O gosto pela sofrência




FOTO: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C. (DIVULGAÇÃO)



O GOSTO PELA SOFRÊNCIA
Copa do Brasil 2019, primeiro confronto da quarta fase de mata-matas, Maracanã, e final de jogo com vitória tricolor. Fluminense 2×0 Santa Cruz. Diriam os alvoroçados: ótimo placar! Eu retruco: diante do que vimos, o Flu deveria ir a Recife na quinta-feira da semana que vem a passeio!
Dois a zero seria excelente contra o Grêmio. Contra o Corínthians. Contra o Galo. Contra o Flamengo. Ante ao Santinha, definitivamente não! Especialmente pelo fato de termos convivido com a chance de acabar com o sonho pernambucano. Se virássemos de tempo com 4×0 – ou mais – não seria exagero. Ou injusto.
Desandamos a perder gols. Logo aos 24 segundos, o Speed desperdiçou duas oportunidades inacreditáveis no mesmo lance. Depois disso, o Luciano perdeu umas três ocasiões claras de balançar as redes, o Everaldo uma, o próprio Yony outras duas… Caramba, que gosto pelo sofrimento! Que falta de capricho! Que sanha! Pior é que elas podem fazer falta, porra!
Aula no primeiro tempo
Alguns podem desmerecer o nosso adversário quando dissermos que passeamos na primeira etapa, esquecendo-se que enfrentamos, até aqui, equipes iguais ou piores que a Cobra Coral nordestina. Mas passeamos mesmo! Demos aula de futebol! As tramas envolventes neste primeiro período fizeram-nos lembrar do Fluminense do Diniz de dois meses atrás. E que nos brindaram com ótimas apresentações e vitórias convincentes, como nas semis da Taça GB, contra o Flamengo!
Jogadas pelo meio e pelos lados ocorriam em profusão. Quase quatrocentos passes – com 95% de acertos. Quatorze finalizações contra zero – nove reais chances de gol. Oito escanteios contra um, e 72% de posse de bola… Tudo isso no final do primeiro período de jogo.
Lá na cozinha, Rodolfo foi um mero espectador. Nino e Matheus Ferraz estiveram soberanos. Gilberto fazendo-nos ter esperanças de vê-lo novamente na sua melhor condição. Caio Henrique desfilando em todos os setores do campo – mas não sendo um virtuoso, como nos demais duelos.
No meio, Aírton muito bem, mesmo estando visivelmente fora de condições. Allan demonstrando que o torcedor está certo ao exigir a sua prorrogação de empréstimo. PH Ganso bastante abaixo de suas melhores aparições – aliás, o nosso camisa 10, pelo que me lembre, deu-nos o gostinho de quero mais apenas nos quatro primeiro jogos com o nosso manto.
No ataque, Yony Gonzales, mesmo desperdiçando chances absurdas, houve-se muito bem. Luciano, como eu mesmo já decretei aqui no Explosão Tricolor, numa outra coluna, atuando como termômetro do time – se ele tem boa performance, o nosso ataque flui a contento. E o Everaldo sendo aquela válvula de escape pela esquerda. Ainda assim, creio que o nosso pontinha já assumiu definitivamente a aura corinthiana… Ele está com a cabeça em Sampa, só pode! Seu brilho está sendo ofuscado há umas quatro partidas.
Segundo tempo e o futebol ficou no vestiário
É impressionante como a nossa equipe oscila, de um tempo de jogo para outro! Voltamos para a segunda etapa sonolentos, apresentando aquela mesma indolência dos últimos jogos, sem criatividade… As boas tramas desapareceram! OK, o Santinha veio modificado e mudou de conceitos no vestiário, mas a diferença técnica entre os elencos é abissal!
Transformamos uma classificação praticamente sacramentada em desatino. Não consigo compreender como uma equipe varia tanto dentro de um mesmo confronto! Sem essa de time em formação! Não engulo!
Na volta do intervalo, o Diniz já promoveu uma alteração: saiu Aírton e entrou Léo Artur. Pensei com os meus botões que o nosso jogo melhoraria, já que o substituto do nosso volante é mais ofensivo, busca aproximação com o ataque, tem bom passe e chuta bem a gol – mesmo desentrosado e estreando. Ledo engano! O time mostrou-se embolado, as jogadas pelos lados cessaram e, pra variar, começamos a escolher mal o último passe. Ora batíamos para a meta adversária, quando deveríamos optar por um companheiro melhor colocado. Ora prendíamos demais a pelota e a perdíamos. Ora a passávamos, no lugar de finalizar. Enfim, desandou a maionese.
Para os amigos terem uma noção, eu fiquei mais irritado com o término da peleja do que feliz com os dois a zero! Ratifico: era pra gente ir a Recife na próxima semana somente pelas boas praias. Apenas para visitarmos os pontos turísticos da Capital de Pernambuco. Para ouvir frevo à vontade, nas ruas de Olinda! Ou para desfilar ao lado dos bonecos gigantes dos Carnavais fora de hora daquela região!
