Irresponsabilidade responsável




Foto: Divulgação / Fluminense FC

Utilize o cupom de desconto do Explosão Tricolor no ato da compra → explosaotricolor



IRRESPONSABILIDADE RESPONSÁVEL!

Buenas, tricolada! Final de clássico, Flamengo 3×2 Fluminense. Fernando Diniz, meu amigo, essa vai pra sua conta! Você ainda tem muito crédito, mas neste final de semana deu mole!

Não podemos enfrentar o nosso arquirrival, recheado de craques, a gente tendo a oportunidade de eliminá-los do Campeonato Carioca, e que teria, supostamente, 95% do público presente no Maraca – o que foi confirmado, com uma equipe predominantemente formada por reservas . Não dá, mermão! Sua atitude teoricamente responsável beirou a irresponsabilidade! Ou ao contrário, sei lá!

No final das contas, o prejuízo foi minimizado pelos dois gols tricolores. Mas da maneira como a peleja se encaminhava, depois do terceiro tento rubro-negro, eu temi uma goleada histórica.

O nosso treinador deve estar muito confiante de que vai papar a Taça Rio sem sustos, só pode. Sim, porque ele abriu mão de buscar uma vaga direto nas finais do Estadual, escalando o Flu desta forma. É excelente ter autoconfiança, mas um pouco de precaução também não faz mal!

Entendo que alguns jogadores precisavam de repouso, que o Depto. de Fisiologia detecta os atletas que tendem a estourar – e devem ser poupados. Sei ainda que viemos de uma viagem desgastante e de um duelo válido para a classificação na Sula – e que “presenteou” os nossos cofres com mais de uma milha, dois dias antes do confronto contra o Fla. Mas esta secular rivalidade carioca tem que ser respeitada. Que ele escalasse um mistão, caramba!

Os alfarrábios do futebol contarão, daqui a cem anos, que o “inimigo” nos bateu por 3×2 num domingo, 24 de março de 2019, pelo Estadual do Rio. Da mesma maneira que estes almanaques do esporte lembrarão também que metemos 4×0 neste mesmíssimo Fla, no Cariocão de 2018, quando eles optaram por uma equipe alternativa.

Defesa

De qualquer forma, eu queria ver alguns jogadores mesmo, especialmente num jogo como o FlaxFlu. Gostei do goleirão  “Ageneuer”. Seguro, sereno com a bola nos pés – mas não tão eficaz quanto o Rodolfo, elástico, boa colocação e tranquilo. Fez umas três ou quatro ótimas defesas, na primeira etapa. Talvez ainda deva perder mais uns quilinhos e ganhar mais massa muscular, além de corrigir a sua saída de gol, em jogadas de bolas alçadas na nossa cozinha, mas no macro ele se houve bem.

O Nino, então, foi a melhor surpresa. Sempre acompanhei este jovem zagueiro, no Criciúma, e gostava de suas atuações. Rápido, bom no jogo aéreo, plácido em suas intervenções, antecipou várias vezes os lançamentos tentados pelos meias flamenguistas, e não errou ao menos um passe, na saída de bola. Já disse aqui mesmo, ele me lembra demais o Pentacampeão Mundial com a nossa Seleção, Lúcio – guardando proporções.

A ausência de diálogo com o seu companheiro de retaguarda pode tê-lo prejudicado um pouquinho. No entanto, temos que considerar inúmeras narrativas sobre a sua participação no FlaxFlu. Era a sua estreia – logo num dos maiores clássicos do planeta. O garoto veio de um centro futebolístico menos desenvolvido e de uma Cidade que não é a Capital de Santa Catarina. O apelo em um clube gigante é sempre diferente. O Maracanã recebeu quase 50 mil cabeças, e destas, a maioria esmagadora coloria-se de vermelho e preto. Havia o natural desentrosamento com o time e com o companheiro de zaga por conta de o técnico escalar uma equipe suplente. Ele teve que se defrontar com um dos melhores ataques do futebol tupiniquim e contra uma equipe cantada em verso e prosa pelos especialistas. Etc etc etc.

Enfim, o Nino revestiu-se de coragem e personalidade para desenvolver o seu jogo. Gostei muito! Ponto!

Porém, não gostei do Léo Santos! Ele marcava o vento, no segundo gol dos caras. Olhou o Bruno Henrique receber passe de cavadinha do Diego, entre ele e o limitado Marlon. Um zagueiro não pode conviver com esse tipo de desatenção. Ele também cometeu alguns pequenos equívocos na saída de jogo, lá da defesa. Mas é jovem e vai evoluir muito.

Igor Julião, a quem tanto xingamos, fez um jogo bem honesto. Cá pra nós, mesmo sendo um dos “buchas” da nossa galera, ele é muito melhor do que o Ezequiel. Sobre o Marlon, creio que não valha a pena eu me estender. O Mascarenhas tem que se desculpar com o Diniz, por causa daquela infelicidade de explanar geral nas redes sociais, e voltar a ser utilizado. Sei que neste último domingo ele estava contundido, mas o castiguinho que o moleque vem recebendo é evidente!

