Sobre o Maracanã e transparência




Foto: Vinicius Toledo / Explosão Tricolor



Na prática, segundo foi divulgado, o Fluminense assumirá a gestão do Maracanã com o Flamengo. No entanto, o contrato foi assinado apenas com o clube da Gávea. Não foi à toa, que o governador Wilson Witzel fez questão de dar a seguinte declaração: “O contrato é com o Flamengo. Se ele vai decidir com o Fluminense as decisões, isso é problema deles. Vou cobrar é o Flamengo”, declarou o governador do Estado do Rio de Janeiro.
Em termos jurídicos, o Flamengo é o permissionário e o Fluminense é interveniente. E isso se deve ao fato do Tricolor não ter as certidões negativas de débito (CND). Esse tema gerou diversas discussões nas redes sociais e nos bastidores da política verde, branca e grená. Resta saber o que diz o contrato sobre eventuais descumprimentos do Tricolor. Vale lembrar que a vigência contratual é de 180 dias, com validade a partir do dia 19 de abril, e possibilidade de prorrogação por mais 180 dias.      
De forma bem direta, digo que o Fluminense realmente não poderia ficar de fora dessa. Entretanto, é impossível não ficar preocupado. Ainda mais se considerarmos o histórico de fiascos da gestão Pedro Abad/Peter Siemsen/Flusócio e o fato do Flamengo querer assumir o controle sozinho.
É inegável que a participação da torcida será de extrema importância, mas ela não pode ser colocada na parede como a única forma do clube obter êxito à frente da administração do Maracanã. Uma boa gestão será ainda mais fundamental que a própria torcida.
Logo de cara, a operação realizada em dia de jogo tem que ter o seu custo reduzido. Há anos, os borderôs apontam alguns custos que estão com valores visivelmente acima do que geralmente são cobrados no mercado. Essa é uma obrigação imediata, que deve ser tratada com total prioridade.
A política de precificação dos ingressos é algo que o Fluminense deve avaliar com muito equilíbrio. Historicamente, a torcida tricolor jamais teve presença regular no estádio. Na história recente, só vi isso acontecer três vezes: Taça Libertadores 2008, sequência de jogos da arrancada de 2009 e o primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2010.
Há tempos comento aqui neste espaço que o caminho é o de investir pesado na torcida. Na minha visão, o atual plano de sócio torcedor é bastante vantajoso. Já os preços dos ingressos, acredito que ainda tenham que sofrer uma redução. Não adianta querer jogar o valor lá em cima com o objetivo de forçar o torcedor a se associar “na marra”. Essa medida já provou que é fracassada, mas o clube segue insistindo nela há anos.    
Como um dos gestores do estádio, o Fluminense necessita ser criativo para atrair o seu torcedor. No jogo da próxima quarta, contra o Santa Cruz, por exemplo, achei muito positiva a política de compra de ingresso adotada exclusivamente para os sócios. Bola dentro! Só que para o clube fechar a conta no Maracanã, será necessário muito mais que isso. Ideias tem aos montes, poderia até listá-las aqui, mas fica a torcida para que os responsáveis consigam fazer com que o novo negócio do Fluminense tenha total êxito. Vale lembrar que o clube terá um custo fixo mensal de cerca de R$ 1,2 milhão. Ou seja, não há brecha para errar, ainda mais com o Flamengo ao lado.
Não poderia deixar de comentar sobre a importância da transparência. Supondo que o Fluminense consiga apresentar as certidões negativas de débitos ainda com o Pedro Abad à frente da presidência, quem assinará o contrato de concessão do Maracanã? A pergunta é válida pelo fato do mandatário tricolor ser auditor da Receita Federal. Sendo assim, ele não poderia nem participar de reuniões com o Governo. Lembrando que não há vice-presidente geral no Fluminense. Cheguei a entrar em contato diretamente com a assessoria do presidente para saber se ele está licenciado do seu cargo no órgão federal, no entanto, a resposta que recebi foi a seguinte: “Vamos apurar”. Até o fechamento deste texto, passaram mais de 24 horas sem qualquer tipo de retorno da assessoria.   
Apesar de tantos problemas e de uma desastrosa diretoria, a torcida tem que abraçar o Fluminense. Até o momento, a única certeza que temos é a de que a eleição presidencial não passará do mês de novembro. Portanto, o torcedor tem que iniciar o mais rápido possível o processo de “pavimentação da estrada tricolor”, ou seja, se associar, comparecer aos jogos e ajudar de todas as formas possíveis sem jamais deixar de cobrar transparência, organização e responsabilidade. 
Considerando a política do sistema que domina o país, o Fluminense só sobreviverá através do apoio do seu torcedor. Essa é a maior verdade de todas.  
Forte abraço e Saudações Tricolores! 

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