Nossa Senhora do Último Passe




Nenê (Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.)



Na crônica anterior escrevi sobre o talento. Na verdade, o texto era sobre o paradoxo da virtude. Entre todas as virtudes, o talento é a qualidade que possui a maior vocação para contradição – um talento mal exercido ressoa com o peso de uma maldição terrível. Acabei fazendo de Paulo Henrique Ganso o meu personagem da semana. Uma síntese da crônica anterior: no fundo, o futebol é a vitrine, o mostruário que exibe os flagelos e paradoxos da nossa tola e débil condição humana.

Depois do jogo contra o Grêmio, no programa pós-jogo do Laranjeiras Rádio, eu havia dito que o Fluminense pecava no último passe, no acabamento da jogada. Sem que houvéssemos combinado, meu companheiro de redação, Vinicius Toledo, no pós-jogo do Explosão Tricolor, desenhou a mesmíssima e insofismável sentença – pecamos no acabamento da jogada. Em todos os programas de esportes, jornais, portais, bares e igrejas, a verdade unânime ecoava: faltou o último passe, o esmero na hora da assistência. 

De tal modo, como se houvéssemos combinado, como se fizéssemos parte de um complô ou uma conspiração, todos os tricolores repetiam um mesmo mantra, um mesmo slogan e uma palavra de ordem – faltou capricho no último passe.  Percebendo o amontoado quase infinito de opiniões coincidentes, pensei: vou acender uma vela para Nossa Senhora do Último Passe, para a padroeira das assistências, a Santa Milagreira das chances de gol.

De acordo com veredito da razão numérica, da estatística, o Tricolor é um time que cria pouco. Inversamente, o Time de Guerreiros tem sido eficiente nas finalizações, efetivo na hora de encaçapar as poucas chances que inventa. Diante do fato resolvi acender uma vela para a Santa Padroeira da assistência, Nossa Senhora do Último Passe. Como qualquer devoto dobrei os joelhos e, com fé e humildade, entoei no pensamento a oração da Santa:

Nossa Senhora do Último Passe.

Santa Padroeira das chances de gol.

Ilumine os nossos passadores e armadores.

Perdoai os passes errados, a falta de capricho.

Assim como nós perdoamos o perna de pau que maltrata a bola.

Amém.

Contra o Palmeiras, na etapa inicial, nosso Tricolor foi pouco criativo. Nosso melhor ataque foi de bola parada, um gol anulado pelo VAR. O Palestra começou com o ímpeto de quem joga em casa, tentou dominar o meio-campo e, ao mesmo tempo, tentou forçar o jogo pela esquerda. O Flu foi bem defensivamente, suportou a pressão e equilibrou as ações no meio-campo. No primeiro tempo, as chances mais perigosas foram do Palmeiras. Mas, no geral, o zero a zero parecia justo. Nenhuma das duas equipes recebeu a benção de Nossa Senhora do Último Passe.

O Palmeiras fez uma nova blitz. A segunda etapa começou com uma nova pressão do alviverde. Aos 3 minutos, em lance fortuito, os palestrinos obtiveram um pênalti. Uma infração mal marcada, injusta e grosseira. O videotape também erra. O VAR é burro. De pênalti, os donos da casa abriram o placar. Depois do gol adversário, o Gigante de Laranjeiras precisou fazer o que não sabe: propor o jogo para virar o placar. Desorganizado, pouco articulado, o Fluminense sofreu o segundo gol. Antes dos 15 minutos da etapa complementar, o Tricolor era um time vencido e, claramente, sem chances de reação. O jogo terminou 2 a0.

A verdade é única: sem a benção de Nossa Senhora do Último Passe, o segundo turno será um calvário para o torcedor Tricolor. Repito: no fundo, o futebol é a vitrine, o mostruário que exibe os flagelos e paradoxos da nossa tola e débil condição humana. O maior defeito do Fluminense de 2020 é a escassez de chances de gols, a incapacidade de criar a jogada ofensiva.

Nossa Senhora do Último Passe jogai por nós…

Teixeira Mendes



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Confira a agenda tricolor nos próximos cinco jogos no Brasileirão:

22ª rodada

22/11 – Domingo – 18h15  – Internacional x Fluminense – Beira-Rio

23ª rodada

30/11  – Segunda-feira – 20h – Fluminense x Red Bull Bragantino – Maracanã

24ª rodada

05/12 – Sábado – 19h  – Fluminense x Athletico-PR – Maracanã

25ª rodada

14/12 – Segunda-feira – 20h  – Vasco da Gama x Fluminense – São Januário

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