São João queimando nas Laranjeiras!




Ah, o Fluminense! Quando os olhares do mundo estão direcionados para a Copa; quando a seleção se torna mais importante até mesmo que as horas trabalhadas; quando tudo parece conspirar para uma calmaria na turbulência eterna do maior tricolor do país… eis que a fogueira aumenta e São João vem queimando pelos lados das Laranjeiras.

Confesso que, inicialmente, pretendia escrever somente sobre a entrevista de Pedro Abad publicada no Globoesporte.com na última sexta-feira. Na verdade, iria tentar extrair algo que fosse produtivo naquele monte de palavras vazias em um bate-papo que durou cerca de duas horas.

Mas eis que a própria entrevista já está velha: Gustavo Scarpa conseguiu uma liminar em Habeas Corpus junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) e está livre para continuar no Palmeiras ou buscar outro clube. Sem qualquer vantagem financeira ao Fluminense.

Essa notícia, por si só, já torna as palavras de Pedro Abad obsoletas porque, em um determinado momento dela, ele se manifestou sobre o caso e, valendo-se da decisão anterior que o mantinha vinculado ao clube, exclamou: “o Fluminense se sentiu injustiçado. Sem dúvida. Os nossos direitos não foram respeitados”. Pergunto: e agora presidente? Como vai ser?

É verdade que no Brasil as coisas são esdrúxulas. O Habeas Corpus, que é a medida provisoriamente obtida por Scarpa, é um instrumento jurídico que serve para garantir o direito de ir e vir do cidadão. É uma garantia de que ele não será preso. Na Justiça do Trabalho, porém, ele serve como meio de não ficar “preso” a um contrato. Mas, segue o jogo.

De todo modo, a briga do Fluminense para manter o atleta ainda encontra outro problema. É que existe um entendimento, embora não pacífico, no sentido de que, uma vez interrompido o contrato de trabalho, caso o atleta – ou outro trabalhador qualquer – perca a ação, a consequência é o pagamento de indenização. No caso de Scarpa, o valor da rescisão contratual.

Ou seja, é possível que a Justiça do Trabalho, ainda que julgue improcedente o pedido do jogador, não o obrigue a permanecer no Fluminense e o mantenha livre para exercer a sua profissão, devendo pagar a multa rescisória. Ele ou eventual clube interessado. E esse pagamento pode levar anos ou até mesmo décadas para acontecer.

É claro que a decisão é provisória e ainda cabe recurso por parte do Fluminense. Mas fato é que essa novela já rendeu muito desgaste e está na hora do clube, atleta e eventuais interessados sentarem e negociarem uma saída pacífica para o impasse. Não há espaço para amadorismo. Tem que haver boa gestão, o que é difícil em Álvaro Chaves.

E pra não dizer que não repercuti a entrevista, quanto tempo perdido lendo-a na íntegra. Sinceramente, ele não deu certeza de nada, não mostrou nenhum projeto plausível e não trouxe nenhuma esperança à torcida. Ele parece nutrir um orgulho gigantesco de sua administração e diz sempre que está “fazendo o que deve ser feito”.

Mas uma parte me chamou a atenção. O presidente disse que de nada adianta reprovar as contas de Peter Siemsen porque isso ocorreu nas gestões de David Fischel e Roberto Horcades e nada foi à frente. Fico imaginando o pessoal da Lava Jato pensando assim: todo mundo sempre roubou e nenhum processo foi adiante, por isso não vamos montar a força-tarefa. Nada seria descoberto no país.

Imaginem torcedor: o cara foi presidente do Conselho Fiscal e diz, ele próprio, que todo o seu trabalho neste período não valeu nada, porque se as contas fossem analisadas ou não, reprovadas ou não, tudo continuaria como antes. É o fim do mundo! O apocalipse organizacional do Fluminense. As definições de má gestão foram elevadas nesta parte da entrevista.

Mas agora surgiu um movimento, ainda tímido, de coleta de assinaturas para o início do processo de impeachment de Pedro Abad. Ele foi abandonado por vários grupos políticos e ainda se mantém agarrado aos seus amigos da Flusócio. Inclusive o clima foi tenso na última reunião do Conselho Deliberativo e um conselheiro foi à tribuna ler uma carta com as possíveis razões do impedimento do presidente.

Sim, é verdade que os grupos políticos que agora se criticam, apoiaram a eleição do atual presidente. Mas não é menos verdade que há a necessidade da união deles neste momento para livrar o Fluminense dessa atual administração, que é desastrosa em vários aspectos.

É interessante observar que Pedro Abad resolveu conceder uma entrevista exatamente agora que circo está pegando fogo e o Conselho Deliberativo resolveu sair do berço esplêndido. Mas parece que a estratégia não foi bem executada e as suas palavras não acalmaram os ânimos da torcida e de parte dos conselheiros.

Enfim, a sorte está lançada e que o clube saia fortalecido desse inferno político que o envolve.

O Fluminense está acima de tudo!

Evandro Ventura

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