Tivemos mais uma ou outra oportunidade de ampliar o marcador, mas o conformismo com o placar já estava implícito, principalmente depois das contusões do Gonzales, do Ganso e do Luciano, que jogou metade da etapa complementar visivelmente no sacrifício – o Diniz já havia efetuado as três alterações.
E a arbitragem, hein?
Beleza, o Flu não resolveu a classificação neste jogo de ida pelos seus próprios erros, que são recorrentes nos últimos confrontos, mas a arbitragem brasileira é uma vergonha!
Pênalti claríssimo no Luciano e gol mal anulado, deste mesmo Luciano. De repente, se tivéssemos goleado por 4×0, nos valendo destes dois equívocos incríveis, os meus comentários e críticas aqui seriam menos ácidas.
A volta do ídolo
Bom ver o nosso Pedro em campo de novo. É alento. É esperança de bola na rede. É o retorno do artilheiro. É a glória do ídolo.  Nítida a sua falta de ritmo, evidente a sua dificuldade inicial, além da natural ansiedade depois de duzentos e tantos dias no estaleiro, mas a sua entrada nos enche de novas expectativas. Bem-vindo de volta, meu craque!
Ah, Fernando Diniz!
Numa boa, não suporto mais escrever a respeito das mexidas do nosso treinador. Não aguento mais falar de Dodi. Putz, que cisma de merda! O cara via de regra leva 12 atletas para o banco de reservas, o Dodi sempre é relacionado, e o Dodi sempre entra. Sai o camisa dois, entra o malandro. Sai o camisa cinco, entra o malandro. Sai o dez, entra o malandro. Sai o nove, entra o malandro. Cacetada, é pacto com o capiroto???? Só falta o Diniz testá-lo no lugar do Rodolfo!
O moleque entrou e só fez cagadas. Começaram algumas vaias quando ele tocava na pelota. Quando cometia erros bisonhos, então, o povo caía de pau. Até para preservar o jogador – querendo ou não, ele é patrimônio do clube – eu acharia legal o Diniz repensar a sua utilização. Daqui a pouco, o garoto não terá mais clima nas Laranjeiras. Teimosia tem data de validade, meu cumpadi!
Reitero: estou fechado com o Fernando Diniz, temos que deixar o cara trabalhar, o Flu de hoje joga mais bola que o Flu de ontem, mas paciência tem limites. A minha já está indo pro saco!
O desfecho
Creio na nossa classificação para as oitavas de final muito mais pela fragilidade dos caras do que pelos nossos méritos – se mantivermos essa inconstância. Fazendo um golzinho lá no Mundão do Arruda, os sujeitos terão que se abrir, e aí o bom resultado torna-se mais acessível e viável.
Entretanto, o que mais me incomoda é não recordar a última boa e uniforme apresentação tricolor. Igual nos dois tempos. Que tenha passado segurança à galera durante os 90 min.! Talvez tenha sido contra os rubro-negros, na referida semifinal da Taça GB. Faz tempo, caceta!
No mais, rapaziada, é Fluzão nas cabeças! Bola pra frente e fé na classificação!
Saudações eternamente tricolores!
Rapidinhas:
– Leo Artur entrou tímido, o que é aceitável. Ainda assim, talvez ele tenha sido mais participativo do que o PH Ganso.
– Nino vai ganhar a posição do Digão, se o Diniz for justo. O moleque é firme, tranquilo e parece que joga em time grande há séculos. O Flu tem que fazer um esforço (use a grana reservada pro Everaldo) e comprar parte dos seus direitos econômicos.
– Pelo que disse o Édson Viana, repórter da Globo, o Everaldo está próximo do adeus, mesmo. O pai do jogador já cravou a sua ida pro Corínthians. Se proceder esta informação, o Diniz tem que escolher o seu substituto desde já, para o próximo duelo contra o Santa Cruz.
– Gostei da opção do Diniz, que sequer relacionou o Calazans pro banco. Esses moleques têm que aprender a reverenciar a instituição centenária FFC. Que ele seja feliz no São Paulo.
– O próximo “afastado” deveria ser o Everaldo, se a notícia dada pelo seu pai for verídica. Ele quer vazar, então que vá com o Criador. Não pode é o Flu continuar utilizando os seus serviços se a sua saída é iminente.
– Acho que o Caio Henrique já deu na lateral-esquerda. Em vez de Guilherme, Kelvin ou outro especulado qualquer, que tragam um jogador para a posição, pra fazer sombra ao Mascarenhas. Sim, porque Marlon não rola – nem foi relacionado contra o Santinha.
– Tomara que a lesão do gringo não seja grave. Ele não é nenhuma sumidade, mas a sua importância para o time é evidente.
– Rio do Desespero: tentaram roubar o carro do lateral Gilberto depois do jogo, na Linha Amarela. Até quando seremos reféns dentro de nossas próprias casas?



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