Cinquenta e dois minutos depois do nada




Yago Felipe (FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC)

Eu anotei umas seis páginas (pequenas) sobre o Fla-Flu desta quarta-feira (06) vencido, Claro, pelo Tricolor. Mesmo assim, quero fugir do padrão que estabeleci aqui nas colunas que escrevo sobre os jogos. Dessa vez, em vez de descrever como foi o jogo e dar os meus pitacos e impressões aqui e ali, vou tentar fazer algo mais livre, dar uma invertida nisso. Ou melhor, irei arriscar uma virada “à la Fluminense” na vitória por 2 a 1 diante do Flamengo, no Maracanã, pela 28ª rodada do Brasileirão.

Até o início do segundo tempo, a semana tricolor estava sendo pavorosa: eliminação diante do rival pelo Brasileirão Sub-20, empate do time sub-17 sofridos nos acréscimos pela Copa do Brasil da categoria e, por fim, mas ainda mais trágico, a meu ver, a desistência da renovação de Marcos Paulo. Ah! Também teve o primeiro tempo triste, triste, triste que fizemos. Jogando no contra-ataque com Hudson e Yuri, tínhamos dois zagueiros rivais infiltrados no nosso time. Só pode! Mesmo assim, o estrago foi pequeno e só saímos para o intervalo com um gol de desvantagem.

O tento rubro-negro foi marcado pelo uruguaio Arrascaeta já aos 40 minutos da etapa inicial, mas o que mais me irritou no gol nem foi ver a bola entrando após um desvio de Matheus Ferraz que saiu pela culatra. O pior mesmo foi ver o Yuri dando um bote errado na esquerda que resultou no gol. Hoje, ele mostrou que dá errar tudo e ainda sim seguir em campo até o fim.

Na volta do intervalo, o restante do time entrou no gramado para fazer companhia ao volante — o Marcos Felipe retornou também, ainda que não tenha tido que repetir as grandes defesas do primeiro tempo. Depois de sei lá quantos jogos modorrentos e apáticos, o time de Guerreiros fez uma boa exibição no segundo tempo, com um empurrãozinho do psicológico abalado deles, é verdade. De qualquer forma, isso é problema para os derrotados, não para a gente.

O Fluminense deu mostras de que o segundo tempo seria diferente do vexame do primeiro desde o início, e não demorou a balançar as redes para comprovar isso. O autor do gol de cabeça aos 10 minutos foi o Luccas, Claro. Tira o olho, Tite! Deixa ele aqui com a gente subindo mais do que todo mundo e metendo o seu sexto tento na temporada. Quatro minutos depois, o Flamengo teve o seu último lance perigoso no jogo em falta de Arrascaeta que bateu no travessão. Aos 17 minutos, foi a vez do nosso uruguaio acertar a trave. Michel Araújo chamou os zagueiros para dançar e viu o Rodrigo Caio pererecando diante dele. A bola, contudo, foi caminhando lentamente em direção à trave. Nessa hora, o coração de todo tricolor certamente veio na garganta.

O Michel realmente entrou no jogo na segunda etapa e, após boa roubada de bola, quase deu origem ao gol da virada aos 21 minutos. A bola, porém, foi lutando com o “insinuante” Felippe Cardoso, segundo o pessoal do canal quatro, até se cansar. Uma pena, pois o goleiro deles tinha conseguido o feito de ser driblado pelo substituto de Fred. No fim, a porradaria entre a pelota e o centroavante acabou sendo esquecida com facilidade — teve outro embate, mas é melhor nem pensar nisso. A gente pode fingir que não se lembra, que não viu ele em campo… Falando em ver, para quem o Felipe Luís tocou no minuto 48? Pro nosso Felipe, o Yago, que deu um tapinha e soltou o freio de mão do seu fusquinha.

Pensando apenas em tabela, uma partida fantástica. Estamos vivíssimos na briga por uma vaga na próxima Taça Libertadores. Pensando em atuação, gostei bastante dos 52 minutos que jogamos depois do nada que foi o primeiro tempo.

Curtinhas:

– Bela partida de Marcos Felipe, Luccas Claro e Yago. O terceiro, inclusive, foi um sopro de vida no trio de volantes.

Fred também esteve bem pela segunda partida consecutiva. Líder nato. Fora isso, deu um passe digno de camisa 10 (de novo).

– Confesso que estava preocupado demais com o jogo deles pelas nossas laterais, ainda mais após assistir o primeiro tempo. Mas, no segundo tempo, quem teve velocidade e ousadia fomos nós.

– Não quero pensar em tragédias durante uma madrugada feliz como esta. Não quero pensar no “caso Marcos Paulo”.

– Estreamos com o pé direito em 2021. Que seja assim durante os próximos dez jogos.

– Que golaço do João Neto na partida do time sub-17. Bate muito bem de fora com a canhota.

Saudações Tricolores, galera!

Carlos Vinícius Magalhães

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