Sandálias da humildade e coragem

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A partir do momento em que você se vê num beco sem saída, o jeito é se entocar num canto, fazer uma boa reflexão, traçar uma estratégia, calçar as sandálias da humildade e tentar dar a volta por cima de forma responsável e equilibrada. Acho que isso aí define bem a atual situação do Fluminense. 

Apesar de alguns indivíduos criticarem Xerém, não há como deixar de exaltar a relevância do trabalho realizado por lá. Ainda tem que melhorar, em especial, na formação de goleiros, laterais e zagueiros. O mercado tá carente nestas posições e o Fluminense tem comido o pão que o diabo amassou para montar sistemas defensivos confiáveis ao longo dos últimos anos. Contratar lateral e zagueiro hoje em dia não é uma missão nada fácil.   

Para o elenco desta temporada, o Fluminense liberou o bom volante Marlon Freitas. O garoto se destacou na liga norte-americana em 2015, retornou em 2016, mas não fez um jogo sequer no profissional. Em compensação, em meados de 2106, o clube renovou o contrato do Pierre até o final de 2017 com vencimento mensal que beira a casa dos R$ 200 mil. Agora, o Luiz Fernando, outra cria de Xerém, que estava no STK Samorin, retorna com o status de “melhor volante da Eslováquia”. O clube ainda promoveu o Mateus Northon, que chegou do Aymoré-RS, no início de 2016, e fez uma excelente temporada pelo time sub-20. 

Com três volantes promissores, sendo que dois deles possuem até experiências internacionais, pergunto: qual a necessidade de contratar o volante Matheus Sales? Tudo bem, as referências dele são boas, só deu azar do Palmeiras estar com um sensacional elenco, mas será que vale mesmo a pena contratá-lo? Qual será a condição do negócio? O garoto virá com preço fixado de quanto? Vale mesmo a pena o Fluminense estagnar pelo período de um ano as carreiras de três promessas nossas da mesma posição para valorizar o jogador de um rival? Futebol hoje em dia é muito dinâmico. Basta qualquer garoto desse jogar seis meses em alto nível para surgirem “n” propostas do exterior.  

Não quero polemizar, apenas gostaria de esclarecimentos e, principalmente, transparência na nova política de fazer futebol no Fluminense. Não dá mais para a torcida ficar com vários pontos de interrogações na cabeça. Enquanto o Palmeiras empresta uma promessa dele ao Fluminense, nós emprestamos as nossas para o Vila Nova-GO, Tupi-MG, Londrina e tantos outros clubes inexpressivos. Além de não adquirirem um espírito competitivo compatível com a nossa grandeza, os garotos não valorizam em nada em termos financeiros. Clube e jogador acabam perdendo.

Espero que a diretoria calce as sandálias da humildade e tenha a coragem necessária para bancar uma nova filosofia na gestão de futebol que zele mais pelo bem do Fluminense, caso contrário, de nada adiantará investir em Xerém. O clube precisa de soluções a curto prazo. O projeto na Eslováquia é inovador, acredito que dará certo, mas não resolverá os nossos problemas de forma imediata. Outra coisa importante: o torcedor tricolor tem que cobrar, mas também tem que apoiar a garotada que está subindo para o profissional e os equatorianos que chegaram. Se não valorizarmos os nossos, quem valorizará?

Já passou da hora do Fluminense voltar a ser Fluminense em todos os sentidos.

Saudações Tricolores!

Vinicius Toledo / Explosão Tricolor  

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