Coletividade, a marca registrada de Fernando Diniz






COLETIVIDADE, A MARCA REGISTRADA DE FERNANDO DINIZ!

Buenas, tricolada! Pouca gente se deu conta, mas a grande vantagem do Fluminense com a saída do Everaldo é que agora poderemos atuar como um time. A coletividade, daqui por diante, será privilegiada – e sempre tem que ser, de fato. São onze trajando o nosso manto, caramba! Acabou a “everaldodependência”, graças a Deus!
Ou os tricolores se esquecem de que TODOS OS NOSSOS ATAQUES E CONTRA-ATAQUES tinham obrigatoriamente que passar pelos seus pés até este último duelo, o da virada memorável, apoteótica, épica, histórica e improvável contra o Grêmio? O malandro era o carimbador de bolas oficial do FFC!
Neste jogaço, assistimos no segundo tempo a uma equipe tricolor coesa, variando as tramas, atuando pelos dois lados e pelo meio, e utilizando-se de todos os jogadores disponíveis no campo de jogo! Nada de recuperar a pelota e desafogar na esquerda. Tipo: deem no Everaldo que ele se vira! Não se virava. E por várias razões: não tinha talento pra ser “o cara”, a jogada ficou manjada e os adversários sempre dobravam – ou triplicavam – a marcação, nas oportunidades que poderiam dar caldo ele via de regra optava pela mesmice, não caprichava, errava o último passe ou escolhia a pior precedência… Faltava repertório ao jogador, esta é a verdade.
Não estou aqui crucificando o ex-atacante tricolor, pois ele foi muito útil em diversas partidas desde o ano passado, mas não há como combater as evidências. A seu favor, Everaldo jamais demonstrou corpo mole, era dedicado ao extremo e não tirava pé de dividida – mesmo quando começaram os zunzunzuns sobre o interesse de outros clubes. Ademais, este tal desafogo era aquiescido pelo Diniz e praticado pelos seus companheiros, que entendiam essa alternativa como a melhor opção.
Entretanto, é aquilo, rapaziada, e venho pontuando este detalhe há várias colunas: ele é até um bom jogador, mas prende demais a bola, joga de cabeça baixa, não sabe chutar a gol e é músico de uma nota só. Então, eu mesmo questiono a minha própria avaliação: será que ele é tão bom assim?
Muitos lembrarão a importância tática do Everaldo na recomposição defensiva pelos lados. E eu tenho contrapartidas na ponta da língua.
Em primeiro lugar, ele não marcava bem, tanto assim que volta e meia tomava cartões amarelos por faltas e carrinhos desproporcionais, típico de quem tem dificuldades de retomar a posse de bola de forma limpa – e que na verdade não era a sua praia. Ele cumpria tal função ocupando espaços e inibindo as subidas e triangulações dos “inimigos” pelo seu setor do campo.
Em segundo, sou afeito a seguinte máxima: é bem mais tranquilo a gente educar um jogador a marcar, ocupar os referidos espaços, dedicar-se taticamente e até mesmo a defender do que ensiná-lo a jogar (bem) bola!
Reiterando, o futebol é um esporte coletivo, e coletividade é marca registrada inquestionável do Fernando Diniz. Quando tivermos que depender de algum jogador, que sejam o Castilho, o Samarone, o Flávio Minuano, o Riva, o PC Caju, o Assis, o Romero, o TS3, o TN10, o Deco, o Conca, o Fred ou o Pedro. Não o Everaldo, né, galera?
Quanto ao Fernando Diniz, que parece ter caído na real e decidido mudar de posturas (reconheceu o seu erro de escalação contra o time dos pampas), e ratificando o que 99% dos torcedores vêm pregando, ele deveria sacar o Aírton ou o Bruno Silva – ou ambos! Os caras não podem atuar juntos, lado a lado, diante de equipes rápidas, que buscam contra-ataques e também as de melhor qualidade. Podem entrar ali na contenção o Caio Henrique – com o Mascarenhas ou mesmo o Julião, temporariamente, assumindo a lateral; e o Allan – ou o Zé Ricardo ou o Yuri, que está chegando e é bom jogador. Nosso treinador igualmente tem que promover logo o Pedro a titular, na vaga deste mesmo Everaldo e, lógico, aguardar o retorno do PH Ganso para encaixá-lo na meiúca.
Ah, e chega de escolher somente marcadores pro meio-campo, por favor! Joga-se com três volantes quando sobram-lhes predicados técnicos, o que não é o nosso caso atual. Duvido que houvesse reclamações se os escolhidos fossem Jandir, Pintinho e Deley, por exemplo!
Apenas para não cair no esquecimento, mantenho-me fechado com o bom trabalho do nosso técnico e não desejo a sua substituição em hipótese alguma. Mas críticas, favoráveis ou não, fazem parte do pacote-torcedor. Direitos adquiridos, compreendem?
No mais, esta equipe comprovou lá no Sul aquilo que venho contemplando sistematicamente: o nosso elenco não é uma merda, como a maioria dos torcedores quer rotular. É de mediano pra bonzinho, dentro da realidade tupiniquim, especialmente se lembrarmos dos nossos grupos de jogadores dos últimos quatro anos. Falta uma tentativa de igualar mais as peças de reposição com os tidos titulares, OK! Mas o nível da maioria dos clubes da Série A da mesma forma não é tão superior ao nosso… Apenas uns cinco têm pé de obra mais qualificado!
Dá pra ganhar o Brasileirão? Difícil e improvável! Mas beliscar uma das Copas não é nada impossível!
Saudações eternamente tricolores!

Ricardo Timon

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