Esclarecendo as contas do Fluminense




Foto: Fluminense FC



Análise das contas do Fluminense no primeiro semestre de 2018

Não galera, não vou fazer conta pra não cair. Sei que assim como eu todo mundo está nervoso com o time do Fluminense e com essa gangorra que vivemos no Brasileirão. Mas como disse meu amigo Vinícius Toledo, a culpa não é dos jogadores; a diretoria sabia o que eles podiam fazer. Trouxeram por amadorismo e agora amargamos essa cruz até o fim do ano. Lamentável!

A notícia da semana, porém, é a divulgação do Balancete Semestral do Fluminense. De acordo com a diretoria, o clube teve um superávit de pouco mais de R$ 4 milhões até o final de junho deste ano. Motivo para comemorar? Acalmem-se, em se trata28ndo de Flusócio as boas notícias devem ser analisadas com vários olhos.

Uma coisa é certa: se compararmos com a Demonstração de Resultado do primeiro semestre de 2017, a coisa melhorou. No ano passado o clube teve um prejuízo de R$ 40 milhões no mesmo período, ou seja, quase dez vezes o resultado positivo deste ano. Isso, sem dúvida, é uma boa notícia.

Mas o último balancete divulgado pelo Fluminense possui diversas informações que merecem uma reflexão mais serena sobre o momento que o clube passa. Desde logo aviso que não será feito um trabalho contábil, mas apenas questionamentos e análise dos números que exigem uma pronta resposta da diretoria.

Comecemos pelo repasse dos direitos federativos de atletas, também conhecido como venda de jogadores. No primeiro semestre de 2017 o Fluminense arrecadou apenas R$ 3 milhões neste item, ao passo que agora a arrecadação foi de R$ 37 milhões aproximadamente. Ou seja, se não fosse a transferência de atletas o prejuízo seria na casa dos R$ 33 milhões.

Outro aspecto que merece atenção é o resultado de bilheteria. No ano passado foi arrecadado algo em torno de R$ 9 milhões com ingressos, sendo que no primeiro semestre deste ano a arrecadação caiu quase que pela metade, totalizando R$ 4.700 milhões. Uma baita diminuição que mostra o afastamento da torcida tricolor do estádio e a completa falta de simbiose entre o time, a diretoria e o torcedor. Receita infalível para a bancarrota.

Outra grande falha incontestável dessa administração é o programa de sócio-torcedor. Se nos seis primeiros meses de 2017 arrecadou-se R$ 2.025 milhões, neste ano a arrecadação foi de R$ 2.379 milhões. Isso significa que muito pouco ou quase nenhum investimento foi feito no período exatamente no programa que poderia ser a união entre a arquibancada e o time e alavancar as contas tricolores.

Outro aspecto que deveria ter avaliação positiva é a diminuição da folha de pagamento. No primeiro semestre do ano passado ela foi de pouco mais de R$ 56 milhões; neste ano, um pouco acima dos R$ 47 milhões. Mas adivinhem onde foi a redução? Isso mesmo, no futebol. Passou de R$ 49 milhões para R$ 40 milhões. No esporte olímpico e na parte social a redução foi pífia, o que demonstra que as comemorações com a Flusócio devem ser muito contidas.

Outra despesa que também é emblemática é aquela descrita como “serviços de terceiros” ou “serviços profissionais”. Para não errar, vou colocar a conta exata: no primeiro semestre de 2017 o gasto nesta área foi de R$ 17.168 milhões; em 2018, foi de R$ 16.534 milhões. Ou seja, em um ano a Flusócio reduziu mais de R$ 9 milhões com o futebol e apenas R$ 600 mil com os tais “serviços”.

E o que seriam esses “serviços de terceiros” ou “serviços profissionais”? Nada mais são que as contratações de pessoas jurídicas que inundam o clube e muito pouco representam no cotidiano do futebol. É gente contratada para as mais diversas áreas e que tomam forma de pessoa jurídica para diminuir – consideravelmente – os custos com pagamento de impostos, tanto do clube quanto do próprio contratado.

E a pergunta que não me sai da cabeça é: quem são essas pessoas? Quantos são? O que fazem? Quanto ganham? A manutenção delas, com elevado padrão salarial, é mais importante ao clube que a montagem de um time competitivo? Nada disso é devidamente esclarecido porque não há a devida transparência.

Já escrevi por diversas vezes que o Fluminense não respeita da Lei do PROFUT, que exige a transparência integral aos sócios e ao torcedor. As publicações desses balancetes auxiliam muito pouco na análise do que realmente acontece nas entranhas das Laranjeiras.

Querem mais um exemplo: só neste ano foram gastos mais de R$ 12 milhões com “despesas gerais”. O que é isso? Seria o gasto com os materiais e despesas necessárias à manutenção do clube? Até acredito que sim, mas o presidente nunca explicou, o que deixa um vazio de informações não preenchido. Vale lembrar que neste item não estão as despesas com jogos e competições, que está em outro ponto. A propósito, ela ficou perto de R$ 9 milhões este ano.

Ausência de informações, afastamento do torcedor, baixo investimento em comunicação institucional e com a torcida, sócio-torcedor minguado e estádios vazios; essas são as receitas da Flusócio para comandar um clube imenso com o Fluminense. Desse jeito, só a venda de jogadores e o pagamento de direitos de transmissão para manter as portas abertas.

Mas a esperança ainda nos consola: o Fluminense somos todos nós; cada um deve continuar fazendo o seu papel de torcedor e cobrar diuturnamente uma melhor administração do clube que amamos. Só a união da galera para superarmos a herança deixada por Peter, Abad e tantos outros que os antecederam e não deram o devido tratamento ao maior Tricolor do país.

Ser Fluminense acima de tudo!

Evandro Ventura



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