor.”

Convicções táticas

“Todo mundo que se dedica para fazer uma coisa, não só em futebol, mas como pessoa, ao longo de três anos, tem que melhorar. Eu melhorei, na minha avaliação, como pessoa e como treinador. Nos aspectos defensivos do jogo e de melhorar a saída, aquilo que já tinha de bom. Fortalecer a minha ideia, nunca pensei em mudar minha essência no futebol, muito pelo contrário, conforme o tempo foi passando e as críticas superficiais foram aparecendo, eu tive convicção que estava no caminho certo. Em relação à parte tática, é que para o torcedor, fica a emoção do jogo. Então às vezes jogar ali atrás gera esse tipo de emoção.



Se a gente pegar o número de oportunidades que a gente criou e gol que a gente fez saindo dos pés do Fábio, contra o Atlético-MG, por exemplo, se você avaliar ali, foi o erro mais claro que aconteceu desde que cheguei e aconteceu o gol, que foi uma jogada clara. Teve um erro ali, então você fica: “Ah, essa jogada não vale a pena”. Daqueles cinco gols, em quatro o Fábio participou de alguma forma, a bola passou no pé dele. Se fosse só daquele jogo fazer uma avaliação de como é sair jogando… Só que para o torcedor fica essa emoção, e a gente tem que fazer o que de fato dá resultado. Se aquilo fosse tão perigoso assim, como vocês acham, o Botafogo teria pressionado o jogo todo.

Se você avaliar, Cruzeiro, Atlético-MG e Flamengo nos pressionaram bastante o jogo todo, e a gente fez partidas muito boas. Sair jogando contra isso aqui hoje é mais difícil do que sair jogando lá, embora pese… Uma hora você vai errar, nada é perfeito. Mas quando você contabiliza e conforme você vai passando, jogando e treinando, a tendência é que você fique melhor naquele tipo de situação.



Em relação a cruzar bolas na área, tudo é muito recente, voltei há menos de dois meses. O recurso do cruzamento é algo que a gente poderia ter feito mais hoje. Contra o América-MG, a gente fez bastante cruzamento. Hoje poderíamos ter feito alguns. Mas não é cruzar por cruzar, para ficar chuveirando bola na área é favorecer muito o Botafogo, que tem zagueiros altos. Mas em algumas situações que chegamos com a bola em velocidade e com um preenchimento de área bastante agressivo, deixamos de cruzar em algumas situações, mas isso é uma questão que com os treinamentos a gente vai ajustando aos poucos. Mas a equipe está de parabéns, acho que insistimos no jogo por dentro demasiadamente em algumas situações, mas isso é questão de refino, não é de uma vez só.”

Carinho da torcida tricolor 

“O carinho é muito bom, né? O carinho é recíproco, tenho uma afeição muito grande com a torcida do Fluminense, acho que eles também têm comigo, e podem ficar tranquilos que estamos trabalhando muito para que o torcedor tricolor se alegre cada vez mais.”

Saídas de Fred e Luiz Henrique

“Tenho uma certa similaridade entre minha chegada ao Fluminense com o Luiz Henrique e quando cheguei ao São Paulo com o Anthony, que estava no banco lá há umas cinco ou seis partidas. Eu tinha enfrentado o Anthony e sabia o tanto que era difícil enfrentá-lo. Imediatamente eu o coloquei de titular e tentei incentivá-lo ao máximo a tentar – e errar à vontade. Esses jogadores precisam ter uma permissão ao erro. E o Luiz Henrique tem uma certa timidez, o Anthony tem uma natureza um pouco mais arrojada. O Luiz Henrique estava em um momento… Teve a venda, (diziam) que não estava com a cabeça aqui ou que não conseguia jogar jogos subsequentes, então todos esses tabus foram quebrados muito rapidamente.

Na minha avaliação, o Luiz Henrique é o melhor atacante de lado do futebol brasileiro. Ele vai sair daqui com mais confiança, e ele como pessoa é daqueles que dá vontade de levar para casa, tamanha é a humildade. A gente torce muito para que dê certo lá, ele nos ajudou muito aqui, tenho muito a agradecer, e espero que um dia a gente se encontre novamente.

É duro falar do Fred. Conheci o Fred como jogador, eu estava mais perto do fim da minha carreira, e ele no início no Cruzeiro. Talvez ele seja o maior ídolo da história do clube, ou um dos maiores, ainda bem que estou tendo o prazer de conviver. Sem jogar, ele ajuda o time. Talvez o Fred seja o melhor Fred como pessoa desde que começou a carreira. Ele está leve, sabe tudo o que fez, sabe que o momento está se aproximando, então tem ajudado muito os jogadores, me ajudado, ajudado a diretoria. A gente espera que ele faça esse fechamento de uma maneira linda, porque ele merece.”

Importância de Felipe Melo

“Quando saí do Fluminense em 2019, eu fui ao podcast do Cléber Machado, e ele perguntou com qual jogador eu gostaria de trabalhar. Eu tinha o leque total de opções, respondi o Felipe Melo, tenho muita admiração. Enxergo o Felipe Melo de uma maneira que eu queria que os outros enxergassem, porque ele é muito mais o cara que na Copa de 2010 deu um passe magistral para o Robinho abrir o placar contra a Holanda, do que o jogador que cometeu um erro e foi expulso. Tentaram rotulá-lo, assim como tentaram com o Fred em 2014. São exemplos de pessoas, o cara é firme, corajoso.

No campo, quando a gente vai jogar contra, ele é um cara que ocupa um espaço gigantesco. E mais outra coisa, depois de conhecê-lo aqui, é uma luta para estar no futebol, o que ele sofre para hoje estar treinando é uma coisa impressionante. Ele não ganha um centavo a mais por isso, é pela vontade de estar no campo. Como hoje era aniversário do Felipe Melo, acho que a gente não podia perder essa oportunidade de fazer essa celebração. Fluminense jogou bem, venceu e a torcida, que já estava fazendo o reconhecimento do Luiz Henrique, também cantar o nome (do Felipe Melo). São 39 anos de idade de alguém que merece muito. Ele fez e faz muito pelo futebol. Ele agrega muito no Fluminense, e a vinda dele para o futebol brasileiro acrescentou muito ao futebol do país.”

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