Meio-campo

Allan não esteve bem, principalmente no segundo tempo. Na primeira etapa foi apenas razoável. Deu um gol pros adversários, o terceiro, por falta de cuidados e mera desatenção – além de uma certa dose de marra. Aquele toquinho com nojo jamais será útil ou proveitoso em um clássico, ainda mais na saída de jogo e quando enfrentamos uma equipe com boa qualidade técnica.

Caio Henrique foi burocrático, ainda mais quando lembrarmos de suas atuações recentes. Parece adaptado à lateral-esquerda, onde aparenta estar mais confortável hoje em dia. Mas eu prefiro vê-lo na meiúca mesmo, com o Mascarenhas pelo lado.

PH Ganso e Daniel tiveram performances similares. Mas é óbvio que o nosso camisa 10 é diferente, craque e pode decidir uma peleja em apenas um lance. Contra o Fla não foi tão exuberante, mesmo aplicando um lençol espetacular no Éverton Ribeiro. O Daniel, se compararmos a sua desenvoltura neste clássico com as últimas apresentações, poderemos até afirmar que não foi tão mal. Contudo, reitero: jogador de time grande tem que mostrar mais. Aquela carcaça de menino de 10 anos permite que apenas os fora de série joguem no meio de gente grande!

Ataque

Dia de Marquinhos Calazans Futebol Clube! Um mau começo de jogo, com ligeira melhora na metade do primeiro tempo em diante, mas uma segunda etapa soberba. Todos os nossos ataques, no segundo tempo, aconteceram pela direita, inclusive o nosso primeiro gol, quando ele entortou o Renê e colocou a bola “com as mãos”, na perna direita do Dodi! Foi o melhor do Flu, a meu ver. Repense a sua negociação, Abad!

Mateus Gonçalves errou tudo em apenas um tempo no gramado! Ele é o tipo de jogador que ainda precisa ralar muito pra convencer os tricolores de que pode ser útil. Pela enésima vez eu cravo aqui: a cada oportunidade que o Diniz oferece, o garoto se afoba, demonstra individualismo excessivo, tropeça na bola e peca por querer mostrar serviço. Assim você não vai longe na casa, rapaz!

As mexidas do Diniz

Inicialmente, eu não entendi a entrada do Dodi na vaga do Mateus Gonçalves, no intervalo. Eu esperava o Marcos Paulo. Entretanto, no decorrer do segundo tempo, percebi que o Diniz fixou o Caio Henrique pela esquerda, na segunda linha de quatro, e prendeu mais o Marlon na defesa. O moleque até entrou razoavelmente bem, fez gol e tudo, o nosso primeiro, e o time melhorou, de fato. Mas ainda há uma desconfiança generalizada sobre a sua capacidade – ele é mais um volante do nosso elenco, né?

João Pedro no lugar do Allan foi a iniciativa mais acertada do nosso treinador no clássico! A cabeçada e a balançada de redes do menino não me desmentem. Esta era a outra modificação que eu esperava do Diniz no intervalo. Reeditar a dupla de sucesso do sub-17, com o Marcos Paulo, poderia nos render melhores frutos, depois do apito final! As joias de Xerém são feras, e têm que receber mais chances no decorrer do ano. A propósito, ele passou a fazer o papel de pivô e segurar a bola lá na frente, de que nos ressentimos até o instante de sua entrada. Valeu, Jotapê!

O Pablo Dyego é um jogador razoável, que caiu nas graças da torcida por conta de um bom jogo, na Sula de 2018, quando fez gol e acertou uma bicicleta no travessão. Numa boa, assim como o Daniel, o atacante não é jogador para o Fluminense, pro meu gosto. A não ser que faça, daqui pra frente, o que nunca realizou na carreira. Eu o acompanho desde a base, sempre foi voluntarioso, esforçado, jamais escondeu-se nos jogos, mas as suas limitações são infinitas. Vejo parte da galera “exigir” a sua entrada, mas, creiam, vocês vão xingá-lo bastante.

Ah, e não estou fazendo estas referências ao Pablo pelo chute bizarro de canhota, assim que ele entrou em campo contra o Flamengo, ou pelo golpe de Kung-Fu Panda que desferiu no adversário, e sim pelo conjunto da obra – arquitetado em anos de Laranjeiras e Xerém!

Vêm aí as semis da Taça Rio! O Fluzão pegará os rubro-negros novamente. É aquilo: clássico é clássico, e vice-versa, e tudo pode acontecer. Mas, apesar do melhor nível técnico dos caras, eu não os temo. Se vamos passar à final do turno, aí somente os deuses do futebol têm a resposta. Eu confio no Flu, todavia, sei também que do lado de lá tem um time de massa, de camisa e milionário. Seja lá o que o destino decidir, ainda sou e serei FFC. Sempre!

Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon



PUBLICIDADE