“O Fluminense não joga apenas futebol. O Fluminense encena a própria vida, com toda a sua carga de tragédia, suor e, finalmente, redenção.”
(Por Lindinor Larangeira)
Amigos, quem esteve, na última terça-feira, no Estádio Malvinas Argentinas foi testemunha ocular de um momento histórico da Conmebol Libertadores 2026. Uma página heroica escrita no frio de Mendoza.
Os cerca de mil tricolores, que largaram a família, o emprego, deixaram os compromissos no Brasil para trás, não se arrependeram. Parafraseando o maior dos tricolores, Nelson Rodrigues, vale a pena atravessar uma cordilheira para ver o Fluminense jogar. E como o “profeta tricolor” já dizia: “O Fluminense não joga apenas futebol. O Fluminense encena a própria vida, com toda a sua carga de tragédia, suor e, finalmente, redenção.”
Após a expulsão de Canobbio, tudo parecia perdido. A eliminação era questão de tempo. O adversário, um time frio e calculista, precisava mudar seu cálculo e passar a propor o jogo. O Fluminense, que controlava a partida, precisava defender a sua meta, com a proteção de João de Deus. A arrogância argentina só esqueceu que aquele uniforme verde, branco e grená é uma armadura, vestida por guerreiros. Alguns, além de guerreiros, santos. Como São Fábio das Laranjeiras. O grande herói de uma classificação épica, que enche a melhor e mais linda torcida do mundo de orgulho.
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Quando, aos 76 minutos, o gol surgiu, não foi um uma jogada fortuita. Hércules, possuído por Gerson Nunes de Oliveira, o “Canhotinha de Ouro”, fez um passe com fita métrica para Serna. A bola viajou misticamente, e o colombiano mais amado do Brasil cresceu, diante da impotência do jovem goleiro argentino. Como se fosse Waldo, Flávio, ou Fred, ele não hesitou, empurrando a bola para o fundo das redes. O universo tricolor sorriu.
Mas para o Fluminense nada é fácil. Tudo é sofrido. Além de vencer o bem armado e aguerrido 11 argentino, era necessário derrotar a Conmebol. O que foi aquele pênalti marcado no último minuto da partida?
Contra tudo e contra todos, o Fluminense triunfou. E aqui retorno à inspiração rodrigueana: “Venceu porque tinha que vencer. Porque o tricolor carrega na camisa uma nobreza que não se compra e não se treina. Como eu sempre disse: os outros times têm torcida; o Fluminense tem uma comunidade de fiéis.”
E quando essa sinergia entre o campo e a arquibancada existe, o tricolor é quase imbatível.
Obrigado Nelson Rodrigues, Marcão, Guga, Ignácio, Thiago Silva, Renê, Hércules, Martinelli, Ganso, Canobbio, Hulk, Soteldo, Serna, Millan e Acosta.
Termino esse texto, óbvia e ululantemente inspirado no mestre, como ele finalizou uma das suas crônicas eternas, intitulada “A Sobrenatural Vitória Tricolor”:
“Que os invejosos recolham sua insignificância. Ontem, o Fluminense provou, mais uma vez, que é o dono absoluto da emoção divina.”
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